No Gatsby tem uma frase que eu acho uma das mais bonitas do livro inteiro, que, a propósito, é o meu Fitzgerald preferido. Transcrevo aqui:
No amount of fire or freshness can challenge what a man will store up in his ghostly heart.
Um bom fim de semana a todos. :)
30.4.10
|as religiões levam todas ao mesmo deus?|
Hoje eu li no Boston Globe online um artigo sobre como é errôneo (e perigoso) achar que todas as religiões são apenas diferentes caminhos para a mesma sabedoria ou a mesma salvação.
O texto, do professor Stephen Prothero, diz muito mais do que o diálogo que segue abaixo, que tive com a Juliana de tarde, mas talvez essa conversa casual possa servir àqueles que estiverem com preguiça de ler na íntegra o que saiu no jornal.
Ah, e o gancho do artigo é último livro (acabou de ser lançado) do professor Prothero, chamado God is Not One: The Eight Rival Religions That Run the World -- and Why Their Differences Matter.
ps: claro que editei um pouco esse diálogo no Gtalk, para deixá-lo mais fluido, cortei tudo o que foi fático etc.
THIAGO
Estou lendo um texto no site do Boston Globe tão bom, sobre como as pessoas misturam as coisas quando tratam de religião e pluralismo. Que NÃO, "as religiões não levam todas ao mesmo caminho", como é comum ouvir isso, aquela coisa "do bem".
JULIANA
Ah, sim, discursinho bem besta esse.
THIAGO
Sim, é impossível um judeu ser salvo e um cristão idem. Ou se safa um ou se safa outro. Trecho:
Sim, é impossível um judeu ser salvo e um cristão idem. Ou se safa um ou se safa outro. Trecho:
We pretend that religious differences are trivial because it makes us feel safer, or more moral. But pretending that the world’s religions are the same does not make our world safer. Like all forms of ignorance, it makes our world more dangerous, and more deadly.
JULIANA
Nossa, que radical.
THIAGO
Mas é isso mesmo. Isso não é ser radical; radicais são as religiões. Não dá pra excluir o elemento radical e exclusivista de cada religião: todas elas são exclusivistas. Se Deus só salva quem não come porco, então só os judeus serão salvos. Se Deus só salva quem se arrepende dos pecados, só os cristãos e assim por diante.
JULIANA
Sim, eu sei.
THIAGO
Quem pensa que "todas as religiões se dão as mãos" não entende nada nem da própria religião que segue.
JULIANA
Mas as pessoas que falam isso geralmente querem dizer que todas as religiões pregam o bem, não que você vai se salvar seguindo qualquer uma delas. Ou seja, é um discurso de ateu que pensa que toda religião vai te fazer mais feliz, honesto e melhor com os outros, logo, todas levam, na prática, ao mesmo lugar. Tudo bem que nem isso eu acho verdade, mas acho que é isso que as pessoas querem dizer.
THIAGO
Pregar o bem e se salvar são coisas muito ligadas. O que as pessoas querem passar é uma mensagem de paz, que pode haver paz e diálogo e todo mundo feliz entre religiões diferentes (e que no fim todo mundo vai se dar bem, vai pro céu etc). Isso é algo bem ignorante.
JULIANA
Não acho que queiram dizer que todo mundo vai para o céu. Acho que quem fala isso está pensando nos aspectos práticos e que esse é um discurso ateu.
THIAGO
Acho que pensam isso, sim, que "no fim, todo mundo que é bem intencionado e segue a Deus vai pro céu" (não importa se seguem Jesus, Maomé ou whatever).
JULIANA
Pode ser.
THIAGO
O que basta, pra essas pessoas, é acreditar em Deus e fazer o bem.
JULIANA
Pode ser. Pensar isso é ainda mais ingênuo do que pensar como eu falei que acho que elas pensam.
THIAGO
O judeu que só acreditar em Deus e só fazer o bom, mas não usar kipá (por exemplo), esse não vai pro céu (segundo o judaísmo). Em suma, o que o professor diz é que cada vez mais os religiosos se misturam em uma tentativa: todos nós somos os mesmos e Deus nos salvará. Se Deus existe mesmo, Ele só vai salvar uma religião. Parece radical, mas é porque o princípio religioso é exclusivista e, portanto, radical.
JULIANA
Depende. Se o deus que existe for o deus previsto por alguma religião, nesse caso só (alguns) seguidores dessa religião serão salvos, mas se for um outro deus que ninguém previu, os critérios podem ser outros e mais gente ou ninguém será salvo.
