30.7.10

|oedipus wrecks|

Depois eu conto exatamente o porquê desse post. Mas. Nunca. Never. Jamais de la vie. Subestime o poder de uma... MÃE.

|all my friends are dead|



Descobri pela Juliana um livro que virou meu novo objeto de desejo. Ele se chama "All My Friends Are Dead" e a descrição eu copio da Amazon aqui embaixo:

Se você for um dinossauro, todos os seus amigos estão mortos. Se você for um pirata, todos os seus amigos têm escorbuto. Se você for uma árvore, todos os seus amigos viraram mesas. Todas as páginas desse livro todo ilustrado e muito engraçado contêm um ponto negativo de ser qualquer coisa do mundo, desde um palhaço, passando por fitas cassetes, até mesmo um zumbi. Fofo e com um pouco de humor negro também, esse livro infantil para adultos contém valiosas lições de vida e explora os mínimos detalhes de cada amargura em cada página virada. De uma meia, cujos únicos amigos se encontram desaparecidos, até a plantinha da sua sala, cujos amigos estão sendo mortos lentamente por donos de casa irresponsáveis (como você), "All My Friends Are Dead" é uma verdadeira cartilha de como se rir diante do inevitável.


Sobre os autores
Avery Monsen é ator e escritor.


Jory John é jornalista e escritor. Eles são amigos, mas nenhum deles está morto. Ainda.


Livraria Cultura, disponibilize o livro. Cosac Naify, por favor, traduza o livro e o edite por aqui.

ps: clicando no link da Juliana aparecem algumas páginas do livro.

28.7.10

|fiona apple|

Hoje eu estava na livraria e tocou uma música da Fiona Apple. Eu gosto tanto dela, mas já há muito tempo que não ouvia nenhum cd dela. Então vale o post pra relembrar algumas de minhas músicas preferidas com trechinhos matadores das letras.

(1) Parting Gift
Oh you silly, stupid, pastime of mine... (refrão furioso, especialmente aqui ao vivo)



(2) Paper Bag
I know I'm a mess he don't wanna clean up



(3) Extraordinary Machine
Be kind to me or treat me mean, I'll make the most of it



(4) Get Gone
The truth is out that he don't give a shit about me



(5) Criminal
Heaven help for the way I am, save me from these evil deeds before I get them done

|how do I love thee|

Hoje eu comprei de presente pra Juliana uma edição nova da Penguin pro "The Turn of the Screw" e, apesar de a história não ser romântica, achei que valeria a pena ilustrá-lo pro nosso episódio semanal de textos de amor, o "How do I love thee".

Como disse, a história não é romântica. O livro não é da Jane Austen. Publicado no fim do século 19 pelo Henry James, até hoje é considerada uma "história de terror", cheia de aparições fantasmagóricas em um cenário gótico e opressivo: uma enorme mansão nos confins da Inglaterra. Mas graças à habilidade do autor há algumas interpretações possíveis que negam qualquer fantasma na história: tudo se passaria na mente da pobre governanta, que cuidava dos pequenos Miles e Flora. Mais ou menos como a mente de Rosemary em "Bebê de Rosemary" -- parênteses: os vizinhos do casal adoravam Satã? Eu sou do time que acha que sim, que Rosemary não estava louca.

Outra interpretação possível pra história, e eu faço parte desse grupo, é que a governanta havia criado uma relação de amor, desejo e especialmente posse com as crianças  (após o delírio apaixonado com o tio delas, que morava em Londres e que a contratara). Não vou contar o final nem os desdobramentos disso pra não criar spoiler pra Juliana e pra algum leitor que nunca leu o livro.

O trecho que transcrevo aqui é muito bonito, mesmo sendo sobre a relação que a protagonista começava a criar com as crianças, ou seja, uma relação perigosa e proibida.

She held me there a moment, then whisked up her apron again with her detached hand. "Would you mind, miss, if I used the freedom —"

"To kiss me? No!" I took the good creature in my arms and, after we had embraced like sisters, felt still more fortified and indignant.

This, at all events, was for the time: a time so full that, as I recall the way it went, it reminds me of all the art I now need to make it a little distinct. What I look back at with amazement is the situation I accepted. I had undertaken, with my companion, to see it out, and I was under a charm, apparently, that could smooth away the extent and the far and difficult connections of such an effort. I was lifted aloft on a great wave of infatuation and pity. I found it simple, in my ignorance, my confusion, and perhaps my conceit, to assume that I could deal with a boy whose education for the world was all on the point of beginning. I am unable even to remember at this day what proposal I framed for the end of his holidays and the resumption of his studies. Lessons with me, indeed, that charming summer, we all had a theory that he was to have; but I now feel that, for weeks, the lessons must have been rather my own. I learned something — at first, certainly — that had not been one of the teachings of my small, smothered life; learned to be amused, and even amusing, and not to think for the morrow. It was the first time, in a manner, that I had known space and air and freedom, all the music of summer and all the mystery of nature. And then there was consideration — and consideration was sweet. Oh, it was a trap — not designed, but deep — to my imagination, to my delicacy, perhaps to my vanity; to whatever, in me, was most excitable. The best way to picture it all is to say that I was off my guard. They gave me so little trouble — they were of a gentleness so extraordinary. I used to speculate — but even this with a dim disconnectedness — as to how the rough future (for all futures are rough!) would handle them and might bruise them. They had the bloom of health and happiness; and yet, as if I had been in charge of a pair of little grandees, of princes of the blood, for whom everything, to be right, would have to be enclosed and protected, the only form that, in my fancy, the afteryears could take for them was that of a romantic, a really royal extension of the garden and the park. It may be, of course, above all, that what suddenly broke into this gives the previous time a charm of stillness — that hush in which something gathers or crouches. The change was actually like the spring of a beast.

