Talvez as contas estejam um pouco erradas, mas, se sim, só um pouco mais pra cima ou pra baixo. Foram 125 filmes no ano. Acho que nunca tinha visto tanto em minha vida em um único ano. Dá mais ou menos um filme a cada três dias.
A maioria deles veio tudo da locadora. Os lançamentos do ano, no cinema, vimos também, mas privilegiamos apenas os grandes destaques, os bons de verdade. Claro que, depois que entrei no meu novo trabalho e passei a ver mais no cinema (entre uma cabine e outra), passei a ir mais à sala de cinema, o que, para mim, é uma alegria.
Dentre os que alugamos na locadora, que fica, detalhe, na nossa rua, os melhores pra mim foram os de Eric Rohmer, como os contos das quatro estações, O Raio Verde e O Joelho de Claire. Vale lembrar que ganhamos uma caixinha muito chique com alguns DVDs do diretor francês, que morreu no comecinho do ano.
Mas outros filmes inesquecíveis vistos (ou revistos) em casa também foram As Loucuras de Dick & Jane (com Jim Carrey, uma das melhores comédias de todos os tempos), O Grande Lebowski (um dos melhores dos irmãos Coen), A Lula e a Baleia (visto pela centésima vez, um dos filmes que mais falam pra mim e sobre mim), Kramer vs. Kramer, O Guia do Mochileiro das Galáxias (que eu não conhecia e até subestimava um pouco, até a Juliana me apresentar devidamente), Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (essa, sim, a melhor comédia de todos os tempos), Depois de Horas (Scorsese aloprando em uma noite em Nova York).
Foi o ano também de Twin Peaks. A série de David Lynch de 1990/91 foi sucesso aqui em casa. Vimos inteirinho o drama do agente Cooper tentando desvendar quem matou Laura Palmer. Eu lembro de ter visto, ainda nos mesmos anos 90, na Record, mas não acompanhei decentemente, então agora foi a vez de eu saldar essa dívida. Personagens como o xerife Truman, a recepcionista loki Lucy e Leland, pai de Laura, conhecido por suas danças e cantorias nos momentos mais inoportunos, todos eles entraram para o meu ano. Com um atraso de, er, 20 anos, mas tudo bem. Eu só tinha 9 quando a séria foi lançada. Estou perdoado.
No cinema, os meus dois filmes do ano foram Um Homem Sério e Enrolados. O engraçado é que nenhum dos dois pode ser cosiderado bem de 2010. A produção dos irmãos Coen é de 2009 e chegou ao Brasil com atraso; e a 50a animação da Disney só chega ao Brasil na primeira semana de janeiro de 2011 - é que eu vi antes, a convite da Disney, na Califórnia, no que eu considero o meu fim de semana mais legal de toda a minha vida até hoje (e sobre o qual postei aqui em um post da época, em outubro).
Um Homem Sério eu vi umas três, quatro vezes. E ganhei o DVD de amigo secreto e tudo. A história de Larry Gopnik, um judeu de meia idade na Minnesota de 1967, pode ser a mesma de muitos judeus pelo mundo afora. O filme retrata os principais conflitos dentro da comunidade judaica, do que é ser judeu, de como nos devemos nos comportar e do grande mistério que é D'us. E, principalmente, como esse mistério, de tão, er, misterioso, é tratado pelos judeus. "Aceite o mistério" é a frase do filme.
Já Enrolados conta a história de uma Rapunzel bem diferente daquela que conhecemos dos livros e dos contos de fadas. O filme é todo muito caprichado e, pelas entrevistas que eu fiz lá com a equipe de produção e com os animadores, a responsabilidade era muito grande. A Disney apostou tudo nele e queria algo realmente especial para comemorar as suas 50 animações. Para mim, é, sem exagero, um dos melhores já feitos pelo estúdio. Assistam, em 3D, em janeiro. E leiam o que eu escrevi sobre ele no R7. Só dar um Google com o meu nome e Enrolados. :)
Outros grandes filmes do ano, no cinema, foram Onde Vivem os Monstros, Amor sem Escalas, A Ilha do Medo, O Escritor Fantasma, Harry Potter, Tropa de Elite 2, Scott Pilgrim e A Rede Social. Claro que muitos dos que vi no cinema são de 2009 lá nos EUA, como o Amor sem Escalas.