THIAGO
Sim, mas eu disse se o "deus já previsto" (por determinada religião, seja antigo testamento, novo ou alcorão ou outro). Se o deus do antigo testamento existe, decerto não só os judeus serão salvos, mas poucos que não são judeus vão se salvar (porque idolatram uma imagem humana de Deus, que é uma transgressão capital).
Olha, pelo judaísmo, eu tenho mais chance de ser "salvo" do que um cristão. Entende? Não pelo meu sobrenome (porque não devem pedir RG na porta do paraíso), mas porque eu não idolatro nenhuma imagem.
JULIANA
Pode ser.
THIAGO
Agora se o deus do novo testamento (que os cristãos, erroneamente, dizem ser o mesmo do antigo) aí eu tenho poucas chances. Oh God...
JULIANA
:c)
Querido, vou me arrumar agora.
JULIANA
:c)
Querido, vou me arrumar agora.
25.4.10
|alice no país das maravilhas|
Eu não estava tão entusiasmado com a estreia do filme da Alice. Eu gosto de Tim Burton, gosto dos filmes da Disney e, especialmente, gosto das duas histórias do Lewis Carroll, que foram a base para a livre adaptação do filme em questão. Só que toda essa febre absurda de tudo relacionado ao universo de Alice me irritava. OK, posso parecer fresco e purista, mas a minha impressão era que estavam estuprando a história de Carroll, trivializando, e, pior, transformando tudo num imesno shopping center psicodélico e nada-a-ver. Mais: o cartaz do filme também me desanimava: mais parecia um gif animado com uma figura medonha e sorridente. Nunca o Mad Hatter foi tão mal interpretado, pensava comigo. Vejam se tenho ou não razão.
Entretranto, queria ver o filme. Por curiosidade e por ter uma pontinha de esperança de que talvez ele não fosse tão ruim quanto eu imaginava. Não sou fã hardcore do Tim Burton, mas gosto bastante de alguns filmes dele, especialmente o "Edward Mãos de Tesoura" e o "Big Fish", esse último um dos filmes que certamente marcou a minha vida e de muita gente (falo aqui pela Juliana). Quem sabe o diretor não reservaria essa surpresa pra mim?
Ontem à noite, um sábado em um shopping lotado de São Paulo, lá fomos nós (com mais um casal de amigos) assistir ao filme. Filas imensas e a constatação infeliz de que a sessão das 21h40 já estava esgotada, que só haveria a possibilidade do filme no horário das 23h59. OK. Vamos esperar, enquanto isso, comemos alguma coisa antes, conversamos sem fim.
Na fila, a primeira impressão ruim: uma cambada de adolescentes que não sabiam pinoia nenhuma de Alice. Souberam muito provavelmente há poucos meses que se tratava de um "clássico dos clássicos" da literatura infantojuvenil (tudo junto mesmo, segundo a nova ortografia), que o autor era um pedófilo em potencial (e acharam isso muito "cool"), que o Tim Burton era um diretor legal de se gostar, que blablablá blablablá. Tinha um sujeito bebendo cerveja na fila. Oh God. Uma menina vestida como se fosse ao baile de formatura. E algumas mães que acompanhavam citando trechos do desenho da Disney, com aquela autoridade besta de "no meu tempo". Tudo bem, vamos encarar.
E vamos falar do filme agora.
Péssimo. Um cocô. Enquanto a história original se estruturava e se justificava em torno dos jogos de linguagem, o filme se concentra e apela para a ação e os efeitos especiais. Tudo bem, nada contra ação e efeitos especiais, mas olha, já que subverteram a proposta mesmo, que fizessem algo mais decente, com ações mais legais, que fizessem algum sentido ou dessem liga às inúmeras sequências de corrida, escapada e violência.
No livro, não há violência. Nenhum tipo de violência. Há sim temas muito adultos sendo tratados ali no subtexto, mas jamais violência. Mesmo em episódios que poderiam sugerir algum tipo de violência, como quando a cozinheira arremessa seus utensílios em tudo e em todos (inclusive na duquesa com o bebê), isso é tomado e ilustrado como insanidade, irrealidade, qualquer coisa assim. Nunca a violência se concretiza, ela é apenas potencializada no irreal. Já no filme, senti um clima muito semelhante ao de um "Crônicas de Nárnia", com todo aquele heroísmo combatendo um mal violento com espadas, armaduras, os diabos. Sim, no filme a a Alice usa uma armadura lá pelas tantas.
