31.5.10

|extreme solitude|

Roland Barthes e seus "Fragmentos de um Discurso Amoroso", magnólias, New Criticism, sexo, Fellini, ficção romântica do século 19, aulas de semiótica, amor. Tudo isso no conto que o Jeffrey Eugenides escreveu pra New Yorker. Aqui.

Trecho:


The more she thought about it, the more Madeleine understood that extreme solitude didn’t only describe the way she was feeling about Leonard. It explained how she’d always felt when she was in love. It explained what love was like and, just maybe, what was wrong with it.
Here the telephone rang.
Madeleine dog-eared the page she was reading. She waited as long as she could (three rings) before answering.
Leonard said hello.
“Oh, hi,” Madeleine said. “I thought you might be my father. He’s freaking out about graduation already.”
“I was just having a little freakout myself.”
“About what?”
“About calling you.”

This was good. Madeleine ran a finger along her lower lip. She said, “Have you calmed down or do you want to call back later?”
“I’m resting comfortably now, thank you.”
Madeleine waited for more. None came. “Are you calling for a reason?” she asked.
“Yes. That Fellini film? I was hoping you might, if you’re not too, I know it’s bad manners calling so late, but I was at the lab.”
“I don’t think that was a complete sentence,” she said.
“What did I leave out?” Leonard asked.
“How about ‘Would you like to come with me?’ ”
“I’d love to,” Leonard said.
Madeleine frowned into the receiver. She had a feeling Leonard had set up this exchange, like a chess player thinking eight moves ahead. She was going to say goodbye when Leonard said, “Sorry. Not funny.” He cleared his throat. “Listen, would you like to go to the movies with me?”
She didn’t answer right away. He deserved a little punishment. And so she put the screws to him––for another three seconds.
“I’d love to.”
And there it was already, that word. She wondered if Leonard had noticed. She wondered what it meant that she had noticed. It was just a word, after all. A way of speaking.
So Madeleine believed, anyway, until she went home with Leonard the next night and stayed for three days.

|your ex-lover is dead|

Como falei em "música de fim de relacionamento" no post anterior, agora vai a melhor de todos os tempos nesse tema. É a "Your Ex-Lover is Dead", do Stars.

It's nothing but time and a face that you lose
I chose to feel it and you couldn't choose
I'll write you a postcard, I'll send you the news
From a house down the road from real love

There's one thing I want to say, so I'll be brave
You were what I wanted, I gave what I gave
I'm not sorry I met you, I'm not sorry it's over
I'm not sorry there's nothing to save



|rilo kiley|

Muita gente fala hoje na dupla She & Him, composta pela atriz Zooey Deschanel e pelo guitarrista M. Ward. Eles são mesmo legais, gostei muito do primeiro disco, mas ainda não ouvi o segundo inteiro, só algumas faixas (que gostei). Mas me lembrei de uma banda mais ou menos antiga com história tão adorável quanto a dupla. É o Rilo Kiley.

A garotinha Jenny Lewis era atriz-mirim, à la Britney Spears e Menina Maísa. Era a neta da Lucy, no seriado "I Love Lucy". Depois disso, fez alguns outros shows no Disney Channel e alguns filmes infantis também. Montou o Rilo Kiley com o seu amigo (também ex-talento-mirim) Blake Sennett. O estilo power-pop bem feito, com letras tanto para meninas como para meninos, fez com que o grupo alcançasse um relativo sucesso na virada dos anos 90 para os 2000.

Aqui fica uma música sobre fim de relacionamento (uma das melhores da temática aliás) chamada "Breakin' Up". É ao vivo, mas o som é bom. E, apesar de muitos gritos de menina na plateia, reitero que a banda tem muitos fãs meninos que não são gays, como eu. Muito, talvez, por causa do carisma da Jenny Lewis. :)

30.5.10

|tesouros do meu google reader|

No meu Google Reader sempre vou marcando com estrelinhas algumas notícias e posts especiais que vou gostar de ler depois, ou mesmo reler muitas vezes. São verdadeiros tesouros: notícias impressionantes, notícias engraçadas, curiosidades, imagens bonitas, pensamentos dignos de reprodução futura.

Hoje decido compartilhar com vocês alguns desses tesouros, que venho colecionando há uns dois anos. Vamos lá. E se preparem que o post pode ficar gigantesco (reitero que não vou colocar tudo o que gostaria e talvez eu vá dividindo em posts com o tempo)

(1) Capas muito bonitas, reinterpretadas por Mikey Burton. Algumas imagens:






(2) Nunca tinha visto essa foto do Mick Jagger. Reparem na maçã.