Decepções: Alice no País das Maravilhas. A Estrada.
E até o ano que vem.
31.12.10
24.12.10
+ Natal
Só pra quebrar o clima um pouco melancólico do post anterior, segue uma imagem de Natal que faz a gente acreditar num mundo mais feliz. Sem guerras em Gaza. Sem fuzuê na fila do INSS. Sem pastinha na mão pra gente fingir que é sério.
We S2 you, Susana.
We S2 you, Susana.
Natal de 2010
Nunca comemorei o Natal em toda a minha vida. Não sou do tipo "do contra" -- acho legal qualquer tipo de feriado, religioso ou não. É que, por minha família nunca ter guardado a data, sempre ficou essa sensação de "o que eu devo fazer?".
Hoje seria o primeiro dia que eu comemoraria um pouco de verdade. Na verdade, até já fui na casa da tia na infância (que tentava, meio sem saber como também, lembrar a data) e também já fui na casa do meu melhor amigo em anos anteriores. Em Nova York, quando morei por lá em 2007, passei com dois amigos em um diner. Mas de verdade mesmo, seria hoje, com comida especial, com o cachorro com chapeuzinho de festa e com a Juliana.
Ganhei, por uma espécie de intervenção divina, até a folga hoje na Record. Em teoria, eu trabalharia todos os dias, até domingo, mas me deram uma folga hoje (volto amanhã, sábado). Ontem de noite assistimos a um filme do John Hughes (Clube dos Cinco) e estava tudo perfeito até a Juliana ter tido a notícia, hoje de manhã, que a avó havia morrido nesta manhã. Lá em Salvador.
Claro, ela foi pra Salvador às pressas, como eu também teria feito se um parente meu próximo, que morasse em outra cidade, morresse. Fiquei com muita dó dela, que estava com tantas expectativas para esse nosso primeiro Natal "de verdade". Tínhamos comprado até vinho e pedido comida especial de Natal.
Agora estou aqui sozinho, com o Lobo deitado no sofá com um olhar do tipo "o que vamos fazer agora?". Não sei o que responder a ele. Na TV, está passando Bob Esponja, que não sei se encaro como humor negro ou outra tentativa divina pra me animar. Não pelo Natal em si, que, como disse, nunca significou nada pra mim, mas pela data especial que seria para a Juliana e para nós dois (três, com o Lobo).
No comecinho do livro David Copperfield, do Charles Dickens, tem uma parte com a qual me identifico que diz o seguinte:
"In consideration of the day and hour of my birth, it was declared by the nurse, [...] that, first, I was destined to be unlucky in life; and, secondly, that I was privileged to see ghosts and spirits; both these gifts inevitably attaching, as they believed, to all unlucky infants of either gender, born towards the small hours on a Friday night."
Azarado e atormentado por visões fantasmagóricas do passado, de Natais nunca comemorados e de momentos sempre tão solitários.
Dickens, que foi quem inventou a palavra "boredom", hoje, mais uma vez, vai ser a minha companhia.
ps: esclareço que estou muito mais triste pela Juliana, que perdeu a avó nessa data tão importante pra ela, do que por mim mesmo, que já estou acostumado com revertérios dos deuses.
Hoje seria o primeiro dia que eu comemoraria um pouco de verdade. Na verdade, até já fui na casa da tia na infância (que tentava, meio sem saber como também, lembrar a data) e também já fui na casa do meu melhor amigo em anos anteriores. Em Nova York, quando morei por lá em 2007, passei com dois amigos em um diner. Mas de verdade mesmo, seria hoje, com comida especial, com o cachorro com chapeuzinho de festa e com a Juliana.
Ganhei, por uma espécie de intervenção divina, até a folga hoje na Record. Em teoria, eu trabalharia todos os dias, até domingo, mas me deram uma folga hoje (volto amanhã, sábado). Ontem de noite assistimos a um filme do John Hughes (Clube dos Cinco) e estava tudo perfeito até a Juliana ter tido a notícia, hoje de manhã, que a avó havia morrido nesta manhã. Lá em Salvador.
Claro, ela foi pra Salvador às pressas, como eu também teria feito se um parente meu próximo, que morasse em outra cidade, morresse. Fiquei com muita dó dela, que estava com tantas expectativas para esse nosso primeiro Natal "de verdade". Tínhamos comprado até vinho e pedido comida especial de Natal.