27.7.10

|sonhar faz bem ou não?|

A Folha diz que faz mal. A Globo (via G1) diz que faz bem.

Segundo a Folha, "sonhos demais talvez levem a estresse, algo que atrapalha o desempenho. A pessoa não está aprendendo com eles --os sonhos são, aí, só uma demonstração do impacto causado pelo tema no sujeito."

Já o G1 afirma que "quem sonha pouco ou tem sonhos pesados retém menos informações na memória do que os que têm sonhos considerados 'neutros'."

Em quem acreditar? Ambos os veículos estiveram na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal. Aparentemente entrevistaram as mesmas pessoas, só que interpretaram (erro maior no jornalismo) as informações ali ouvidas.

Como eu sempre vesti a camisa da Folha, mesmo não tendo mais vínculo profissional nenhum com eles, acredito na primeira reportagem. Mas e se eu lesse somente a do G1? Ou se infelizmente a da Folha estiver errada, apesar da minha confiança?

Essas notícias foram publicadas uma na Folha.com hoje de manhã e a outra no G1 ontem de noite.

Quem vai me responder isso? Vou ter que ligar pro professor que deu a palestra lá em Natal? Jornalismo, a gente vê por aqui.

|e.t.a. hoffmann e a janela de esquina do meu primo|

Segue aqui o link para o meu primeiro texto no site Trópico. É uma resenha sobre o livro "A Janela de Esquina do meu Primo" do E.T.A. Hoffmann, editado pela Cosac Naify. Abaixo, um trechinho.

Hoffmann pontua o texto inteiro com autorreferências, mas analisá-las ou atribuí-las qualquer sombra de relato autobiográfico empobreceria a narrativa. Antes (e no máximo), a realidade do autor alemão serve de contraponto complementar à sua ficção, que observa com um distanciamento mais ou menos parecido àquele da altura da janela de seu apartamento o movimento romântico, do qual foi representante inconteste, em falência ou caminhando por novas trajetórias.


É mais um olhar para o movimento romântico na Europa, em especial o francês e o alemão, do que um olhar para si mesmo, Hoffmann, que já havia escrito tantos livros e residido ali bem em frente ao Gendarmenmarkt. Há, portanto, dois motivos que se entrecruzam na história: o importância do olhar está ligada a essa crítica, cheia de bom humor, da produção literária de seu tempo.

Agradeço ao Alcino, que conheci na Folha e edita o site, pela confiança e pela aposta nos meus textos. Assim que o próximo for publicado, avisarei também. O próximo será uma entrevista com o escritor João Almino. :)

ps: o site está com alguns problemas técnicos, já de algum tempo. Se clicar no link e redirecionar a uma página de erro do UOL, clique de novo que dá certo. E esse probleminha já está sendo resolvido.

26.7.10

|and now I just ignore everyone|

That's me. :)


















Via New Yorker.

|porra, mauricio|

O Porra, Mauricio é um site que faz uma compilação de quadrinhos com momentos inapropriados desenhados por esse que é um dos grandes nomes dos quadrinhos e das histórias infantis do país.

Está certo que, descontextualizando, tudo pode ficar meio "nada a ver" mesmo, mas tem como explicar essa cena em qualquer contexto?











?????????????????????????????

24.7.10

|serenity now|

"Serenity Now" é o que o George tem que falar toda vez que sentir sua pressão sanguínea alta demais. É uma estratégia para se acalmar. Bom, ele nunca consegue isso, pois acaba gritando e tudo só piora.

Para quem é fanático pela melhor série de todos os tempos, essa é uma expressão que ficou marcada pra sempre, assim como outras do tipo "maybe the dingo ate your baby", "these pretzels are making me thirsty" e por aí vai. Piadas internas que só fãs podem entender em uma mesa cheia de gente. :)

Enfim, um cara no YouTube usou a expressão "Serenity Now" para dar título a um filme falso de suspense cujo grande vilão é o Newman. A edição é perfeita e um seriado que é muito engraçado fica dramático. Vejam.

Sei que essa é uma tendência no YouTube, de pegar cenas descontextualizadas de filmes e seriados e subverter tudo. A Juliana outro dia me mostrou o trailer de "O Iluminado", do Kubrick, como comédia romântica. E era igualmente genial. O que uma edição não pode fazer...

|inside woody allen|


23.7.10

|para animar|

Algumas fotos recentes para animar o dia e o fim de semana por vir. São registros muito felizes. :)

(1) Juliana com o Palito no primeiro dia do whippet aqui em casa.


