A good story is one that doesn't end. (clicar na imagem para ler)
23.3.11
21.3.11
Don't call me, I won't call you
Saiu no último domingo (20) uma matéria muito boa do New York Times sobre como as pessoas simplesmente deixaram de usar o telefone nos últimos cinco anos. Para minha vibração, que não atendo telefones a não ser quando é da Record ou quando é a minha mãe, essa matéria foi um indicativo do quanto aquele toque chato e insuportável já é, hoje, tão desagradável e, como diz o texto, "intrusive".
Destaques aqui:
According to Nielsen Media, even on cellphones, voice spending has been trending downward, with text spending expected to surpass it within three years.
“I remember when I was growing up, the rule was, ‘Don’t call anyone after 10 p.m.,’ ” Mr. Adler said. “Now the rule is, ‘Don’t call anyone. Ever.’ ”
Phone calls are rude. Intrusive. Awkward. “Thank you for noticing something that millions of people have failed to notice since the invention of the telephone until just now,” Judith Martin, a k a Miss Manners, said by way of opening our phone conversation. “I’ve been hammering away at this for decades. The telephone has a very rude propensity to interrupt people.”
Receiving calls on the cellphone can be a particular annoyance. First, there’s the assumption that you’re carrying the thing at all times. For those in homes with stairs, the cellphone siren can send a person scrambling up and down flights of steps in desperate pursuit. Having the cellphone in hand doesn’t necessarily lessen the burden. After all, someone might actually be using the phone: someone who is in the middle of scrolling through a Facebook photo album. Someone who is playing Cut the Rope. Someone who is in the process of painstakingly touch-tapping an important e-mail.
Telephones were first sold exclusively for business purposes and only later as a kind of practical device for the home. Husbands could phone wives when traveling on business, and wives could order their groceries delivered. Almost immediately, however, people began using the telephone for social interactions. “The phone companies tried to stop that for about 30 years because it was considered improper usage,” Dr. Fischer said.
Destaques aqui:
According to Nielsen Media, even on cellphones, voice spending has been trending downward, with text spending expected to surpass it within three years.
“I remember when I was growing up, the rule was, ‘Don’t call anyone after 10 p.m.,’ ” Mr. Adler said. “Now the rule is, ‘Don’t call anyone. Ever.’ ”
Phone calls are rude. Intrusive. Awkward. “Thank you for noticing something that millions of people have failed to notice since the invention of the telephone until just now,” Judith Martin, a k a Miss Manners, said by way of opening our phone conversation. “I’ve been hammering away at this for decades. The telephone has a very rude propensity to interrupt people.”
Receiving calls on the cellphone can be a particular annoyance. First, there’s the assumption that you’re carrying the thing at all times. For those in homes with stairs, the cellphone siren can send a person scrambling up and down flights of steps in desperate pursuit. Having the cellphone in hand doesn’t necessarily lessen the burden. After all, someone might actually be using the phone: someone who is in the middle of scrolling through a Facebook photo album. Someone who is playing Cut the Rope. Someone who is in the process of painstakingly touch-tapping an important e-mail.
Telephones were first sold exclusively for business purposes and only later as a kind of practical device for the home. Husbands could phone wives when traveling on business, and wives could order their groceries delivered. Almost immediately, however, people began using the telephone for social interactions. “The phone companies tried to stop that for about 30 years because it was considered improper usage,” Dr. Fischer said.
Dois anos de namoro
No domingo (20), eu e a Juliana comemoramos dois anos de namoro.
Primeiro, um gostoso café da manhã/brunch.
Depois, mais tarde, como era feriado judaico de Purim, a festa mais animada do calendário judaico, com muita vibração, máscaras e gritaria, fomos até a Congregação Israelita Paulista para comemorar a data, que lembra a salvação dos judeus persas do perverso Hamã, como relatado no livro de Ester.
Foi a primeira vez que a Juliana participou de uma festa judaica e foi muito divertido. Com direito a máscaras e rabino vestido de saia. E, para alguém que não punha os pés em uma sinagoga desde 2008, foi legal. Mais fotos em meu Facebook aqui. :)
Para terminar o dia, um macarrão todo diferente com um vinho em casa ao som de Rolling Stones. E aí um filme do Eric Rohmer nos deu a perspectiva de que é isto o que queremos de nossas vidas por muitos e muitos anos.