Agora estou aqui sozinho, com o Lobo deitado no sofá com um olhar do tipo "o que vamos fazer agora?". Não sei o que responder a ele. Na TV, está passando Bob Esponja, que não sei se encaro como humor negro ou outra tentativa divina pra me animar. Não pelo Natal em si, que, como disse, nunca significou nada pra mim, mas pela data especial que seria para a Juliana e para nós dois (três, com o Lobo).
No comecinho do livro David Copperfield, do Charles Dickens, tem uma parte com a qual me identifico que diz o seguinte:
"In consideration of the day and hour of my birth, it was declared by the nurse, [...] that, first, I was destined to be unlucky in life; and, secondly, that I was privileged to see ghosts and spirits; both these gifts inevitably attaching, as they believed, to all unlucky infants of either gender, born towards the small hours on a Friday night."
Azarado e atormentado por visões fantasmagóricas do passado, de Natais nunca comemorados e de momentos sempre tão solitários.
Dickens, que foi quem inventou a palavra "boredom", hoje, mais uma vez, vai ser a minha companhia.
ps: esclareço que estou muito mais triste pela Juliana, que perdeu a avó nessa data tão importante pra ela, do que por mim mesmo, que já estou acostumado com revertérios dos deuses.
19.12.10
Loneliness
Hoje eu li uma frase que me pegou.
Loneliness is not having someone to pick you up at the airport.
(been there, done that, my case)
Loneliness is not having someone to pick you up at the airport.
(been there, done that, my case)
10.12.10
Believer
Uma vez, quando morava ainda em NYC, eu fiquei a um passinho da morte. E, hoje, pela segunda vez na vida, eu senti a mesma coisa.
Foi um total de 16 comprimidos em menos de 24h. Ausência no trabalho, ainda mais em um dia que é sempre mais atarefado: sexta. Acabei dando e deixando trabalho pros outros. E pra Juliana em casa, que cuidou de mim, como sempre faz em minhas crises.
Não posso mais me dar ao luxo do ateísmo. Não sei ainda também o que farei de minha religiosidade, mas vou me aproximar mais de D'us e não falarei mais mal dele.
Escrevo isto aqui e publico como prova factual do dia que Thiago Blumenthal mudou de vida.
Foi um total de 16 comprimidos em menos de 24h. Ausência no trabalho, ainda mais em um dia que é sempre mais atarefado: sexta. Acabei dando e deixando trabalho pros outros. E pra Juliana em casa, que cuidou de mim, como sempre faz em minhas crises.
Não posso mais me dar ao luxo do ateísmo. Não sei ainda também o que farei de minha religiosidade, mas vou me aproximar mais de D'us e não falarei mais mal dele.
Escrevo isto aqui e publico como prova factual do dia que Thiago Blumenthal mudou de vida.
8.12.10
iPad
Comprei, com certo atraso, um iPad. Me dei de presente de fim de ano. O capitalismo faz parecer que "eu mereço".
Quando sexta chegar e me trouxer o brinquedo, tudo indica que minha vida vai ficar ainda mais consumida pela internet. Vou ficar viciado?
O tempo dirá...
Quando sexta chegar e me trouxer o brinquedo, tudo indica que minha vida vai ficar ainda mais consumida pela internet. Vou ficar viciado?
O tempo dirá...
3.12.10
Just like anyone
A música é curtinha, mas é a minha preferida da Aimee Mann. Chama "Just like anyone".
Hoje cheguei em casa e o Lobinho não estava em casa. A gente o deixou num hotelzinho, que fica em Atibaia. Foi onde ele nasceu na verdade, então deve reencontrar sua família, se jogar na piscina (que tem lá!) e aproveitar. Abaixo, foto da malinha de viagem dele e também dele mesmo. Até segunda, Palito! :)
Hoje cheguei em casa e o Lobinho não estava em casa. A gente o deixou num hotelzinho, que fica em Atibaia. Foi onde ele nasceu na verdade, então deve reencontrar sua família, se jogar na piscina (que tem lá!) e aproveitar. Abaixo, foto da malinha de viagem dele e também dele mesmo. Até segunda, Palito! :)
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