26.11.10

Violência no Rio

Sei que o clima não é para humor, mas essa imagem que vi nesta semana cria um efeito de humor involuntário com o timing mais perfeito do mundo. Desculpa.

My name is Alex Portnoy

Tenho até vergonha dos meus hábitos recentes, especialmente os de leitura. Sabe, nunca fui daquele time "apague a TV e vá ler um livro". Na verdade, eu penso que quem fala esse tipo de coisa é aquela turma intelectualoide que gosta de teatro. Porque quem gosta de ler mesmo não tem essa necessidade de ficar falando o quanto ler é bom, o quanto você devia ler tal livro. Claro, isso só vale pras pessoas legais que leem, afinal, tem muito leitor de metrô que fica usando esse discurso governamental (tipo campanha de Pelé na TV) pra pagar de culto. Não dá pra levar a sério esses.

No entanto, fato é que eu parei de ler. Já comentei isso em um post de muito tempo atrás e tentei justificar a debandada aos novos hábitos de "casado", ao Playstation 3, que monopoliza também as horas de folga e lazer em casa, e, especialmente, à internet.

Quando falo que não leio mais me refiro, claro, à ficção, a livros mesmo. Dostoiévski, Machado de Assis, Dante. Esses daí que todo mundo conhece como "literatura". Porque ler, o ato de ler mesmo, talvez até tenha se intensificado com o passar dos anos. Mas troquei os livros pelos jornais, sejam os impressos ou o online. Vale também pra entretenimento, blogs e afins.

A qualidade de minha leitura caiu? Claro que sim. Porque, por mais que eu leia religiosamente os textos do Marcelo Coelho, o colunista da Folha de S.Paulo não é um F. Scott Fitzgerald. Entendam, nem eu quero que seja nem o Coelho tem essa pretensão. Mas, por melhores e mais inteligentes que sejam os seus textos, eu aprendi muito mais ao ter lido, de uma vez só (em uns dois meses?) os romances The Great Gatsby, Tender is the Night e o This Side of Paradise. Aprendi e gostei muito mais.

Mas foi a vida que quis assim e me distanciou um pouco da literatura, desde o fim do meu mestrado, época em que o Franz Kafka era a minha companhia diária, e desde todos os projetos iniciais do doutorado, em que a autora americana Carson McCullers e a presença física e real, apesar de inconstante e doente, do professor Harold Bloom, ficavam ali acompanhando o meu dia a dia pelos metrôs da linha F e 4 da confusa malha metroviária de Nova York.

Hoje me dedico integralmente ao jornalismo e, dentro deste, ao mundo do cinema. Portanto, o meu dia de leituras se resume a sites de cinema estrangeiros e a todos os veículos de cultura brasileiros (da Ilustrada a essas revistas moderninhas, como Piauí). Não posso dizer que não gosto, mas sinto uma falta de ter um pouquinho mais de ficção, de mentira, de sonhos na minha vida.

Quando li David Copperfield, me arrepiei com as palavras iniciais do romance e logo me identifiquei. Que, "se eu vou virar ou não o herói de minha própria vida, essas páginas adiante que vão mostrar". Ou quando li Gulliver pela primeira vez na edição original do Jonathan Swift (sem adaptações) e depois ficava sonhando com aquelas viagens todas, tão legais e tão próximas! Ou os livrinhos com histórias-b de piratas que minha mãe comprava.

Se tenho uma promessa pra 2011? Não sou dessas coisas, mas agora vou ter. Vou voltar a ler, nem que pra isso eu precise dormir ainda menos horas do que já habitualmente durmo. E meu 2011 começou já nesse mês de novembro, quando voltei a ter o hábito de ler toda noite, antes de dormir. Minha escolha inicial pra marcar essa nova fase: Portnoy's Complaint, um livro que já li três vezes e, por falar tanto pra mim e de mim, não podia ser melhor representante.