Outro exemplo, a figura alada e disforme do Jabberwocky ganha vida no filme. Vira um dragão tosco vindo diretamente do mundo de Aragorn (o filme mais fracasso de todos os tempos) ou qualquer coisa assim. E Alice dá um grito "off with his head" antes de tchuc com a sua espada mágica e bye bye a cabeça do bicho. No "Looking-Glass", Jabberwocky é apenas uma figuração transposta em forma de um poema nonsense, de impossível decodificação. E quando Alice o "derrota" no livro, é quando ela justamente consegue decodificá-lo, interpretá-lo (graças à ajuda do Humpty Dumpty). No livro, é tudo linguagem e parece haver um Lewis Carroll mostrando: "olha, é assim que as crianças começam a interpretar e aceitar todas as coisas estranhas e amedrontadoras ao seu redor". Como um poema gigante e sem-sentido. Só que no filme, optaram pela violência, pela ação, pela cabeça de um dragão gigante rolando em 3D pela tela do cinema do shopping.
E é bem isso o filme: uma produção feita para a criançada e os adolescentes verem no Shopping Center. De novo, se fosse só isso, tudo ok. Mas é ruim mesmo: as linguagens no filme se misturam, não dá para entender se foi pensado mesmo para criança ou o quê. Há um aceno ingênuo com feminismo, what.the.hell! A protagonista ao fim diz que "não vai se casar com ninguém que ela não queira" e, olha, decide partir para a luta e para o trabalho: vai fazer não sei o quê na China, lidar com mercadores, não entendi. Não dá nem pra considerar isso spoiler, de tão simplista e colegial a solução dada. Senti até, por alguns momentos, um certo maniqueísmo cristão besta, do tipo: a Rainha Vermelha é do Mal e a Branca é do Bem. E a Alice é a salvadora, a escolhida, o Messias. Jesus Christ.
Se há algo a ser aprendido na noite de ontem foi que o mundo não é feito apenas de filmes bons. Precisamos de filmes ruins também. Precisamos de big mistakes cinematográficos.
Tim Burton: off with YOUR head.
ps: a dancinha tosca no final do Mad Hatter foi a coisa mais vergonha alheia que vi no cinema nos últimos tempos. Pior foi a Alice repetindo no final como prova ou qualquer tipo de tentativa de contestação à sociedade vitoriana daquela época. Se ela fizesse isso mesmo naquela época, cortariam a cabeça dela não por rebeldia, mas por mau gosto mesmo. AAAahhhhhhh!!!
Entretranto, queria ver o filme. Por curiosidade e por ter uma pontinha de esperança de que talvez ele não fosse tão ruim quanto eu imaginava. Não sou fã hardcore do Tim Burton, mas gosto bastante de alguns filmes dele, especialmente o "Edward Mãos de Tesoura" e o "Big Fish", esse último um dos filmes que certamente marcou a minha vida e de muita gente (falo aqui pela Juliana). Quem sabe o diretor não reservaria essa surpresa pra mim?
Ontem à noite, um sábado em um shopping lotado de São Paulo, lá fomos nós (com mais um casal de amigos) assistir ao filme. Filas imensas e a constatação infeliz de que a sessão das 21h40 já estava esgotada, que só haveria a possibilidade do filme no horário das 23h59. OK. Vamos esperar, enquanto isso, comemos alguma coisa antes, conversamos sem fim.
Na fila, a primeira impressão ruim: uma cambada de adolescentes que não sabiam pinoia nenhuma de Alice. Souberam muito provavelmente há poucos meses que se tratava de um "clássico dos clássicos" da literatura infantojuvenil (tudo junto mesmo, segundo a nova ortografia), que o autor era um pedófilo em potencial (e acharam isso muito "cool"), que o Tim Burton era um diretor legal de se gostar, que blablablá blablablá. Tinha um sujeito bebendo cerveja na fila. Oh God. Uma menina vestida como se fosse ao baile de formatura. E algumas mães que acompanhavam citando trechos do desenho da Disney, com aquela autoridade besta de "no meu tempo". Tudo bem, vamos encarar.
E vamos falar do filme agora.