(2) Eu (cabelo Ben Stiller), Zeca e Scoponi em clima férias.




(3) Eu com whippets na porta do Benjamin Abraão.




(4) Banca de jornal é sempre diversão. E a Juliana registrando. 




(5) Por fim, essa com o Palito (e sua elegância) em sua roupinha nova. 




Bom fim de semana a todos. 

|notícias de uma greve sem fim|

Ninguém sabe, mas a greve do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), prestes a completar 1/3 de ano em greve, detonou com o meu mês de julho. Eu dependia do retorno dos funcionários para poder iniciar um novo trabalho, cujo departamento de recursos humanos exige um documento que só posso tirar junto a esse Ministério. Até hoje, ninguém voltou ao trabalho, a greve continua, e os baderneiros (que ganham muito mais que eu e você, jornalista que lê esse post) continuam recebendo seus salários.

Não sou fã da revista Veja, mas não posso deixar de elogiá-la quando ela faz uma matéria boa. No mês passado, fez uma reportagem sobre a greve, comparando-a com "férias", pelo fato de os dondocos continuarem recebendo seus salários. E o comando da greve ficou putinho, achou uma puta falta de sacanagem falarem mal assim deles, deu xilique e só faltou xingar muito no Twitter. Aí, entro no site deles agora e vejo uma "nota de repúdio" à matéria da Veja, escrita em um português nojento de filisteu que só sabe mobilizar piquetes.

Como disse, o meu mês de julho foi terrível pois fiquei esperando, em uma ansiedade absurda, esse retorno do MTE para reiniciar as minhas atividades normais em outro veículo. O pior é que o RH da empresa, como todo RH que se preze, só sabe atrapalhar a vida do funcionário e não propôs nenhum outro meio de resolução do caso (um termo de compromisso, por exemplo, em que eu me comprometesse a tirar o tal documento assim que o MTE voltasse a funcionar). Intransigência total, parece que não querem receber um novo funcionário em sua casa. Enfim, mas está aí um dado da comédia humana que jamais poderei mudar: RH é um departamento composto de gente tosca, formada pela Uninove, e que ironicamente controla as nossas vidas dentro da empresa, com testes psicotécnicos para retardados, dinâmicas de grupo e exigência de documentos nonsense.

O mês termina, eu fiquei um tempo sem trabalhar (pois havia parado de pegar frilas, na expectativa de um início imediato no novo emprego, uma vez que já tinha feito ATÉ exame médico pra lá), e nada da greve acabar. Acho que vai durar pra sempre. O que ocorre é que não posso mais me dar ao luxo de esperar ou por concessões do RH ou pela volta dos filisteus. Um amigo me comunica a vaga para editor em outra empresa; uma professora amiga minha diz que gostaria de me orientar num doutorado (e aí a bolsa): então, desculpa, pessoal, meu psicólogo é caro demais pra controlar os meus transtornos de humor e ansiedade, além dos meus níveis de depressão. Então vou ter que redirecionar o meu barquinho para essas novas possibilidades.

Estou indo ali tomar conta da minha vida. E desculpem o tom muito pessoal/desabafo do post. :(

|quentin tarantino e queens of the stone age|

Saiu aqui nos cinemas de São Paulo um filme antigo do Quentin Tarantino chamado "À Prova de Morte". Ontem fui ver com a Juliana e saímos da sala muito animados: o filme é contagiante e em muitos momentos todo mundo que está assistindo vibra, aplaude. Mas não dá pra controlar mesmo, o Quentin "tem as manhas". Eu passei a metade final do filme me contorcendo na cadeira, a cada episódio violento, a cada segundo das cenas de perseguição pelas estradas do Texas e do Tennessee. Bom, até hoje não sei qual o meu filme predileto do diretor. Acho que é o "Bastardos Inglórios", mas é uma escolha difícil.

Eu pensei em enviar o trailer do filme aqui, mas tive outra ideia. Como a superbanda Queens of the Stone Age vem ao Brasil no fim do ano, fica um clipe deles, na mesma linha desse "À Prova de Morte" do Quentin. Boa banda, boa música, bom vídeo, boas referências. :)

21.7.10

|how do I love thee?|

Nessa semana, um poema de Thomas Hardy. Mais conhecido por seus romances do que por seus poemas, o inglês sempre manteve o mesmo tom aqui e ali, com poucos jogos retóricos, uma característica antirromântica.

Aqui, em "A Thunderstorm in Town", o tema do arrependimento, do que podia ter sido e não foi, do quase, da insegurança do sentimento amoroso, está presente, como em muitos outros poemas, muitos escritos após a morte de Emma, sua primeira esposa. 


Os versos finais são matadores: "I should have kissed her if the rain had lasted a minute more". Em um cenário em que o sujeito está se escondendo da chuva com a amada, que é um momento de extrema excitação, ele lamenta quando a chuva cessa e "out she sprang to her door". 


Um bom resumo do que acontece no poema é o trecho: "the glass that had screened our forms before flew up". Ou seja, tal sentimento amoroso é só um reflexo das formas de seus corpos, nunca sua concretização, e por isso se dissipa. 


