Alguém tinha que falar pro Gentili um dia que ele não é engraçado. Gostei tanto quando isso aconteceu, aqui no TDUD.
31.1.11
27.1.11
O Discurso do Rei
Vi O Discurso do Rei hoje de tarde. Gostei bastante, mas ainda não sei se prefiro o Rede Social na grande disputa pelos principais prêmios do Oscsr. Por melhor que seja, tem alguns trechos que lembra aquele cinemão americano mais bobo, com momentos e diálogos com clichês do tipo toda a Inglaterra ouvindo o pronunciamento do rei George VI com os olhos marejados.
De todo modo, o filme emociona pra valer, mesmo para quem não é inglês ou não tem noção da importância da realeza no Reino Unido. A sensação que passa é essa: a de que ninguém vai fazer nada, tomar nenhuma decisão, a menor e mais irrelevante possível, sem antes ouvir o que o rei tem a dizer.
O personagem é, claro, o grande destaque: um rei que gagueja sem parar e que teve papel primordial na Segunda Guerra, junto com Churchill, é o tipo de argumento que todo diretor queria.
O filme vai estrear só daqui duas semanas, mas lembrem-se de reparar no olhar do Lionel, que trata da gagueira de George, bem no finalzinho. Não vou comentar aqui o que eu achei, mas, para mim, gerou uma ambiguidade que deu ao filme a força suficiente para atrair a atenção da crítica, com 12 indicações pela Academia.
De todo modo, o filme emociona pra valer, mesmo para quem não é inglês ou não tem noção da importância da realeza no Reino Unido. A sensação que passa é essa: a de que ninguém vai fazer nada, tomar nenhuma decisão, a menor e mais irrelevante possível, sem antes ouvir o que o rei tem a dizer.
O personagem é, claro, o grande destaque: um rei que gagueja sem parar e que teve papel primordial na Segunda Guerra, junto com Churchill, é o tipo de argumento que todo diretor queria.
O filme vai estrear só daqui duas semanas, mas lembrem-se de reparar no olhar do Lionel, que trata da gagueira de George, bem no finalzinho. Não vou comentar aqui o que eu achei, mas, para mim, gerou uma ambiguidade que deu ao filme a força suficiente para atrair a atenção da crítica, com 12 indicações pela Academia.
15.1.11
Home is not a home
This home is not a home without you. It is a house, away from me.
Inside it, we only sleep. Dreaming about your return. About wolves falling down.
Inside it, we only sleep. Dreaming about your return. About wolves falling down.
14.1.11
FAQ e Gulliver
Saiu um texto meu aqui na FAQ Magazine deste mês. Edição 7, de janeiro.
Mesmo que você não goste de mim ou não goste muito do que escrevi lá, vale a pena porque na edição tem outras pessoas legais que escreveram, como o Anthony Tortorici, o Bruno Yutaka Saito, a Dani Arrais, a Luiza Sá (do CSS) e a Rita Wainer. Então não custa dar uma olhada porque de alguma coisa você vai gostar. E a revista, feita pela Juliana Mundim, sempre está muito caprichada. :)
Sugiro a leitura ao som de "Just Like Anyone", da Aimee Mann, aqui embaixo.
E no R7, entrevista com o responsável pela nova tradução do Gulliver. E um especialzinho com muitas curiosidades sobre o livro e o filme. Aqui e aqui.
Mesmo que você não goste de mim ou não goste muito do que escrevi lá, vale a pena porque na edição tem outras pessoas legais que escreveram, como o Anthony Tortorici, o Bruno Yutaka Saito, a Dani Arrais, a Luiza Sá (do CSS) e a Rita Wainer. Então não custa dar uma olhada porque de alguma coisa você vai gostar. E a revista, feita pela Juliana Mundim, sempre está muito caprichada. :)
Sugiro a leitura ao som de "Just Like Anyone", da Aimee Mann, aqui embaixo.
E no R7, entrevista com o responsável pela nova tradução do Gulliver. E um especialzinho com muitas curiosidades sobre o livro e o filme. Aqui e aqui.
13.1.11
Biutiful
Fazia tempo que um filme não me deixava tão atormentado assim. Ao sair da pequena sala de cinema da Paris Filmes, hoje à tarde na av. Pacaembu, voltei pra casa a pé só conseguindo pensar no protagonista de Biutiful, vivido por Javier Bardem.
Ele descobre que tem um câncer incurável e que vai morrer em dois meses. A partir deste momento, ele tenta se redimir de tudo o que fez e faz de errado na vida: tentar reatar com a ex-esposa, tenta ser melhor pai com os dois filhos, tenta melhorar a vida dos empregados chineses que trabalham quase como escravos para a empresa do seu irmão.