Péssimo. Um cocô. Enquanto a história original se estruturava e se justificava em torno dos jogos de linguagem, o filme se concentra e apela para a ação e os efeitos especiais. Tudo bem, nada contra ação e efeitos especiais, mas olha, já que subverteram a proposta mesmo, que fizessem algo mais decente, com ações mais legais, que fizessem algum sentido ou dessem liga às inúmeras sequências de corrida, escapada e violência.
No livro, não há violência. Nenhum tipo de violência. Há sim temas muito adultos sendo tratados ali no subtexto, mas jamais violência. Mesmo em episódios que poderiam sugerir algum tipo de violência, como quando a cozinheira arremessa seus utensílios em tudo e em todos (inclusive na duquesa com o bebê), isso é tomado e ilustrado como insanidade, irrealidade, qualquer coisa assim. Nunca a violência se concretiza, ela é apenas potencializada no irreal. Já no filme, senti um clima muito semelhante ao de um "Crônicas de Nárnia", com todo aquele heroísmo combatendo um mal violento com espadas, armaduras, os diabos. Sim, no filme a a Alice usa uma armadura lá pelas tantas.
Outro exemplo, a figura alada e disforme do Jabberwocky ganha vida no filme. Vira um dragão tosco vindo diretamente do mundo de Aragorn (o filme mais fracasso de todos os tempos) ou qualquer coisa assim. E Alice dá um grito "off with his head" antes de tchuc com a sua espada mágica e bye bye a cabeça do bicho. No "Looking-Glass", Jabberwocky é apenas uma figuração transposta em forma de um poema nonsense, de impossível decodificação. E quando Alice o "derrota" no livro, é quando ela justamente consegue decodificá-lo, interpretá-lo (graças à ajuda do Humpty Dumpty). No livro, é tudo linguagem e parece haver um Lewis Carroll mostrando: "olha, é assim que as crianças começam a interpretar e aceitar todas as coisas estranhas e amedrontadoras ao seu redor". Como um poema gigante e sem-sentido. Só que no filme, optaram pela violência, pela ação, pela cabeça de um dragão gigante rolando em 3D pela tela do cinema do shopping.
E é bem isso o filme: uma produção feita para a criançada e os adolescentes verem no Shopping Center. De novo, se fosse só isso, tudo ok. Mas é ruim mesmo: as linguagens no filme se misturam, não dá para entender se foi pensado mesmo para criança ou o quê. Há um aceno ingênuo com feminismo, what.the.hell! A protagonista ao fim diz que "não vai se casar com ninguém que ela não queira" e, olha, decide partir para a luta e para o trabalho: vai fazer não sei o quê na China, lidar com mercadores, não entendi. Não dá nem pra considerar isso spoiler, de tão simplista e colegial a solução dada. Senti até, por alguns momentos, um certo maniqueísmo cristão besta, do tipo: a Rainha Vermelha é do Mal e a Branca é do Bem. E a Alice é a salvadora, a escolhida, o Messias. Jesus Christ.
Se há algo a ser aprendido na noite de ontem foi que o mundo não é feito apenas de filmes bons. Precisamos de filmes ruins também. Precisamos de big mistakes cinematográficos.
Tim Burton: off with YOUR head.
ps: a dancinha tosca no final do Mad Hatter foi a coisa mais vergonha alheia que vi no cinema nos últimos tempos. Pior foi a Alice repetindo no final como prova ou qualquer tipo de tentativa de contestação à sociedade vitoriana daquela época. Se ela fizesse isso mesmo naquela época, cortariam a cabeça dela não por rebeldia, mas por mau gosto mesmo. AAAahhhhhhh!!!
24.4.10
|god|
Para Isaac Bashevis Singer, assunto de uma matéria que estou escrevendo, a vida nada mais é do que um romance escrito por Deus. Pode parecer banal e até colegial esse pensamento, mas vamos deixá-lo escrever em paz então.
Bom final de semana! :)
ps para o leitor Jonas: nessa semana, juro que escrevo o post sobre o "Herzog", do Bellow.
Bom final de semana! :)
ps para o leitor Jonas: nessa semana, juro que escrevo o post sobre o "Herzog", do Bellow.
22.4.10
|the xx -- vcr|
Quem tocou no Coachella também foi o XX, banda inglesa cujo álbum homônimo foi eleito um dos melhores de 2009. Para quem não conhece, segue uma música que gosto muito chamada "VCR". Because you still have all the answers.
|um ano|
Essa semana faz um ano que a Juliana está comigo, morando em São Paulo. Foi um ano muito feliz na minha vida, que tudo mudou. Graças a ela, que guia e orienta os meus passos, mesmo os mais tortos e desengonçados, com uma graça e paciência inestimáveis.
