25.2.12

Os 10 filmes da minha vida

Em fim de semana de Oscar, uma pequena listinha dos 10 filmes da minha vida:

Se meu Apartamento Falasse (Wilder)


A Primeira Noite de um Homem (Nichols)


A Estrada da Vida (Fellini)


A Felicidade não se Compra (Capra)


O Raio Verde (Rohmer)


Chinatown (Polanski)


Zelig (Allen)


Alien (Scott)


A General (Keaton)


Os Caça-Fantasmas (Reitman)

22.2.12

A irmã de Woody Allen

Essa é a irmã do Woody Allen, Letty Aronson, que produziu seus últimos filmes - o nome real dela é Ellen Konigsberg.
Ela trabalha em seus filmes desde 94 (com Bullets over Broadway) e é fácil perceber como os filmes ficaram mais lineares de lá para cá.



Para quem viu Match Point ontem no Corujão, vai ser fácil lembrar. Tem até aquele momento meio "explicação no power point pra costurar a trama no fim" em que o detetive conversa com o seu assistente. Comparado ao Crimes e Pecados, uma espécie de ideia original da mesma trama, Match Point mostra tudo mais didaticamente. Woody Allen te pega pela mão e te explica tudo o que aconteceu no filme com Scarlett Johansson.

Não acho que isso ou aquilo seja pior ou melhor. É só que ele mudou o seu jeito de filmar e especialmente de contar, de apresentar uma história. E muito disso, sem dúvida nenhuma, tem o dedo de Letty Aronson.

Curiosidade: como seus filmes ficaram mais "fáceis" nesses últimos 18 anos, foi nesse período que o diretor teve suas maiores audiências: Vicky Cristina Barcelona, Match Point e, enfim, Meia Noite em Paris. Ah, e Poderosa Afrodite e Celebridades (94 e 98 respectivamente) também foram grandes sucessos de sua filmografia.

No entanto, vale lembrar que alguns dos maiores fracassos do diretor ocorreram com Letty. Melinda e Melinda, por exemplo, tinha tudo pra dar certo e foi um fiasco total. Ou seja, é a teoria da tentativa e erro, que é sempre regra no cinema americano.

17.2.12

Apresento minha família (vô, pai, irmão, eu).

Pequenos "empresários" tentando sobreviver nesse mundo cruel... :(

Metamaus

Escrevi no Trilhos Urbanos sobre o livro Metamaus, de Art Spiegelman, em que ele destrincha sua obra de arte. O link está aqui.

9.2.12

New York e os patos no Central Park

In Texas they had told me to be afraid of New York, but I liked it.
Jorge Luis Borges, em entrevista para Ronald Christ em 1966 

Em 2008, decidi abandonar todos os meus planos em Nova York e voltar a São Paulo. De lá para cá, não há um dia sequer que eu não acorde pensando naquela cidade.

Não sou afeito a relatos muito autobiográficos aqui neste blog, pois gosto de compartilhar as minhas histórias mais pessoais e importantes com amigos em longas e terapêuticas conversas. Mas me lembrei de um texto antigo meu sobre os patos no Central Park, que não só explica como NYC se tornou tão importante para mim como a minha mãe, mas desvenda por que eu a abandonei. Não só isso: indica por que eu penso em Gotham todo dia, a cada manhã, e nada me faz mais feliz do que a ideia de voltar a morar lá. Foi a cidade que salvou a minha vida.
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Fui passear no Central Park em um dia de rigoroso inverno, em dezembro de 2007, e estranhei a presença dos patos sobre os lagos gelados do parque. Holden Caulfield, do "Apanhador no Campo de Centeio", tinha me dito que não deveriam estar ali.

Naquele momento, eu percebi que todo o mistério dos patos sobre o qual o protagonista de Salinger se perguntava era apenas uma ficção, uma invenção --ou talvez eu já estivesse muito à frente daquela Nova York dos anos 40, tempos em que de fato os patos sumiam do parque no inverno.

E o mistério da vida, que eu hesitava em aceitar, se desmoronou diante de mim como os primeiros floquinhos de neve; não com aquela magia que a gente imagina de como será a primeira vez em que se vê neve, mas com o peso de um deus furioso que avança sobre os dissidentes, infieis ou transgressores de sua Lei.

Hoje leio o caderno especial da Folha sobre a cidade e há uma entrevista com Peter Beidler, autor de "A Reader's Companion to J.D.Salinger's Catcher in the Rye". Perguntado sobre esse motivo no livro, ele confirma que os patos ficam no parque mesmo, não saem dali. E sai com uma resposta espetacular: "Os patos sabem cuidar de si mesmos. Holden, não."

Passados alguns anos reconheço que eu também não sabia cuidar de mim mesmo. 

Em um dos meus retornos à cidade (em 2009), dessa vez a passeio, entrei muito rapidamente no Central Park e a sensação, de longe, não era mais de aflição ou desorientação. Foi só uma sensação boa, embora estranha, de reconhecimento. Não quis saber de procurar patos: na minha cabeça, eles agora já haviam voltado ao seu mistério dos anos 40, recuperado graças ao infalível efeito do tempo.

Mackenzistas e a cerveja

‎1h38 da manhã e alguns mackenzistas, depois da festa onde fecharam a rua Maria Antônia, passam gritando e xingando quem ousa colocar a cabeça na janela dos prédios em Higienópolis.

Se o problema fosse localizado no Mackenzie, sentiria vergonha da faculdade onde me formei em 2004. Mas acho que é um infantilismo bisonho presente em todos esses jovens de hoje, seja aqui, na PUC, nas Uninoves e até na USP.

É a representação, na vida real, do jovem idiota do comercial de cerveja. Maldita publicidade que, como em um jogo de espelho, reflete e expande.

8.2.12

Contra São Paulo

Mais uma pequena colaboração para o Trilhos Urbanos. Dessa vez, um textinho contra São Paulo.

Aqui.

2.2.12

Paul's Boutique

Em 1989, três garotos judeus de Nova York criaram uma plaquinha com os dizeres Paul's Boutique e colocaram na esquina das ruas Ludlow e Rivington. Tiraram uma foto, como se existisse ali de fato uma lojinha chamada Paul's Boutique.

Mais de 20 anos depois fui nessa esquina do Lower East Side para recuperar o registro da capa de um dos meus discos preferidos dos Beastie Boys e um dos marcos da carreira deles. Com mais de 100 músicas sampleadas (algumas impossíveis de perceber - entra só uma notinha por um segundo), Paul's Boutique tinha essa capa toda despretensiosa para contrapor a concepção do disco.

Está tudo mudado, é claro. Mas o clima amigável do bairro, onde eles ainda têm um de seus estúdios, permanece o mesmo.

Primeiro, a capa do disco. Depois, eu lá agora em janeiro de 2012. Depois um dos destaques do álbum.