She wore a 'terra-cotta' dress,

And we stayed, because of the pelting storm,
Within the hansom's dry recess,
Though the horse had stopped; yea, motionless
   We sat on, snug and warm.

Then the downpour ceased, to my sharp sad pain,
And the glass that had screened our forms before
Flew up, and out she sprang to her door:
I should have kissed her if the rain
   Had lasted a minute more.

20.7.10

|in - out|

Da New Yorker.


|carson - parte final|

"An hour later, Mr. Brook sat looking out of the window of his office. The trees along the quiet Westbridge street were almost bare, and the grey buildings of the college had a calm, sad look. As he idly took in the familiar scene, he noticed the Drakes' old Airedale waddling along down the street. It was a thing he had watched a hundred times before, so what was it that struck him as strange? Then he realized with a kind of cold surprise that the old dog was running along backwards. Mr. Brook watched the Airedale until he was out of sight, then resumed his work on the canons which had been turned in by the class in counterpoint."

This is the very final moment of the story, and here, the narrative, which until then was about to crack, it cleaves itself in two and becomes compromised, not as a piece of fiction, but as an unfolding of a would-be realistic story, as a telling supposed to establish the cohering closing with the plot. As fiction, McCullers’ prose comes to terms in a well-refined fashion, very typical of her language [novels included], but it becomes unable to sustain the plot created by the narrator.

The dog running along backwards leaves – and it stills – the story open, not penetrating that internal circuit, where all the pieces would geometrically fit. Mr. Brook’s cold reaction, just after being conscience-stricken for the words addressed to Madame Zilensky, in reproof of her King of Finland’s fallacy, denotes the narrative distance and the floor over which its concrete is thrown out.

Love, as it suddenly appears before Zilensky’s paleness and frightened eyes, “unreasonable love”, confirms itself as an unchangeable condition of this state, made possible through the collapse of the language. The final counterpoint of the students waves, very closely, to a state of commotion: after all, what we have in Carson McCullers’ narratives is nothing more than the enduring basis of music, the dog on the reverse, the very impotence on the comprehension of what is love, the blockade with any reality we call fiction.

BIBLIOGRAPHY
FRIEDMAN, Melvin J [org]. Critical Essays on Carson McCullers. New York: Hall, 1996.
MCCULLERS, Carson. The Ballad of the Sad Café. London: Penguin, 2000.

19.7.10

|carson - parte 2|

Mr. Brook felt pity and a strange and confused love sensation through some logical process that, in his mind, resulted this formula: Madame Zilensky suffered from some kind of lack, only supplied by the false universe created by her. All the lies intensified and provided a duplicated picture to her life. There was no strategy in the sense that she would take some advantage from all these lies: it was simply an essential fuel for her to keep on living.

The story’s great mortise, and that is what qualifies McCullers’ peculiar narrative, is found between the axes of the plot and its own compounding. The substructure behind the plot, while a creative machine, necessarily follows the dissimulation of the enunciation. Without it, we would have a somehow traditional narrative, while here the shock between telling and what it is told sets up, as in a mirror, a sensation of strange confusion of all the characters involved in the story.

In the essay “Erasing the We of Me and Rewriting the Racial Script”, Thadious Davis [FRIEDMAN, 1996][1] unravels the core of the author’s universe opposing the two roles (we and me); the notion of a sense that would be complete in another image, namely we, does not fit here for being vetoed. Any possibility vanishes in fragile attempts of a contact that never comes together, never touches. What can be perfectly applied to the two analyzed roles: what is being told does not touch, does not make direct contact with the narration, that lets its absolute and sovereign [not necessarily an omniscient one, but the one which takes over] position break. And when we do not have this control anymore, when it is lost or even when it begins without its very possibility already, the plot ends by orbiting, never touching or being tangent, not even accessing this internal and uncontrolled circuit, with no narrative authority. Just like some electrical circuit itself about to violently discharge would-be sparks in every direction but never making contact.

Since the beginning, the narrator assumes a position of a conscious following of all events, not only in narrating all the relation between the two teachers, from the letters to the final dialogue, but also in leaving footprints (perhaps in the sand) of its own intentions of a linear and objective strategy. If this narrator has a realistic side, there is no doubt that every procedure of the whole story construction is made with the mark of a fluid language, observing the events and not getting involved in them, with some kind of aloofness. This is the way that the criticism becomes possible in Realism. But McCullers’ realism is portrayed through some sort of diverted shade that, while not unglued from it, remodels that recounted reality.

It is not the fact that the McCullers’ narrator is not omniscient, for this observation would lead us to an unthinkable interpretative digression – it would imply that, in order to be realistic, a narrative has to be omniscient. Neither the case to consider Benjamin’s death of the narrator – here we do not have a historically dead narrator or one who does not have any place in an expelling society. Neither to say that all the references made in the story are not valid, for they do not exist (such as the Ryder College or the Westbridge station or street), reflecting Zilensky’s own false references. It is not that. We have here a narrator that, while (and in) longing to follow the whole process created by itself, is not able in doing so.