Superamos momentos difíceis, todos por minha culpa/ responsabilidade, e aprendi bastante com os meus erros e tropeços (algumas vezes the hard way). Isso é prova o bastante de que "the best gesture of my brain is less than your eyelids' flutter which says we are for each other; then laugh, leaning back in my arms, for life's not a paragraph. And death – I think – is no parenthesis".
Superamos momentos difíceis, todos por minha culpa/ responsabilidade, e aprendi bastante com os meus erros e tropeços (algumas vezes the hard way). Isso é prova o bastante de que "the best gesture of my brain is less than your eyelids' flutter which says we are for each other; then laugh, leaning back in my arms, for life's not a paragraph. And death – I think – is no parenthesis".
21.4.10
|mayer hawthorne|
Já falei do Mayer Hawthorne aqui nesse blog. E ele fez um dos melhores shows do Coachella, junto com Gorillaz e Julian Casablancas. Deixo vocês com a música "Maybe So, Maybe No", que tem um clipe muito divertido e "up".
19.4.10
|lançamento de livro|
Nesse sábado (dia 24) haverá o lançamento do livro "A Poética Visual e Contemporânea de Juan Muzzi", escrito pelo jornalista Alberto Beuttenmüller. Na Pinacoteca, das 11h às 14h.
O Alberto é o pai de um grande amigo meu, o Eric, e já escreveu "2012 - A Profecia Maia", entre outros.
O Alberto é o pai de um grande amigo meu, o Eric, e já escreveu "2012 - A Profecia Maia", entre outros.
18.4.10
16.4.10
|hurt|
"We use the word hurt when talking about things like this because when these things go wrong it can feel as if you were hit in the sternum by a huge animal that's run for miles just to strike you".
EGGERS, DAVE. "The only meaning of the oil-wet water" IN How We Are Hungry [p. 50].
EGGERS, DAVE. "The only meaning of the oil-wet water" IN How We Are Hungry [p. 50].
|nyc anos 40 e 60|
Aqui, aqui e aqui há uma boa seleção de fotos antigas de Nova York dos anos 40 e 60. Quando o Empire State ainda era o maioral. Quando a Times Square tinha prédios baixinhos.
O detalhe é que as imagens ganharam um tratamento de cor digital. Ou seja, são fotos antigas, mas coloridas! Vejam alguns exemplos.
O detalhe é que as imagens ganharam um tratamento de cor digital. Ou seja, são fotos antigas, mas coloridas! Vejam alguns exemplos.
14.4.10
|os livros em papel vs. os livros eletrônicos|
Em sua coluna de hoje na Ilustrada, Marcelo Coelho se pergunta se um iPad terá o mesmo charme que a capa de um livro. Se irá acabar com aquele "prazer bisbilhoteiro de ver o que a outra pessoa está lendo no avião, no metrô ou na sala de espera".
A coluna merece ser lida na íntegra no link que indico acima (para assinantes Folha ou UOL). Mas fiquei pensando no argumento dele. Também sou fã dos livros de papel. Tive o meu momento de êxtase quando a Juliana ganhou seu Kindle, baixei alguns livros, comprei até outro, a "Recherche" do Proust. E, assim como o Marcelo Coelho, meu ânimo acabou. A "Recherche" é feia, não tem as capas espetaculares que minhas edições (que nem são sofisticadas) da Folio/Gallimard têm. Nem de longe.
Li em algum lugar que a leitura em um device eletrônico desses é mais rápida. Que o folhear de páginas de papel afeta alguma parte do cérebro que te faz pensar: "nossa, esse livro tem 400 páginas e eu só estou indo pra décima!". Faz sentido, pois, enquanto relia o "Herzog" (Bellow), experimentei ler alguns capítulos no Kindle. Passaram incrivelmente rápido. Mas não estou mais na idade que preciso ler os livros rapidamente. E, por favor, quem quiser ler a "Recherche" do Proust em um mês, todos os volumes, me desculpe, mas você está lendo do jeito errado.
Confesso, no entanto, que me sinto atraído por essas novidades. Quero ter o meu iPad. Não sou um fanático doente que fica na fila, mas gostaria muito de poder usar o iPad no dia a dia, pelas possibilidades que ele traz. E, no fundo, é só uma possibilidade. Se eu não gostar, volto pra esse laptop velho e pros meus livros de papel.