My name is Alex Portnoy. Segue um trechinho.

Doctor, I can't stand any more being frightened like this over nothing! Bless me with manhood! Make me brave! Make me strong! Make me whole! Enough being a nice Jewish boy publicly pleasing my parents when privately pulling my putz! Enough!

Enough mesmo. :)

10.11.10

Depois de 26, quatro

Contando só mais um dia pra minha folga de quatro dias, depois de 26 ininterruptos! Record, sheyne reyne kapores.


Para comemorar, Casbah com Clash. 


E um link: os piores presentes de todos os tempos





ps: o vídeo é péssimo, com as letras passando e essa fonte. Mas fechem os olhos e fiquem com a música, ok?

Wagner Moura e o casamento

Sei que perdi o timing pra comentar dessa entrevista pra Rolling Stone, mas gostei quando o Wagner Moura disse que o casamento, hoje, é muito moderno. E que nada mais obriga duas pessoas a estarem juntas que não o amor.


Acho que é bem isso mesmo. Hoje é. 

8.11.10

The news cycle

Assim. A New Yorker que diz. Amanhã vou num congresso de jornalismo online e novas mídias e vou perguntar se é isso mesmo. :)

4.11.10

Melhor música do ano?

Será que essa "I Saw the Light" do Spoon é a melhor música do ano? Faltam só dois meses pra isso se confirmar.

3.11.10

Do céu ao inferno em uma semana

PARAÍSO




Há duas semanas eu fui convidado pela Disney a acompanhar a junket do filme "Tangled" ("Enrolados" no Brasil). Trata-se da 50a animação dos estúdios do Mickey e conta a história da Rapunzel, a loirinha de cabelos longos, infinitos, que vive presa em sua torre.

Passei um fim de semana inteiro lá. Assisti ao filme em primeira mão (só chega aqui no Brasil em janeiro / nos EUA, em dezembro), vi 20 minutos inéditos de Tron, entrevistei a equipe toda, participei de mesas redondas.

Nunca tinha entrado em uma limousine antes. E do aeroporto LAX, em Los Angeles, pro hotel, dentro do complexo Disney, eu vim de limo. Na volta a mesma coisa. Fiquei emocionado. Eu, que sou ateu, passei a acreditar em um novo deus: Walt Disney.

Sem contar tudo o que eles pagaram (não usei nada do dinheiro da Record) e os presentes todos. Realmente foi uma experiência inesquecível, quase impossível de ser relatada aqui.

Os resultados disso tudo vocês podem ver: (1) na resenha que fiz pro R7 sobre o filme aqui; (2) nas fotos que coloquei no Facebook.

De novo: Walt Disney is God.


INFERNO



Na semana seguinte, era segundo turno aqui no Brasil. Dilma X Serra. E o que eu fiz? Trabalhei. Mesário? Não, foi-se o tempo em que eu era mesário. Fui cobrir nas zonas leste e norte o movimento das escolas. Cidade Tiradentes, São Mateus, Itaquera, Vila Medeiros e de lá pra ZN. 5h da manhã de domingo e lá eu ia pra Record pegar câmera, laptop e encontrar o fiel e paciente motorista que me levaria ao oposto do que eu tinha vivido na semana anterior.

Mas foi legal, não nego. Minha experiência como repórter de Cotidiano foi bastante prazerosa, entrei em contato com a multidão, saí empurrando uns e outros pra baixo dos círculos do inferno. E sobrevivi, com uma mala pesada nas costas e muita história pra contar.

Os resultados podem ser vistos em reportagens como esta e esta aqui.

Fiz o caminho contrário de Dante Alighieri. Ele, que com a ajuda de Virgílio, sai do inferno e do purgatório para chegar ao paraíso e então ser guiado pelas mãos de Beatrice, eu fiz tudo errado, tudo pra trás. Talvez seja isso o que chamam de "condição do homem moderno".

Chupa, Ulysses. Chupa, Joyce.