(3) Poema "Trust", do Thomas R. Smith.

It's like so many other things in life
to which you must say no or
So you take your car to the new mechanic.
Sometimes the best thing to do is trust.

The package left with the disreputable-looking
clerk, the check gulped by the night deposit,
the envelope passed by dozens of strangers—
all show up at their intended destinations.

The theft that could have happened doesn't.
Wind finally gets where it was going
through the snowy trees, and the river, even
when frozen, arrives at the right place.

And sometimes you sense how faithfully your life
is delivered, even though you can’t read the address.

(4) Dude chamou uns amigos pra destroçar com a raposa que perturbava o galinheiro. Não deu outra, rolou até ajuda das galinhas, que "nocauteram a raposa com uma mesa". Do G1, em março desse ano.



(5) Pedi essa pizza. Não aguentei e tirei uma foto da caixa. Não aguentei e mostrei pro Marcelo Coelho.



(6) Boa discussão no "The New York Times" sobre "the post-text world". Aqui começa o futuro. Mesmo.

Since written language is merely a technology for storing and transferring information, it’s likely to be replaced by a newer technology that performs the same function more effectively, a futurist says.

(7) Daqui a pouco é dia dos namorados aqui no Brasil e, em fevereiro (Valentine's Day lá), a New Yorker publicou em seu site algumas capas especiais bem românticas. Aqui.


(8) Anatidaefobia é o medo de ser observado ou perseguido por patos. Learn something everyday.

(9) Outra boa composição.



(10) O livro "The Stupids Die". Merece. Aqui nesse blog.


(11) O olhar de Jack Nicholson.


(12) Kramer entra pela porta.

28.5.10

|ciência|

Há mais ou menos uns 2500 anos, dois povos da Antiguidade, inimigos que guerreavam, pararam de lutar quando observaram um estranho fenômeno vindo dos céus. Era um eclipse solar. Certamente havia ali um sinal dos deuses de que era preciso parar a batalha. E assim fizeram.

E sugeriu-se que todo dia 28 de maio, que foi o dia do eclipse, seria comemorado o Dia da Ciência.

Hoje não sei mais o que é ciência. Se Tales de Mileto existisse hoje, talvez se decepcionasse com a quantidade de crenças, crendices e outras besteiras que ganham o diploma de Ciência. Basta um fenômeno ser observável para que ele tenha sim uma causa física. Mas o que as pessoas chamam de fenômenos hoje e o que elas chamam de "observáveis", isso mudou muito.

Enfim, feliz Dia da Ciência pra todo mundo, cientistas e não cientistas. Aliás, gosto do termo "cientista". Sempre vinculei o nome àquela imagem do cientista maluco. Mas quando me vi como cientista no meu mestrado (er, será que eu fazia ciência ao estudar Kafka?) o meu mundo veio abaixo. Era mais uma ilusão da infância, da vida, de tudo.

27.5.10

|no news, good news|

Hoje tive uma notícia muito boa: novos rumos profissionais se concretizaram. Não posso contar agora, mas, agora que criei laços afetivos com esse blog, não consigo mais deixar de encará-lo como quase um diário.

Fica o vídeo do Mick Jagger de comemoração.

25.5.10

|sashimi|

Quando eu decidi ir até a loja de peixinhos que tem aqui na rua, dezembro passado, era uma surpresa pra Juliana. Já havíamos conversado sobre termos um peixe em casa, até para cobrir a falta que fazia um animal de estimação, mas ela, que na época estava passando o Natal em Salvador com a família, não sabia que, quando chegasse, já estaria o Sashimi por aqui.



Ele, de vez em quando, parecia nos observar. Em outros momentos, ficava quietinho no canto dele, sob a claridade que vinha da porta que dá pra varanda.

O Palito, nosso whippet que pegamos há quase dois meses, parecia entender o meu olhar de tristeza quando saí da cama hoje e vi que o Sashimi estava morto, deitadinho num canto do aquário (há uns dias ele já não comia e estava jururu, mas hoje que amanheceu "dormindo" mesmo). O Palito é um cachorro que, apesar de muito esperto, não entende nada de peixe e sequer sabia que tínhamos um outro ser vivo em casa. Mas captou o momento de luto, pois, quando fui levar o Sashimi pra cozinha, limpar o aquário dele e pensar no que faria com o seu corpo (até agora dentro de um copo cheio d'água -- não sei o que fazer com ele, queria preservar a sua memória com um desfecho bonito, mas o quê?), bem, o Palito não me acompanhou até lá, como costuma fazer, mas foi pra sua manta na sala e ficou ali me esperando, me olhando de longe.