Acho que o que pode mostrar bem esse verdadeiro conflito de gerações é o caso que apresento agora. Seguem algumas capas criadas pela Coralie Bickford-Smith para a nova coleção da Penguin. São títulos clássicos (de "Alice" à "Ilha do Tesouro"). Belos presentes. Vejam.
Mando algumas, de outra coleção da Penguin (e da artista), essas um pouco mais antigas, mas igualmente muito bonitas.
Descartou definitivamente os livros eletrônicos depois dessas capas? Agora veja esse app. do livro da Alice para o iPad. A criançada vai gostar!
Concluir o que dessa disputa? O que Lewis Carroll diria? Fiquei pensando nisso...
A coluna merece ser lida na íntegra no link que indico acima (para assinantes Folha ou UOL). Mas fiquei pensando no argumento dele. Também sou fã dos livros de papel. Tive o meu momento de êxtase quando a Juliana ganhou seu Kindle, baixei alguns livros, comprei até outro, a "Recherche" do Proust. E, assim como o Marcelo Coelho, meu ânimo acabou. A "Recherche" é feia, não tem as capas espetaculares que minhas edições (que nem são sofisticadas) da Folio/Gallimard têm. Nem de longe.
Li em algum lugar que a leitura em um device eletrônico desses é mais rápida. Que o folhear de páginas de papel afeta alguma parte do cérebro que te faz pensar: "nossa, esse livro tem 400 páginas e eu só estou indo pra décima!". Faz sentido, pois, enquanto relia o "Herzog" (Bellow), experimentei ler alguns capítulos no Kindle. Passaram incrivelmente rápido. Mas não estou mais na idade que preciso ler os livros rapidamente. E, por favor, quem quiser ler a "Recherche" do Proust em um mês, todos os volumes, me desculpe, mas você está lendo do jeito errado.
Confesso, no entanto, que me sinto atraído por essas novidades. Quero ter o meu iPad. Não sou um fanático doente que fica na fila, mas gostaria muito de poder usar o iPad no dia a dia, pelas possibilidades que ele traz. E, no fundo, é só uma possibilidade. Se eu não gostar, volto pra esse laptop velho e pros meus livros de papel.
Acho que o que pode mostrar bem esse verdadeiro conflito de gerações é o caso que apresento agora. Seguem algumas capas criadas pela Coralie Bickford-Smith para a nova coleção da Penguin. São títulos clássicos (de "Alice" à "Ilha do Tesouro"). Belos presentes. Vejam.
Mando algumas, de outra coleção da Penguin (e da artista), essas um pouco mais antigas, mas igualmente muito bonitas.
Descartou definitivamente os livros eletrônicos depois dessas capas? Agora veja esse app. do livro da Alice para o iPad. A criançada vai gostar!
Concluir o que dessa disputa? O que Lewis Carroll diria? Fiquei pensando nisso...
12.4.10
|you are playing with fire|
Gosto muito dos Beatles. Sempre gostei graças ao fanatismo maluco do meu irmão pelos Fab 4. Ele tinha tudo: relógios vindos da Inglaterra, guardanapos especiais, todos os shows, álbuns, posters, tudo. Até a toalha com a qual Sir Macca havia enxugado o seu rosto num show no Pacaembu.
Mas meu irmão também gostava dos Stones. E quando ele me mostrou essa música pela primeira vez, eu pensei: "nossa, essa é a frase mais legal que se pode dizer pra alguém". Don't play with me because you're playing with fire.
Os Beatles também tinham inúmeros versos geniais. Mas esse dos Stones me marcou. E fica a música da semana. E só pra avisar: se você está tentando brincar comigo, é melhor pensar duas vezes.
Mas meu irmão também gostava dos Stones. E quando ele me mostrou essa música pela primeira vez, eu pensei: "nossa, essa é a frase mais legal que se pode dizer pra alguém". Don't play with me because you're playing with fire.
Os Beatles também tinham inúmeros versos geniais. Mas esse dos Stones me marcou. E fica a música da semana. E só pra avisar: se você está tentando brincar comigo, é melhor pensar duas vezes.
|jornalismo + computação|
Vejam esse mestrado que vai abrir em Columbia no meio do ano: Master of Science Program in Computer Science and Journalism. Vai unir jornalismo com computação, voltado especialmente para jornalismo online. Você já parou pra pensar que quem criou e faz esse tipo de mídia nunca é um jornalista, mas sempre um webmaster ou alguém da computação? Foi pensando nisso que eles criaram esse mestrado: não serão mais os webmasters que irão criar, cuidar, manter e inventar no jornalismo online, mas sim os próprios jornalistas com essa formação especializada!