Its omniscience, even an incomplete one, is not totally null. The problem is that everything described in the story is outlined with the contour lines of the untruthful. We have the impression of a well-built strategy so that the narrative has this air of incredulity. The contact impossibility.

All Mr. Brook’s meditations over Zilensky can be the same as the reader’s over the narrator or even over what it is being narrated. And more: the narrator’s meditations over what it itself narrates. The conscience of the narrative collapse is always there: it remains only the possibility of the fallacy.

18.7.10

|carson mccullers' narrative craking and plot in orbit|

Tenho alguns textos que eu acho legais, sobre literatura. E como estarei um pouco sem tempo pra postar nada novo nos próximos dias, achei legal postá-los. Esse daqui, sobre o conto "“Madame
Zilensky and the King of Finland” da Carson McCullers.

Está em inglês pois foi um dos writing samples pro meu doutorado nos Estados Unidos. Esse aqui, aliás, apresentei num congresso de literatura norte-americana, em 2007. Vou dividir em três partes porque é um grande, mas, enfim, espero que gostem. :)

______

"Now the words, the inflections of her voice, came back to him with insidious exactitude. Madame Zilensky had started off with the following remark: 'One day, when I was standing in front of a pâtisserie, the King of Finland came by in a sled'". 

The narrator in Carson McCullers fails and such a ruin makes it up in each vertex of its narrative, of its accurate and refined project over which the story is built. If Mr. Brook, the Chair of the Ryder College Music Department, in the mentioned extract, seems to link up the pieces of a puzzle which is apparently about to be completed, the narrator itself does not know nothing of Madame Zilensky’s state nor how to deal with this ambiguous equation. Would she be a liar? Or is this narrative – its own – that frames such a lie?

The reader is not entitled – not even the scientist – to answer this question, for the answer would go the opposite direction of what we have from Carson McCullers, the author of this short story. Born in Columbus, Georgia, McCullers (1917 – 1967) started to establish herself as a writer when she was around 23 years old, at the time of the publication of her The Heart is a Lonely Hunter (1940), the novel for which she is world-widely famous. Her work is commonly included as part of the Southern Gothic tradition: the Southern American imagery, very often portrayed in the grotesque and in the supernatural, in which character and scenery blend themselves at the deconstructed myth image – the myth, yet retrieved, does not allude nor redefine, but sustains its own now mortality, which is totally and perhaps only legitimate. Although all these aspects indeed are there on her works, Carson did not write in loco, at least not the part after 1940.

The modern Southern myth depicts itself in a reclusive manner, under circumstances that cannot allow its full adherence to the world around it, by not alluding nor redefining itself, and here we have one of the many axes  over which revolves McCullers’ narrative machinery. In the case of this short story, “Madame Zilensky and the King of Finland”, the typical Southern image of the demoiselle en détresse can even remount to an Ancient Greek motif or perhaps to the Petrarchan myth, like the dames left in the lurch surrounded by a medieval and hostile ambiance, but the minimal suggested figuration – even mythical – is shattered at the hands of a very ingenious narrator who keeps it all in check, attacking directly this opponent’s [who is the opponent after all?] king [the king of Finland?].

Here, Madame Zilensky is not depicted (nor she is) as the formerly mythical frail character, waiting for redemption. The information we have about her emanates from the superiority of an academic recognition, as in “her reputation was impressive, both as a composer and as a pedagogue”, to the previously exchanged letters with Mr. Brook, in:

"She wrote in a clear, square hand, and the only thing out of the ordinary in these letters was the fact that they contained an occasional reference to objects and persons altogether unknown to Mr. Brook, such as 'the yellow cat in Lisbon' or 'poor Heinrich'. These lapses Mr. Brook put down to the confusion of getting herself and her family to Europe."

Right from the beginning, we have her status expressed in the story, the function she now comes to discharge: the academician invited from Europe to teach in an American college. The very mention to the strange references of her letters is attributed by Mr. Brook as misunderstandings without importance, comprehensible to someone who is about to move to another country. Although there is not any suggestion yet to the image of a frail dame, of the demoiselle en détresse, when the narrator starts to operate its character’s making-up – according to Mr. Brook’s intuition – the figuration will be already compromised: there is no place for this type of image, the narration does not offer enough support for that.

If we telegraphically follow the plot, Madame Zilensky arrives at the college between July and August, along with three children and an older woman, supposed to be her servant, and shows, since the beginning, a strange behavior, an insecure one, but it is just in the middle of October that Mr. Brook – never the narrator – feels that there is something wrong: Madame Zilensky’s sentences lack some complement, they are not very articulate, and, more, the impression that the senses that try to and must be established between her and Mr. Brook do not fit themselves, just like something about to ruin. Like a language betrayal, a sine qua non condition of every form of human expression, even music and love, vertices which are almost providentially presented in the story.

When Mr. Brook remembers the commentary on which the King of Finland had passed by Madame Zilensky in a sled, while Finland is a parliamentary democracy, he notices that he has just came across such a grave lie, and then he starts to think of her as “a pathological liar” (p. 116) at the same time he has about her a feeling of protection, of compassion even – the mirrored and distorted image of the dame in the lurch, “a state of lovely confusion”.