De tudo o que me causa mais preocupação na vida, a morte está em primeiro lugar. Não me refiro apenas à minha morte (a morte para um ateu é mais temida, mais dolorosa), mas à morte daqueles que são próximos a mim. A minha mãe, meu irmão, minha família. A namorada, os amigos antigos. O gato José da minha mãe, o Palito. O Sashimi que se foi hoje. Tudo o que é especial devia durar para sempre, esse seria meu decreto, fosse eu rei do mundo.

O Woody Allen fez uma declaração recente que assino embaixo: "Morte? Sou contra".

24.5.10

|instituição|


Registro em Pinheiros na semana passada. Pra mim, devia ter a frase provocativa no meio dos rabiscos: "INSTITUIÇÃO É A PQP". :)

|palito e star wars|

Eu sempre olhava pro Palito, quando ele tentava arrancar algum brinquedo da nossa mão, e tentava desvendar algum tipo de referência pop.

Claro, o Palito, quando ataca o brinquedo, se parece com um AT-AT Walker, da saga "Star Wars". Desculpem-me o momento nerd, mas foi inevitável. Segue o registro para devidos reconhecimento e identificação.




Percebam que não só nos momentos de fúria. Mas também nos momentos de descanso e ternura:

|reconhecimento|

Da última New Yorker.


"Em reconhecimento aos seus muitos anos de trabalho, gostaríamos de lhe oferecer um salário."

23.5.10

|destiny|



Talvez um dos melhores diálogos de todas as seis temporadas do "Lost", que termina hoje, seja esse:

JOHN LOCKE
I'm sorry those things happened to you, Ben.

BENJAMIN LINUS
Those things had to happen to me. That was my destiny. But you'll understand soon enough that there are consequences to being chosen. Because destiny, John... is a fickle bitch.

Está na quarta temporada, episódio 11 "Cabin Fever". Destiny is a fickle bitch. Ou seja, o destino é uma vadia inconstante (tradução oficial da AXN).

A frase diz muito sobre um dos temas-chave do seriado e creio que o final, muito aguardado por mim há seis anos, vai girar em torno da questão do destino de cada personagem, das escolhas que são feitas, e como isso altera a rota de tudo: da ilha e, por extensão, do mundo.

Pode parecer banal, simplório, para quem não acompanha a série desde o seu início. Mas não é, acreditem. "Lost" foi um seriado especial, acho que um dos melhores que acompanhei na minha vida. Gosto muito do "Seinfeld", claro, mas como humor. "Lost", por mais que desprezem por aí, é incomparável a qualquer outro seriado já feito e ainda por fazer.

Torço para que deem um final merecido ao personagem Ben Linus, o meu preferido, o autor da frase que comentei acima. Os criadores já deram uma dica, em entrevistas aqui e ali: "Ben is creepy".

Expectativa total.

22.5.10

|cold war kids|

O nome da banda é muito bom. Cold War Kids. Gosto deles desde o hit "Hang me up to Dry", que tinha um clipe espetacular (vocês podem ver direto no Youtube, pois não é permitido incorporá-lo aqui no blog). E o ano passado eles vieram com outra música com clipe de igual bom gosto. É o single "Audience" que, esse sim, vocês podem ver por aqui mesmo.



E bom fim de semana.

ps: acho a estética desse clipe a cara do Anthony Minghella (o do Ripley).

21.5.10

|woody, mia e soon-yi|

Achei essa entrevista muito boa na revista Time com o Woody Allen em 1992, logo depois do escândalo envolvendo o seu relacionamento com Soon-Yi.

Esse trecho merece destaque:

Q. What's your emotional bond, since it's not intellectual?
A. It's fully dimensional. I would not be interested in someone who's not interesting.

Q. Do you consider it a healthy, equal relationship?
A. Well, who knows? It's perfectly healthy. But I don't think equal is necessarily a desideratum. Sometimes equality in a relationship is great, sometimes inequality makes it work. But it's an equal-opportunity relationship. I mean, I'm not equal to her in certain ways.