Ah! Que le temps vienne où les coeurs s'éprennent. (Rimbaud)
Primeiro, um gostoso café da manhã/brunch.
Depois, mais tarde, como era feriado judaico de Purim, a festa mais animada do calendário judaico, com muita vibração, máscaras e gritaria, fomos até a Congregação Israelita Paulista para comemorar a data, que lembra a salvação dos judeus persas do perverso Hamã, como relatado no livro de Ester.
Foi a primeira vez que a Juliana participou de uma festa judaica e foi muito divertido. Com direito a máscaras e rabino vestido de saia. E, para alguém que não punha os pés em uma sinagoga desde 2008, foi legal. Mais fotos em meu Facebook aqui. :)
Para terminar o dia, um macarrão todo diferente com um vinho em casa ao som de Rolling Stones. E aí um filme do Eric Rohmer nos deu a perspectiva de que é isto o que queremos de nossas vidas por muitos e muitos anos.
Ah! Que le temps vienne où les coeurs s'éprennent. (Rimbaud)
14.3.11
Playstation 5
"I wanna buy a Playstation 5 with you".
Um colega postou isso em seu Facebook há poucos minutos e se perguntou se esta não é a declaração mais sincera e emocionante dos tempos em que vivemos?
Mostra o quanto a gente quer passar nossas vidas ao lado de quem gosta. Porque, se ainda estamos no auge do Playstation 3, com muitos jogos sendo lançados e, junto com o Xbox, sendo considerado o melhor videogame da atualidade, vai levar um tempo para a Sony pensar em conceber a versão 4. Imagine a 5ª. Sei lá, umas três, quatro décadas.
Se estou com 30 hoje, isso indica que ainda quero estar com você aos 70. Mais do que isto: aproveitar todas as incríveis inovações tecnológicas que um Playstation 5 vai trazer: jogos cada vez mais próximos da realidade, como em um filme. Ou, por outro lado, mais distantes da realidade, como nos torneios malucos de Tron.
Nossas vidas serão cada vez mais parte da ficção. Se antes a gente lia um romance para nos transportar a um outro mundo e se antes a gente também ia ao cinema com a mesma intenção, imagine como será com um Playstation 5. Estar lado a lado com um Indiana Jones fugindo de caveiras vivas. Ou explorando as masmorras secretas de um castelo medieval, com uma tocha na mão e muito medo. E o melhor: você comigo.
Por isso, assino embaixo: I wanna buy a Playstation 5 with you. S2
Um colega postou isso em seu Facebook há poucos minutos e se perguntou se esta não é a declaração mais sincera e emocionante dos tempos em que vivemos?
Mostra o quanto a gente quer passar nossas vidas ao lado de quem gosta. Porque, se ainda estamos no auge do Playstation 3, com muitos jogos sendo lançados e, junto com o Xbox, sendo considerado o melhor videogame da atualidade, vai levar um tempo para a Sony pensar em conceber a versão 4. Imagine a 5ª. Sei lá, umas três, quatro décadas.
Se estou com 30 hoje, isso indica que ainda quero estar com você aos 70. Mais do que isto: aproveitar todas as incríveis inovações tecnológicas que um Playstation 5 vai trazer: jogos cada vez mais próximos da realidade, como em um filme. Ou, por outro lado, mais distantes da realidade, como nos torneios malucos de Tron.
Nossas vidas serão cada vez mais parte da ficção. Se antes a gente lia um romance para nos transportar a um outro mundo e se antes a gente também ia ao cinema com a mesma intenção, imagine como será com um Playstation 5. Estar lado a lado com um Indiana Jones fugindo de caveiras vivas. Ou explorando as masmorras secretas de um castelo medieval, com uma tocha na mão e muito medo. E o melhor: você comigo.