Só que. Em vez de ser um filme todo bonitinho que te faz perceber como você pode ser uma pessoa melhor, tudo dá errado. Por inúmeras razões, ele não consegue fazer nada direito e a situação, que já era ruim, só piora. É de se transtornar.
Pelo que entendi, o erro da palavra Biutiful no título do filme é muito simbólico. A palavra que significa e é "bonita" está com um erro, com uma falha. E assim é a Barcelona do filme, horrível, mostrando a periferia da cidade de maneira nua e crua, com moscas, baratas, formigas enormes e terríveis borboletas que ficam atazanando a mente do nosso personagem. Se em algumas poucas e rápidas tomadas não víssemos a capela da Sagrada Família, de Gaudí, bem ao longe e escurecida pelo céu nublado e pelo filtro da câmera, nem daria para perceber que é Barcelona.
Assim é Javier Bardem, um ator bonito (só lembrarmos do recente Comer, Rezar, Amar) que foi completamente "deformado" na produção: temos um homem transformado pela doença. Tudo o que era pra ser (e é mesmo) bonito, não é mais. Digna de menção a cena em que ele está passando por uma ponte local e vê uma revoada de passarinhos no céu. É lindo e, sem dúvida, a cena mais poética do filme. Mas aí passa um caminhão com um barulho enorme e corta a poesia. Voltamos pro chão sujo da ponte e pro olhar perdido e sem esperança de Bardem.
Não sei se é o melhor filme de Iñarritu, o mesmo de Babel, 21 Gramas, Amores Brutos. Mas certamente é a sua produção que mais me marcou. Comentando ali com alguns jornalistas presentes na cabine, o assessor da Paris Filmes disse que é um filme que te deixa sem ar na hora, assim que termina de ver. Mas você só vai chorar mesmo na manhã seguinte. E parece que é bem isso, boa definição.
Veja o trailer:
Ele descobre que tem um câncer incurável e que vai morrer em dois meses. A partir deste momento, ele tenta se redimir de tudo o que fez e faz de errado na vida: tentar reatar com a ex-esposa, tenta ser melhor pai com os dois filhos, tenta melhorar a vida dos empregados chineses que trabalham quase como escravos para a empresa do seu irmão.
Só que. Em vez de ser um filme todo bonitinho que te faz perceber como você pode ser uma pessoa melhor, tudo dá errado. Por inúmeras razões, ele não consegue fazer nada direito e a situação, que já era ruim, só piora. É de se transtornar.
Pelo que entendi, o erro da palavra Biutiful no título do filme é muito simbólico. A palavra que significa e é "bonita" está com um erro, com uma falha. E assim é a Barcelona do filme, horrível, mostrando a periferia da cidade de maneira nua e crua, com moscas, baratas, formigas enormes e terríveis borboletas que ficam atazanando a mente do nosso personagem. Se em algumas poucas e rápidas tomadas não víssemos a capela da Sagrada Família, de Gaudí, bem ao longe e escurecida pelo céu nublado e pelo filtro da câmera, nem daria para perceber que é Barcelona.
Assim é Javier Bardem, um ator bonito (só lembrarmos do recente Comer, Rezar, Amar) que foi completamente "deformado" na produção: temos um homem transformado pela doença. Tudo o que era pra ser (e é mesmo) bonito, não é mais. Digna de menção a cena em que ele está passando por uma ponte local e vê uma revoada de passarinhos no céu. É lindo e, sem dúvida, a cena mais poética do filme. Mas aí passa um caminhão com um barulho enorme e corta a poesia. Voltamos pro chão sujo da ponte e pro olhar perdido e sem esperança de Bardem.
Não sei se é o melhor filme de Iñarritu, o mesmo de Babel, 21 Gramas, Amores Brutos. Mas certamente é a sua produção que mais me marcou. Comentando ali com alguns jornalistas presentes na cabine, o assessor da Paris Filmes disse que é um filme que te deixa sem ar na hora, assim que termina de ver. Mas você só vai chorar mesmo na manhã seguinte. E parece que é bem isso, boa definição.
Veja o trailer:
12.1.11
CLASSE B
Tem um assunto de alguns dias atrás que estou pra comentar no blog, mas ainda não tive tempo. Acho que agora vai.
Li na Folha (impressa), no dia 4 de janeiro, que as empresas admitem ter preconceito com consumidores das classes C e D. Segundo a apuração do jornal, sete em cada dez empresas têm uma resistência maior para atender ao consumidor de baixa renda.