Through transference, the state of confusion that earlier Mr. Brook had attributed to Madame Zilensky launches on him, which totally reflects this inevitable condition of the tragedy of the language, in which not necessarily the lie, but the uncertainty and the collapse of the very core of every communication become clear.

"Mr Brook looked into the fire, and the face of Madame Zilensky was in his mind – a severe face, with dark, weary eyes and delicately disciplined mouth. He was conscious of a warmth in his chest, and a feeling of pity, protectiveness, and dreadful understanding. For a while he was in a state of lovely confusion".

17.7.10

|o mal das redes sociais|

O Tiago Leifert fez uma campanha em seu Twitter tempos atrás. Teste psicotécnico obrigatório para quem quer usar a internet. Nunca fui tão favorável a uma campanha.

Depois de um tempão sem entrar no Orkut, o que vejo são "updates" de algumas pessoas (que mal me conhecem ou têm amizade comigo, by the way):

"Dizem q devo me arriscar mais na vida e confiar em Deus ... Então, pq falam q sou LOUCO quando tenho vontade de saltar num Abismo?"


"Que haja amor, compaixão e paz entre todos os seres do universo..."


"Tô em Jales."


"Tudo pronto para muito em breve regressar à fria, agitada e encantadora Argentina!!"


"Eu só quero ser feliz.."

Não vou comentar o conteúdo filosófico das mensagens acima; sua simples leitura já basta.

Acho que o Orkut, de todas as redes sociais atuais, é a que precisa de teste psicotécnico como pré-requisito com mais urgência. E não quero defender Facebook e Twitter, mas, por alguma razão, o nível é melhor sim. No Twitter, se alguém me escreve um troço desses acima, eu simplesmente paro de seguir e ponto final -- não haverá aquele constrangimento comum ao Orkut, de "deixar de ser miguxo".

Que fique bem claro, no entanto, que não faço parte daquela tchurma que acha que Twitter e Facebook têm que ter algum comprometimento com noticiário, propósitos legais, do bem, campanha "vamos ajudar as enchentes no Nordeste".

Não, acho que a principal função disso tudo é entretenimento compartilhado, com pessoas que você conhece, gosta ou admira. Eu posso tanto compartilhar um vídeo legal do meu melhor amigo no Facebook, como repassar um comentário engraçado que o gênio Romário, eterno baixinho #11, fez no Twitter dele.

É simples. E ainda assim muitos seriam reprovados no psicotécnico.

|gut shabbes|

15.7.10

|inside woody allen|

A gente tem um livro aqui em casa que chama Dread & Superficiality, uma compilação com 220 tirinhas da "Inside Woody Allen", cartum do Stuart Hample sobre o diretor, publicado pela King Features de 76 a 84.

Sua neurose, todas as buscas filosóficas, os relacionamentos complexos, Nova York, a psicanálise, tudo era retratado fielmente como se fosse um filme do Woody.

Vou postar aqui semanalmente uma tirinha. Algumas pouquíssimas dá pra achar na internet, portanto as que não tiverem muita qualidade é porque eu bati a foto eu mesmo do livro. Ficando legível, sem borrar os desenhos já está bom. Espero que gostem!

|how do I love thee?|

Manuel Bandeira é um dos meus poetas preferidos da literatura brasileira, senão o meu preferido. Aqui no poema "Teresa" temos uma quebra daquele amor à primeira vista, arrebatador, em nome de um amor que se descobre, que se deixa pouco a pouco ser tomado. 

Quando o eu-lírico vê Teresa pela primeira vez, ele só vê pernas estúpidas e acha que sua feição se assemelha a uma dessas pernas, ou seja, inexpressiva e quase grosseira. Já no segundo encontro, são os olhos que ganham descrição e apreciação: apesar de parecerem velhos, que supostamente já existiam antes mesmo do corpo nascer (o tom cheio de humor desse verso é muito bom!), dedicar as palavras aos olhos de Teresa já indicia uma ternura aproximada, um meio do caminho, um quase-lá romântico. Por fim, na estrofe final, nada mais se pode ver e o eu-lírico é tomado por aquele sentimento que nós também não conseguimos descrever, só comparado à criação do mundo.

ps: desculpem-me por não ter postado ontem. Mas hoje foi!


A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
 
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

14.7.10

|I will survive|

Em 1958, Groucho Marx visitou a cidade natal de sua mãe, em Dornum (Alemanha). Ao chegar lá, descobriu que os nazistas, anos atrás, haviam destruído o cemitério judaico local. Indignado com isso, partiu pra Berlim com uma missão genial em mente.




Já na capital alemã, dirigiu-se até o bunker onde Hitler havia se suicidado (e onde afirma-se estar enterrado). Muitos escombros, ultrapassando seis metros de altura. Foi escalando e, quando chegou ao topo, ficou parado por um tempo, pensativo, e então iniciou uma dança frenética sobre a sepultura do mal.

A dança durou mais ou menos dois minutos. E Groucho Marx não sorriu em momento algum.

