O Janio de Freitas escreveu hoje na Folha que, "se democratizado, o Egito estaria muito mais afinado com Israel do que com as próprias ditaduras árabes". Vejo também em alguns veículos brasileiros e internacionais uma comoção ingênua diante de algo que ainda não temos respostas nem prospectos.
Trocar uma ditadura pelo "poder de um povo" fundamentalista é trocar seis por meia dúzia. Cai em nova ditadura, cai em novo Irã, mantém pra sempre a fragilidade que há no Oriente Médio.
Qual é a agenda islamita? Para que lado da fronteira os militares egípcios vão atirar? Porque não há como ficar no meio-termo: ou se vive em constante tensão com os fundamentalistas ou se une a eles.
Ao mesmo tempo, e aqui entro nesse risco, a nossa tendência ocidental é apelar à narrativa clássica de que, no mundo árabe, só pode haver ou um regime teológico-político ou uma autocracia amistosa, nas palavras de Vladimir Safatle, da mesma Folha de hoje.
Bom, não sei se concordo com o Vladimir, pois acho que a Fraternidade Muçulmana tem muito peso no Egito. Mas tudo ainda é nebuloso. É esperar pra ver.