The heart wants what it wants. There's no logic to those things. You meet someone and you fall in love and that's that.

|we are alone|

Um dos meus primeiros choques com a realidade, um dos primeiros confrontos com o que era a vida e o mundo real foi, no meio de uma madrugada, quando acordei meu irmão, falando meio extasiado: "Você viu o que aconteceu? O que foi aquilo? Onde estávamos? Por que a gente corria para longe da mãe?".

Eu era pequeno, entre 5 e 10 anos, não lembro direito. Era um sonho, o meu primeiro sonho – ou pelo menos, o primeiro que de fato lembrei ou o primeiro que motivou essa manifestação de surpresa – e o meu irmão, sem entender nada, falou que não fazia ideia do que eu estava falando. Virou para o lado em sua cama e recomendou que eu voltasse a dormir. Que era apenas um "pesadelo".

O pesadelo mesmo foi saber que ninguém compartilhava dos meus sonhos. Todas as pessoas que ali apareciam não existiam ali naquela "vida" e, medo maior, eu estava sozinho. Acredito que o sonho seja uma das primeiras experiências da criança que, quando em contato com a realidade, ela percebe que está sozinha no mundo. Que se trata de uma fantasia, de um aglomerado de memórias mal conectadas pelo nosso cérebro.

E talvez a vida seja isso: um punhado de memórias que nosso cérebro não consegue conectar. E que estamos sozinhos no meio delas.

ps: apesar do tom meio sério ou triste do post, acordei hoje muito feliz. :)
ps2: não sei o que o Freud diz a respeito desse primeiro confronto do sonho com a realidade; também não sei se há algum teórico que observe esse fenômeno; por fim, nem sei se é tão pesado ou traumático assim como foi comigo.

18.5.10

|it was a dark and stormy night|

It was a dark and stormy night. And I am staring at some few confused sentences. Still. Writer's block. It's 9 am. Let's go, Snoopy. :(

|collor, we miss you|

Falavam mal do Collor. Tiraram o nosso presidente mais galã do mundo no impeachment. No fundo, sempre desconfiei de que o mau gosto dos "caras-pintadas" perduraria por muitos e muitos anos.


Voto nulo! Por um pouco de decência estética no poder.

17.5.10

História genial da New Yorker que o vulcão na Islândia atua como elemento conciliador no final. Muito bonito. Um trilhão de vezes bonito.

Seguem alguns trechos que, espero, não tirem nem a surpresa nem empobreçam a história que merece ser lida na íntegra aqui.

—Good night, Mick.
—Go a bit mad.
—Thanks.
—You asked.
—How?
—How what?
—How would I go mad?
—Wife swapping.
—I’d need a wife.
—True.
—Good night, Mick.

[...]

They all sat in front of the telly and watched the Icelandic volcano erupting.—Amazing.
They looked at the cloud as it grew and curled.
—It’s all ash, he told them.
—What’s ash?
Erica’s question—it was one of those brilliant moments. Kevin and Ciara looked at each other. They smiled. There were no coal fires in the house and neither of them had ever smoked. The cooker was electric. Nothing was ever burned. There was no real religion, at home or in school, so Erica had never noticed the gray thumbprints on Ash Wednesday, on the foreheads of the old and the Polish. A child like Erica could get this far without knowing what ash was, until she saw it spewing from a mountain.
—It’s like dust, he said. Burnt.
—What burnt?
—Stone, I think. I’m not sure.
—Stone?
—I think so.
—You, like, can’t burn stone.
—If it’s hot enough, you can. Lava.
—It’s scary.
—It’s only a cloud.
They sat and watched, and ate, and gathered the expertise. Ash killed planes; it attached itself to the turbine section of the engines.
It was an act of God.


Para ouvir, Islands do XX.

15.5.10

|virada cultural|

Repito o que acabo de afirmar no Twitter agora: sei que pode soar meio nazi, mas Virada Cultural pra mim é coisa de caipira deslumbrado pela cidade.

|novos rumos|

Do Liniers, no La Nación de hoje. Bom fim de semana a todos. :)

14.5.10

|literatura, meu novo trabalho, clube de leitura|

Reconheço que o tempo que vinha dedicando aos livros era cada vez menor, pelo dia a dia cansativo (já lia demais no trabalho, por exemplo) e pelos novos hábitos (ter um Playstation 3 em casa monopoliza um pouco os momentos de descanso). Pode parecer besteira ou um atestado de filisteu, mas não dá pra simplesmente menosprezar jogos de última geração, espetaculares, em que você se sente parte daquela aventura. Não dá. A literatura pode esperar.