Por isso, assino embaixo: I wanna buy a Playstation 5 with you. S2
8.3.11
30
Fiz aniversário nesta terça (8) em um dia de fim de Carnaval, fim de festa. É assim que, em determinado momento do dia, eu me senti. Porque, ao virar 30 anos, não dá para não fazer um apanhado de tudo o que já aconteceu com você nessas três décadas, pesar o que foi bom e o que foi ruim e, com sorte, criar expectativas para a agora já metade final de sua vida.
Para começar, eu estou trabalhando desde o domingo (27 de fevereiro). Direto e sem folgas. Porque emendei Oscar e Carnaval. Minha primeira folga será neste sábado e terei então completado 13 dias de trabalho ininterruptos. Então foi um dia estranho: acordei às 5h30 da manhã e fui pra Redação cuidar da cobertura da maior festa do Brasil - minha função, em teoria, é cuidar da folia no Nordeste, mas, na prática, acaba sendo tudo: pego repercussão do que rolou no Rio e em São Paulo, corro atrás da Ana Hickmann para saber se ela morreu ou não no tombaço que levou na Sapucaí, procuro fotos da AgNews (os paparazzi brasileiros) pra ver quantas mulheres o Bruno Mazzeo beijou no camarote do Bar Brahma. Por aí vai.
E, ao voltar pra casa, por volta das 15h30, a Juliana, Palito, minha mãe, pai, tia e prima fazem uma surpresa, com lanche, bolo e cantoria. As pessoas mais próximas a mim (incluindo a minha mãe) sabem como eu sou tímido e têm uma certa noção do quanto até posso ficar bravo. Mas eu gostei porque, apesar da vergonha, me senti em casa.
Mas até esse momento eu pensava apenas (1) no trabalho durante a manhã e começo da tarde e (2) na festa e nas conversas cotidianas em família durante o fim da tarde. Ainda não tinha caído a ficha dessa faixa que eu estava ultrapassando, dando o passo para frente. Para o grupo ou lado de lá. Sem volta.
Foi quando eu comecei a relembrar como foram esses meus primeiros 30 anos. E percebi que não fui muito feliz. Minha infância não foi exatamente como um sonho. À exceção dos primeiros anos de vida, dos quais não lembro, nunca tivemos muitas condições financeiras. Sempre estudei em escolas boas porque tinha bolsa - no 1º grau porque a escola era boazinha com os meus pais e, depois, no Mackenzie, porque eu fiz, durante a graduação inteira, iniciação científica e nunca tinha notas menores que 8,5.
Quem não me conhece pode achar que estou me gabando. Não estou. Mas sempre tive muito trabalho e muita pressão para que as coisas dessem certo. Para que eu conseguisse um amigo no ginásio que não insistisse para visitar a minha casa (porque eu tinha vergonha de não termos uma casa decente - por um bom tempo, dormíamos num porão eu, mame, pai e irmão). Para não perder a bolsa. Para conseguir uma namorada que não precisasse conhecer o meu pai, porque ele certamente me envergonharia na frente dela, tal qual o pai do conto "O Veredicto", do Kafka. Para que as pessoas me enxergassem como alguém inteligente, que gostasse de ler e que quisessem conversar comigo sobre esses assuntos, sem cair em pedantismos que são sempre comuns em assuntos que eu gosto, como literatura e cinema.
Foi difícil. Tive sucesso em algumas coisas, mas fracassei em tantas outras. E fui muito triste nessa primeira metade da minha vida. Frustrações carregadas que criam fantasminhas que não são nada camaradas. Experiências e sonhos que se reduziram a traumas, pequenos ou não, mas que se perpetuam ainda. Ilusões, talvez vindas dos mesmos filmes ou dos mesmos livros, que ainda tenho verdadeiro pavor em aceitá-las como parte da vida real.