Apenas 20% dos profissionais e executivos das empresas estão abertos a fazer negócios em um mercado que movimenta quase R$ 1 trilhão!
Vale lembrar que a classe C é a que tem renda mensal familiar entre 3 e 10 salários mínimos. Ou seja, mesmo que a renda na sua casa seja de aproximadamente R$ 5 mil mensais, você ainda está nessa classe e é vítima desse preconceito. Mas você não está sozinho: 50% do país pertence à classe C.
Aqui em casa, eu e a Juliana, fazemos parte de um grupo privilegiado e quase surreal da classe B: apenas 10% dos brasileiros ganham entre 10 e 20 salários mínimos. E, mesmo assim, sentimos na pele, e diariamente, a dificuldade que é consumir nesse mercado absurdo.
Não sou economista e não entendo muito disso, mas essas sinalizações todas são preocupantes. Ou estou viajando? Fiquei curioso para saber como são esses números nos Estados Unidos. A Juliana vive me dizendo que sou um pouco fascinado pelo país da Britney Spears, mas certos dados a gente não precisa nem saber: estou certo que nos EUA a lógica não é tão excludente.
Nota mental: pesquisar esses números por lá quando tiver mais tempo na vida. Nota mental 2: um dia voltar a morar lá.
Li na Folha (impressa), no dia 4 de janeiro, que as empresas admitem ter preconceito com consumidores das classes C e D. Segundo a apuração do jornal, sete em cada dez empresas têm uma resistência maior para atender ao consumidor de baixa renda.
Apenas 20% dos profissionais e executivos das empresas estão abertos a fazer negócios em um mercado que movimenta quase R$ 1 trilhão!
Vale lembrar que a classe C é a que tem renda mensal familiar entre 3 e 10 salários mínimos. Ou seja, mesmo que a renda na sua casa seja de aproximadamente R$ 5 mil mensais, você ainda está nessa classe e é vítima desse preconceito. Mas você não está sozinho: 50% do país pertence à classe C.
Aqui em casa, eu e a Juliana, fazemos parte de um grupo privilegiado e quase surreal da classe B: apenas 10% dos brasileiros ganham entre 10 e 20 salários mínimos. E, mesmo assim, sentimos na pele, e diariamente, a dificuldade que é consumir nesse mercado absurdo.
Não sou economista e não entendo muito disso, mas essas sinalizações todas são preocupantes. Ou estou viajando? Fiquei curioso para saber como são esses números nos Estados Unidos. A Juliana vive me dizendo que sou um pouco fascinado pelo país da Britney Spears, mas certos dados a gente não precisa nem saber: estou certo que nos EUA a lógica não é tão excludente.
Nota mental: pesquisar esses números por lá quando tiver mais tempo na vida. Nota mental 2: um dia voltar a morar lá.
Filmes de 2011
Neste ano, já escrevi sobre dois filmes. Um que estreou (Enrolados) e outro que ainda vai estrear (Zé Colmeia). Um é o oposto do outro: enquanto Enrolados é uma animação cheia de vida, música e momentos emocionantes, Zé Colmeia é muito fraco, não passa nada, não emociona.
Os textos saíram pelo R7, da Record, onde trabalho, cuidando do canal de Cinema.
Enrolados mostra Rapunzel de ponta-cabeça
Zé Colmeia promete ação e emoção, mas diverte pouco
Que 2011 seja de muitos filmes como Enrolados! Na sexta, sai um especial sobre Gulliver (livro e filme). :)
Os textos saíram pelo R7, da Record, onde trabalho, cuidando do canal de Cinema.
Enrolados mostra Rapunzel de ponta-cabeça
Zé Colmeia promete ação e emoção, mas diverte pouco
Que 2011 seja de muitos filmes como Enrolados! Na sexta, sai um especial sobre Gulliver (livro e filme). :)
Juliana na Vipassana
Último sms que a Juliana mandou ao chegar lá no retiro espiritual Vipassana no RJ: "Pleidianos, povo das pirâmides, abrir o canal, absorvente de pano".
Um pouco de medo.
Um pouco de medo.
3.1.11
Humor israelense
É mais ou menos assim mesmo. A melhor parte é:
- Aqui está Israel, esse pedacinho bem pequeno de terra no meio do Oriente Médio. E o resto do mundo, como é que chamamos?
- Antissemitas.
:)
- Aqui está Israel, esse pedacinho bem pequeno de terra no meio do Oriente Médio. E o resto do mundo, como é que chamamos?
- Antissemitas.
:)
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