Mas agora, com vida e trabalho novos, volto ao agradável hábito da leitura. Pelo menos dois livros por mês para resenhas, reportagens e eventuais entrevistas. Trata-se de literatura contemporânea ou lançamentos no Brasil.

Um dos títulos que tinha em mente para esse novo trabalho é um lançamento da Companhia das Letras: "Afluentes do Rio Silencioso", do americano John Wray. Por questões logísticas e a pedido do meu novo chefe, minha primeira resenha será para outro título (assim que for publicada, anuncio aqui), mas agora quero falar desse do John Wray.




Ainda não li, mas, assim que concluir sua leitura, vou postar algo aqui nesse blog mesmo. John Wray já escreveu três livros, e esse em questão, cujo título original é "Lowboy", é o último, de 2009. Colaborador da New York Times Magazine, foi eleito em 2007 como um dos melhores jovens autores do ano pela revista Granta. Tiro essas informações biográficas do Wikipedia. Seu website é muito bonito, apesar de conter poucos e desencontrados dados -- mas vale a visita.

O enredo do livro é muito bem tramado: um dia na vida de um jovem esquizofrênico pelas estações de metrô de Nova York. Em uma cidade cujas primeiras imagens que nos vêm à mente são as cores da Times Square ou as árvores do Central Park, eleger um cenário subterrâneo parece arriscado, improvável. Mas talvez haja uma figuração importante, uma espécie de simbolismo ou representação metafórica que só vou conseguir desvendar com a leitura do romance. Mas achei genial logo de cara. Inovador no mínimo.

E, isso é particular e em nada interfere na análise do livro, mas eu sempre gostei tanto dos metrôs de lá. Uma das imagens que não sai da minha cabeça até hoje foi eu aprendendo a pegar o metrô sozinho em uma estação do Bronx, a como comprar o bilhete, qual e onde era a catraca, qual sentido, qual trem? Era o 4 train, Brooklyn bound; eu desceria, uns belos 40 minutos depois, na estação Crown Heights - Utica Ave, onde encontraria alguns kroivim chabadniks que viriam a me ajudar depois. Enfim, flowing down the memory lane...

Voltando ao livro, o mais legal é que, em determinado momento, a mãe do menino coloca um detetive atrás dele! Garantia de muitas confusões. :)

Falo desse livro também com outro intuito. Há algum tempo, eu, a Juliana e a Laura estamos pensando em fazer um clube de leitura, com encontros semanais ou quinzenais, sempre na casa de alguém. A minha ideia era lermos só literatura contemporânea, mas ficamos mais nos planos que na concretização deles. Talvez esse post seja um incentivo maior para começarmos de vez, e já com a primeira sugestão de livro: o "Afluentes do Rio Silencioso". Um clube de leitura só com três pessoas não tem muita graça, então fica o convite também à Renata, o Rogério, o Eduardo, a Luciana, o Eric, o Julio e mais uma ou outra pessoa (há um leitor especial aqui nesse blog, o Jonas Lopes).

Isso tudo merece um post ou talvez um blog especial, dedicado ao clube e às suas regrinhas. Eu não sou chato, mas tenho requisitos: tem que se comprometer em ler mesmo e não pode usar a expressão "isso remete a...". Há outros termos e referências que entram como proibidos (por exemplo, não poder citar Sartre), mas vamos deixá-los para depois ou vão me chamar de nazi. :)

11.5.10

| Quem dirige a minha vida

O caráter do homem é o seu destino. E quem faz o meu destino é a Sofia Coppola.



Calma, pessoal. Isso não é uma declaração de amor à diretora nem é um atestado de fanatismo por ela (gosto, mas nem sou tão fã assim). É que, de acordo com esse site, depois de ter respondido um questionário sobre a minha vida, da infância até hoje, o diretor perfeito para filmar a minha vida seria a Sofia Coppola.

Ainda segundo o quizz, "my film would be 75% romantic, 28% comedy, 33% complex plot, and a $ 20 million budget".

Vale a pena fazer o teste, eu achei divertido. Dentre os resultados possíveis, estão Woody Allen, Quentin Tarantino, Akira Kurosawa, David Lynch, Alfred Hitchcock, Spike Lee, Francis Ford Coppola, Ingmar Bergman, John Hughes, entre outros.

Confesso que queria que minha vida fosse filmada pelo John Hughes, com um final bem feliz e com muitas dancinhas coreografas em uma rua movimentada de Manhattan, mas não deu. E queria fugir do Bergman.