Essa história real serve para ilustrar outra muito boa que ocorreu mais recentemente. Um sobrevivente do Holocausto retornou a Auschwitz com a família (filhos, netos). Lá fizeram uma dancinha para "I Will Survive" e filmaram. Talvez alguns judeus fiquem um pouco ofendidos com o ocorrido, mas eu acho que o humor é uma das melhores maneiras de superar os seus traumas, mesmo com a obrigação de jamais esquecê-los.

O humor não exclui nem pretende apagar a dor, mas a presentifica como resistência.

13.7.10

|an unreliable narrator|

O trabalho que eu desenvolveria no meu doutorado, se não tivesse mudado de ideia e voltado ao Bananão, seria de narratologia. E a literatura moderna (se considerarmos a partir de Baudelaire) está cheia de casos em que esse estudo se mostra bem pertinente. Narratologia é, grosso modo, estudar como a narrativa se desenrola, quais as artimanhas do narrador, e como a linguagem em sua estrutura textual afeta os nossos modos de ler, de acordo com a intenção de quem conta a história.

Faz mais sentido estudá-la na modernidade pois foi a partir de séc. 19 que os escritos potencializaram as possibilidades dos efeitos narrativos. No caso do meu trabalho, a autora escolhida era a americana Carson McCullers e o objetivo da análise era detectar como o narrador em suas histórias nunca era confiável. Como Kafka, Carson se valia de um jeito de contar que colocava em xeque a própria história e, em última análise, a própria condição de narrador.

Estou lendo "As Aventuras de Augie March", do Saul Bellow, e em determinado trecho, que li hoje, há uma problematização ilustrativa (quase que metalinguística mesmo) do caso. O relato bíblico é permeado de narradores dúbios e fica a pergunta: podemos considerar a mitologia hebraica um fenômeno já moderno então? Se eu fosse professor, eu falaria pra minha aluna de Letras anotar no caderninho a seguinte frase: ler Eric Auerbach. :)

Olhem que bonito. Transcrevo aqui.

Anna não se opunha a que nós fôssemos [ao cinema no sábado], mas ela própria não tocava em dinheiro em dias santos. Observava-os todos, incluindo as luas novas, a partir de um pequeno calendário judaico, cobrindo a cabeça, acendendo velas e sussurrando orações, com os olhos dilatados e determinados, perseguindo terrores religiosos com o medo e a coragem de um Jonas levado a entrar na assustadora Nínive. Achava que era seu dever me dar alguma instrução religiosa enquanto eu estava na sua casa, e devo dizer que recebi dela estranhos relatos da criação e da queda, da construção de Babel, do dilúvio, da visita dos anjos a Lot, da punição da mulher de Lot e da obscenidade das filhas dele, numa torrente de hebraico, iídiche e inglês movida a fervor e raiva, com florzinhas e fogos sangrentos fornecidos pela sua própria memória e imaginação. Ela não entrava em muitos detalhes em histórias como aquela em que Isaac brinca com Rebeca nos jardins de Abimelec ou aquela em que Diná é violentada por Siquém.

"Ele torturou Diná", ela dizia.
"Torturou como?"
"Torturando!"

Não achava que fosse necessário dizer mais nada e estava certa. Tenho de admitir que ela conhecia seu ouvinte. Não estava ali para brincadeiras. Estava me guiando do fundo do seu peito para as grandes coisas eternas.

|thiago blumenthal e israel - parte 2 (caso resolvido)|

Foi grata a surpresa que tive quando um leitor muito simpático e inteligente me escreveu após o post anterior. Trata-se de um leitor muito fiel e atencioso que mora em Uberlândia, cuja família sempre acessa o blog, muitas vezes por tal entrada no Google.

Muito obrigado, Pedro, pela mensagem carinhosa. E peço desculpa se pareci  meio neurótico no post de antes. Zay gezunt. :)

11.7.10

|thiago blumenthal e israel|

Já faz algum tempo que alguém da cidade de Uberlândia entra no meu blog com a seguinte busca no Google: "Thiago Blumenthal Israel". Diariamente.

Há duas possibilidades:

(1) de ser alguém que de fato me conhece, mas que, por não saber o endereço exato desse blog, entra usando essa busca no Google, que me redireciona pra cá;

(2) algum antissemita que criou uma espécie de obsessão por mim desde quando eu defendi Israel no lamentável e quase-cômico episódio do barquinho com "ajuda humanitária".

Se a alternativa 1 estiver certa, e é o que espero, peço para que a pessoa, ao ler esse post, entre em contato comigo pelo e-mail blumenthal.thiago@gmail.com e esclareça quem é, dizendo: "Oi, Thiago, sou eu, XXXX, seu amigo. Uso essa busca no Google porque de fato nunca sei o endereço exato do seu blog etc etc".

Agora se a alternativa 2 estiver certa, medo.

10.7.10

|and now for something completely different|

Quem são essas pessoas? Alguém sabe?



Bom, pra quem não sabe, são os responsáveis por essa cena abaixo, que, quando vi pela primeira vez, foi quando mais dei risada na minha vida. F*ck yeah, Monty Python. Terry Jones is the bomb.