O que acontece hoje é que ou o TI não entende as demandas da equipe do jornal mesmo (e acaba não atendendo, até por certos pedidos de layout, redes de links e tudo serem mesmo impossíveis) ou é a equipe de jornalismo que não acompanha o pessoal de TI.
Os 15 primeiros selecionados dessa primeira turma em outono lá serão os seres mais sortudos e invejáveis do mundo. Pelo menos do meu mundo.
O que acontece hoje é que ou o TI não entende as demandas da equipe do jornal mesmo (e acaba não atendendo, até por certos pedidos de layout, redes de links e tudo serem mesmo impossíveis) ou é a equipe de jornalismo que não acompanha o pessoal de TI.
Os 15 primeiros selecionados dessa primeira turma em outono lá serão os seres mais sortudos e invejáveis do mundo. Pelo menos do meu mundo.
11.4.10
|palito|
O sobrenome adorável dele, graças ao canil em que o pegamos, é Encrenquinhas. O nome foi difícil de resolver. Costelinha, Sticky, Milú (com acento mesmo)... E escolhemos Palito, como o seu pai. Magro como eu também.
Ele só chega amanhã, mas já pegamos no colo, brincamos um pouco, fizemos uma pequena festa na sexta-feira. A ideia era trazê-lo pra casa na sexta mesmo, mas como ontem (sábado) íamos ao Hopi Hari, ele ficaria o tempo todo sozinho em casa. E logo no primeiro dia. Não seria justo com ele nem com a gente. Por isso Palito Encrenquinhas vem amanhã pra cá.
Ele é um whippet. Tem foto dele bem pequeno, que é essa que segue abaixo. Mas agora ele já está um pouco maior que isso. Um pouco só. Já compramos roupa, brinquedos, trecos os mais variados possíveis. Até um dragãozinho dentuço de plástico para ele morder bastante e jogar para todos os lados. Logo mais a Juliana deve postar um trilhão de fotos dele no Twitter, Facebook, Orkut, Buzz e afins.
Hoje Palito Encrenquinhas é o orgulho da casa. É o novo príncipe a reinar aqui. Que seja bem-vindo.
Seguem também algumas fotos do Hopi Hari ontem. Fez um sol agradável, o parque não estava ultralotado, foi um dia divertido. Eu, com quase 30, não tenho mais muita idade pra sacolejar dentro do carrinho da montanha-russa, mas vale o teste para cardíaco. Vale colocar a neurose diária em dia também, com o temor de que o carrinho está solto, vai voar pros ares. Vale xingar uma menina do meu lado de nojenta quando ela cospe seu chiclete no chão. Ah, e as personagens das fotos são eu, Juliana, Eduardo e o Zeca.
Ainda preciso postar um texto gigante sobre Saul Bellow e o livro Herzog. Também sobre o jogo God of War 3, um dos jogos mais esperados de todos os tempos. Quando conseguirei falar sobre tudo isso? Não sei. Agora a preferência será sempre a de Palito, Kratos no God of War 3, e tons de livros que prometi seriam terminados em abril, the cruellest month of the year. De cruel até agora, niente. :)
Ah, coloco também uma das minhas músicas preferidas do novo álbum do Gorillaz. Ela se chama "To Binge".
Ele só chega amanhã, mas já pegamos no colo, brincamos um pouco, fizemos uma pequena festa na sexta-feira. A ideia era trazê-lo pra casa na sexta mesmo, mas como ontem (sábado) íamos ao Hopi Hari, ele ficaria o tempo todo sozinho em casa. E logo no primeiro dia. Não seria justo com ele nem com a gente. Por isso Palito Encrenquinhas vem amanhã pra cá.
Ele é um whippet. Tem foto dele bem pequeno, que é essa que segue abaixo. Mas agora ele já está um pouco maior que isso. Um pouco só. Já compramos roupa, brinquedos, trecos os mais variados possíveis. Até um dragãozinho dentuço de plástico para ele morder bastante e jogar para todos os lados. Logo mais a Juliana deve postar um trilhão de fotos dele no Twitter, Facebook, Orkut, Buzz e afins.
