O cachorrinho era de veludo quente e palpitante com um pequeno e apressado coração. Tinha duas macias pétalas de orelha, olhos azulados e turvos, um focinho rosado, em que se podia colocar o dedo sem nenhum perigo, patinhas delicadas e inocentes com uma comovente verruga cor-de-rosa em cima e detrás das patas dianteiras. Com elas entrava na tigela de leite, guloso e impaciente, sorvendo o líquido com a língua rosada; saciada a fome, levantava tristemente o focinho com um pingo de leite no queixo e retirava-se, todo desajeitado, desse banho lácteo.
[...]
Mas pouco a pouco o pequeno Nemrod (esse é o nome orgulhoso e guerreiro que tinha recebido) começa a saborear a vida. A submissão total à imagem da união primordial materna cede lugar aos encantos da diversidade.
| Bruno Schulz e sua linda declaração de amor aos cachorros
13.6.12
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2 comentários:
Oi, Thiago, tudo bem?
Superbonito o texto! De onde foi tirado?
Abraços!
Do livro recém-publicado pela Cosac com a obra completa dele. Obrigado pela leitura! :)
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