9.7.10

|mensagem muito codificada|

Ontem, eu voltava com a Juliana de um jantar com a namorada do pai dela. No La Tartine, que fica perto da Paulista. Pra ir embora, atravessamos a Consolação e descemos a Angélica até a rua Sergipe e então nos encaminhamos pra casa. Como sempre. Tudo a pé. Não trabalhamos com carros.

Descendo a Angélica, passamos em frente ao Salommão, um restaurante simpático e aconchegante. Ele estava fechado para nossa surpresa. Assim. Eu tirei as fotos.


E os recados eram os seguintes:



E esse:


Três mensagens pra você decodificar: (1) estamos fechados para reformas durante os meses de junho e julho; (2) vocês podem fazer seus eventos lá nesse período (como assim???); (3) "Passa-se o ponto".

Puerra, o que afinal aconteceu com esse restaurante? Fechou, está em vias de fechar, ou é só uma reforma que não vai impedir você de fazer o seu evento, em meio à areia, tijolos, cimento e peãozada?

Alguém me decodifica essa mensagem misteriosa do restaurante?

7.7.10

|how do I love thee?|

Na seção dedicada aos melhores poemas românticos de todos os tempos, hoje tem e.e. cummings. Tudo assim, caixa-baixa, pelo menos esse era o jeito que o poeta americano, nascido Edward Estlin Cummings, queria que seu nome fosse grafado em seus livros. Esse charminho também era percebido em sua obra, em que o pronome pessoal "I" era sempre escrito com minúscula, e as vírgulas, muitas vezes, não ganhavam espaço nem antes nem depois, como se coladas às palavras. Portanto, não estranhem. (no poema que transcrevo aqui só "Spring" ganhou caixa-alta)

Alguns poetas e críticos brasileiros veem em cummings um concretista, mas discordo. Ele nunca teve o azar nem a infelicidade de fazer nada parecido com "coca-cola cloaca beba coca babe cola". Sua mãe havia lhe ensinado elegância.

O poema de hoje não tem título, como muitos poemas de cummings, e é conhecido então por seu primeiro verso: "somewhere i have never travelled,gladly beyond". É ultrarromântico, do começo aos últimos versos, e mostra como os gestos mais sutis da pessoa amada dominam o sujeito.

"i do not know what it is about you that closes / and opens;only something in me understands / the voice of your eyes is deeper than all roses". Assim como o poema inteiro, essas linhas são todas sinestésicas, em que os sentidos, as sensações, tomam conta do poeta. É o amor. :)

somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

O trecho final desse poema é lido no filme "Hannah e suas Irmãs", do Woody Allen. Vejam que cena bonita. E, se quiserem acompanhar o poema pelo vídeo, a legenda traduz.

4.7.10

|lula e a baleia|

Pelo Google Analytics, descobri que alguém chegou no meu blog graças à busca "luta do polvo com a baleia". Fiquei muito contente, pois essa imagem é muito bonita e simbólica pra mim, como já disse em algum momento nesse blog.

Pude visitar a sala da lula e da baleia no Museu de História Natural algumas vezes, quando morei em NY. Às vezes, ia lá pela manhã e ficava um tempão. Aquilo realmente me tomava. Mais ou menos como o menino do filme "A Lula e a Baleia" na cena final, aqui abaixo.

Talvez a descrição usada pela pessoa que subiu ao vídeo no YouTube seja bem pertinente. Growing up. :)

3.7.10

|kafka|

Sei que, em tempos de finais de Copa e em um dia com Argentina desclassificada, esse é o post mais off-off-off-topic do mundo. Mas hoje é aniversário de Franz Kafka que, de longe, é o meu autor preferido de toda a história da literatura.

Mais do que minha principal companhia em dois anos de pesquisa e tema do meu mestrado, foi durante toda a minha vida o autor que mais soube falar comigo. :)

Deixo vocês com o final do conto "Uma Folha Antiga" (tradução de Modesto Carone).

________

O que irá acontecer - todos nós nos perguntamos. - Quanto tempo vamos suportar esse peso e tormento? O palácio imperial atraiu os nômades mas não é capaz de expulsá-los. Os portões permanecem fechados; a guarda, que antes entrava e saía marchando festivamente, mantém-se atrás das janelas gradeadas. A nós, artesãos e comerciantes, foi confiada a salvação da pátria; mas não estamos à altura de uma tarefa dessas, nem jamais nos vangloriamos de estar. É um equívoco e por causa dele vamos nos arruinar.

2.7.10

|vai, uruguai|

Eu disse no início da Copa que, se o Brasil fosse eliminado da Copa, eu torceria ou pela Inglaterra ou pelo Uruguai. Como Brasil e Inglaterra se despediram, fica a minha torcida pela Celeste.

Vai, Lugano, Forlan e companhia. A torcida tricolor paulista está com vocês! Que venha a Holanda e depois a grande final.




Tem que meter a mão na bola no último minuto mesmo. E aguenta coração, Galvão! (foi o jogo que mais vibrei)

ps: esse post não é irônico!

|adeus, dunga|

Como disse um amigo meu, "somente o style fashion foi o seu legado". Adeus, Dunga.



Volta, Gênio Brincalhão.