Para ouvir: Playground Love, do Air -- trilha sonora para o filme "Virgens Suicidas". 

9.5.10

| When I get older

Quer se deprimir nesse domingo chuvoso? Acesse o site In 20 Years e veja como você vai ficar daqui 20 anos. Eu até tentei ver algo positivo na minha velhice (meus 50 anos) e disse, em voz alta, "vou parecer o Nicholas Cage". Mas a Juliana, ao lado, só ponderou: "Errr, não...".

Decidam.




Ah, a dica é do Circuito Integrado.

ps: vergonha do meu nariz semita. Esse post irá se autoexplodir em 5, 4, 3...

8.5.10

| Coney Island

Os posts que mais dão audiência nesse blog são aqueles lotados de imagens. Aquele com fotos antigas -- e coloridas -- de Nova York foi um sucesso. O que pode dizer muito ou sobre quem escreve (mal?) ou sobre quem lê (mal?). Bom, hoje decidi repetir a dose, com um especialzinho sobre Coney Island.

Conhecida também como "The City of Fire", Coney Island é uma península que fica no extremo sul do Brooklyn, em Nova York, mais ou menos perto de onde eu morava (eu morava a cinco estações de lá, na linha F da extensa malha do metrô de Gotham). Foi lá, por exemplo, onde nasceu o Lou Reed. Mas não é o mentor do Velvet Underground que torna esse lugar especial. É o fato de haver um parque de diversões e, hmmm, praia! Bem, o parque de diversões não é mais o mesmo e hoje se resume a alguns poucos brinquedos, uma montanha-russa, uma roda gigante.

Há ainda um certo charme nessa parte da cidade, mas não dá para comparar com as imagens abaixo, da virada do séc. 19 para o 20. Muitas delas são desenhos, mas transmitem como esse lugar devia ser tão legal. "Me acompanhem nessa surpreendente viagem fantasmagórica e cheia de sonhos!"


Esses cavalinhos eram chamados de "pôneis mecânicos". Sobre trilhos de ferro, eles atingiam velocidades muito altas e certamente causavam medo aos visitantes e uma sensação de estar numa corrida de cavalos de verdade.


Aqui um looping chamado "Loop the Loop". :)



Agora o "Steeplechase Funny Place", com sua formas arquitetônicas esquisitas.


Aqui uma foto do "Luna Park", que não consegui descobrir a data exata.





Acima um desenho de como devia ser esse lugar nos dias de verão. Pandemônio.




Aqui como era o "Dreamland".




Detalhe para o destaque da atração acima: "Infantincubators with Living Infants". Bom para aquele seu sobrinho chato.

Ah, todas as imagens podem ser ampliadas, é só clicar em cima delas. E os links de onde achei esse acervo tão valioso: aqui, aqui, aqui e aqui.

Mais sobre Coney Island, sobre como está hoje, os eventos etc, aqui também.

Para ouvir, "Coney Island", do Death Cab for Cutie.

7.5.10

|hero or unemployed|

O George Costanza, no Seinfeld, tem uma hora que se cansa e manda o chefe dele pro inferno. Diz que não quer mais: vida nova.



Mas, passado algum tempo, descobre que tudo aquilo que pretendia fazer da vida não é possível. Ele não pode ser comentarista de beisebol, por exemplo. Ou técnico do seu time preferido. O Jerry explica pra ele que, se ele fosse um ex-jogador profissional, talvez isso ajudasse.

George diz: That's really not fair.



Já o Woody Allen, no filme "Manhattan", resume bem essa sensação, que senti hoje, quando pedi demissão da empresa em que trabalhei por dois anos. "Quando você pede demissão, por um momento você é o herói do dia, mas, depois, quando você põe o pé na rua, você é apenas um desempregado".

Mas gosto de fazer parte desse time de seres ficcionais. Prefiro estar no mesmo barco que o George e o Woody. Precisava de um pouco de ficção e de mais senso de humor mesmo na minha vida. :)

5.5.10

|sensacionalista|

Descobri hoje, nesse minuto, um site de notícias sensacional, que se chama, er, Sensacionalista.

Seguem os links para duas notícias de leitura obrigatória. Primeiro, a pochete que se firma como o anticoncepcional mais eficaz, e depois os novos personagens para a famosa série Crepúsculo.

Uma observação: cara equipe do Sensacionalista, se estiverem precisando de mais uma pessoa pra equipe de vocês, posso enviar o meu currículo. Emprego dos sonhos.