E eu só queria um presente de aniversário nessa virada "balzaquiana", como alguém sábio chamou. Que as razões que me deixam feliz hoje se prolonguem por muito tempo e que essa metade final da minha vida seja o inverso do caminho de ida. Eu vim, vivi, sofri um pouco. Mas agora quero iniciar esse caminho de volta - sabe-se lá pra onde -, feliz, com muitas lampadinhas coloridas na varanda da minha casa e com muito amor. Porque, sem amor, o ponteiro tende a andar para trás. E a estrada que acabo de deixar está enevoada demais para qualquer retrocesso. :)
Para começar, eu estou trabalhando desde o domingo (27 de fevereiro). Direto e sem folgas. Porque emendei Oscar e Carnaval. Minha primeira folga será neste sábado e terei então completado 13 dias de trabalho ininterruptos. Então foi um dia estranho: acordei às 5h30 da manhã e fui pra Redação cuidar da cobertura da maior festa do Brasil - minha função, em teoria, é cuidar da folia no Nordeste, mas, na prática, acaba sendo tudo: pego repercussão do que rolou no Rio e em São Paulo, corro atrás da Ana Hickmann para saber se ela morreu ou não no tombaço que levou na Sapucaí, procuro fotos da AgNews (os paparazzi brasileiros) pra ver quantas mulheres o Bruno Mazzeo beijou no camarote do Bar Brahma. Por aí vai.
E, ao voltar pra casa, por volta das 15h30, a Juliana, Palito, minha mãe, pai, tia e prima fazem uma surpresa, com lanche, bolo e cantoria. As pessoas mais próximas a mim (incluindo a minha mãe) sabem como eu sou tímido e têm uma certa noção do quanto até posso ficar bravo. Mas eu gostei porque, apesar da vergonha, me senti em casa.
Mas até esse momento eu pensava apenas (1) no trabalho durante a manhã e começo da tarde e (2) na festa e nas conversas cotidianas em família durante o fim da tarde. Ainda não tinha caído a ficha dessa faixa que eu estava ultrapassando, dando o passo para frente. Para o grupo ou lado de lá. Sem volta.
Foi quando eu comecei a relembrar como foram esses meus primeiros 30 anos. E percebi que não fui muito feliz. Minha infância não foi exatamente como um sonho. À exceção dos primeiros anos de vida, dos quais não lembro, nunca tivemos muitas condições financeiras. Sempre estudei em escolas boas porque tinha bolsa - no 1º grau porque a escola era boazinha com os meus pais e, depois, no Mackenzie, porque eu fiz, durante a graduação inteira, iniciação científica e nunca tinha notas menores que 8,5.
Quem não me conhece pode achar que estou me gabando. Não estou. Mas sempre tive muito trabalho e muita pressão para que as coisas dessem certo. Para que eu conseguisse um amigo no ginásio que não insistisse para visitar a minha casa (porque eu tinha vergonha de não termos uma casa decente - por um bom tempo, dormíamos num porão eu, mame, pai e irmão). Para não perder a bolsa. Para conseguir uma namorada que não precisasse conhecer o meu pai, porque ele certamente me envergonharia na frente dela, tal qual o pai do conto "O Veredicto", do Kafka. Para que as pessoas me enxergassem como alguém inteligente, que gostasse de ler e que quisessem conversar comigo sobre esses assuntos, sem cair em pedantismos que são sempre comuns em assuntos que eu gosto, como literatura e cinema.
Foi difícil. Tive sucesso em algumas coisas, mas fracassei em tantas outras. E fui muito triste nessa primeira metade da minha vida. Frustrações carregadas que criam fantasminhas que não são nada camaradas. Experiências e sonhos que se reduziram a traumas, pequenos ou não, mas que se perpetuam ainda. Ilusões, talvez vindas dos mesmos filmes ou dos mesmos livros, que ainda tenho verdadeiro pavor em aceitá-las como parte da vida real.
E eu só queria um presente de aniversário nessa virada "balzaquiana", como alguém sábio chamou. Que as razões que me deixam feliz hoje se prolonguem por muito tempo e que essa metade final da minha vida seja o inverso do caminho de ida. Eu vim, vivi, sofri um pouco. Mas agora quero iniciar esse caminho de volta - sabe-se lá pra onde -, feliz, com muitas lampadinhas coloridas na varanda da minha casa e com muito amor. Porque, sem amor, o ponteiro tende a andar para trás. E a estrada que acabo de deixar está enevoada demais para qualquer retrocesso. :)
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