Hoje Palito Encrenquinhas é o orgulho da casa. É o novo príncipe a reinar aqui. Que seja bem-vindo.
Seguem também algumas fotos do Hopi Hari ontem. Fez um sol agradável, o parque não estava ultralotado, foi um dia divertido. Eu, com quase 30, não tenho mais muita idade pra sacolejar dentro do carrinho da montanha-russa, mas vale o teste para cardíaco. Vale colocar a neurose diária em dia também, com o temor de que o carrinho está solto, vai voar pros ares. Vale xingar uma menina do meu lado de nojenta quando ela cospe seu chiclete no chão. Ah, e as personagens das fotos são eu, Juliana, Eduardo e o Zeca.
Ainda preciso postar um texto gigante sobre Saul Bellow e o livro Herzog. Também sobre o jogo God of War 3, um dos jogos mais esperados de todos os tempos. Quando conseguirei falar sobre tudo isso? Não sei. Agora a preferência será sempre a de Palito, Kratos no God of War 3, e tons de livros que prometi seriam terminados em abril, the cruellest month of the year. De cruel até agora, niente. :)
Ah, coloco também uma das minhas músicas preferidas do novo álbum do Gorillaz. Ela se chama "To Binge".
8.4.10
|twin peaks|
Incrível como ninguém falou nisso hoje ainda. Nem Folha nem G1. Nada. Pelo menos nada nos grandes veículos brasileiros. Mas hoje comemoram-se 20 anos de um dos melhores seriados de todos os tempos: Twin Peaks.
Parabéns, Laura Palmer. We all heart you.
Parabéns, Laura Palmer. We all heart you.
4.4.10
|I love you, tomorrow|
Tem um filme antigo, dos anos 80, que se chama "Annie". Adaptado de um musical da Broadway, conta a história da menina Annie, na busca por uma família que a adote. Tem uma parte do filme em que ela canta uma música muito bonita chamada "Tomorrow".
Tudo vai dar certo, o amanhã será melhor, o amanhã sempre está a apenas um dia de distância. Fica a mensagem da semana. :)
Tudo vai dar certo, o amanhã será melhor, o amanhã sempre está a apenas um dia de distância. Fica a mensagem da semana. :)
|nearly killed by god|
Semana de Pessach, a Páscoa judaica, e feriado cristão de Páscoa. Até pouco tempo, eu mal sabia que os cristãos comemoravam a Sexta-Feira Santa, o Sábado de Aleluia e, enfim, o Domingo de Páscoa, todos com esses nomes. E, enquanto escrevo isso, nem sei se é isso mesmo; afinal, "aprendi" em uma conversa meio cômica que tive com um amigo ontem. E relembramos (ou inventamos?) esses nomes ao acaso, por serem sonoros e pela alta possibilidade de corresponderem à verdade mesmo.
De Pessach, pouca coisa sei. Sei que o termo em hebraico corresponde a algo como "passagem", referindo-se à longa passagem dos hebreus pelo deserto, fugindo dos egípcios, libertados pelo grande líder Moisés --talvez a maior figura dentre os hebreus de toda a história da Bíblia. E que essa passagem tem desdobramentos simbólicos também. Sei algumas curiosidades, que Moisés era gago ou tinha grande dificuldade para transmitir as coordenadas ao seu povo. Pior ainda é que as coordenadas eram todas imprecisas, afinal Deus gosta de brincar com a gente e nunca revela nada, como um Mestre dos Magos (Caverna do Dragão) mais malicioso, ciumento, carente.
Na minha família, nunca comemoramos nada: nem o feriado judaico, muito menos o cristão. De família totalmente desapegada às práticas ritualísticas do judaísmo e ao significado destas, reflexo de uma geração pós-Holocausto e de um direcionamento ateu meio ignorante, do tipo "Deus não existe porque fez o que fez com os judeus no Holocausto", aprendi a estruturar melhor esse ateísmo.
O ponto que me derruba é o seguinte: sou ateu, mas quando converso com a Juliana sobre o que eu faria em um momento de pânico, angústia, dor, uma doença terminal, de cama, minha aversão a Deus vai pelo ralo. Eu ligaria pro rabino; certamente, ele falaria pra eu aguentar, que eu me virasse sozinho. Afirmaria que não era Deus nem está aqui para representá-lo ou intervir entre os Seus grandes desígnios e a minha vida bandida. Antes: ele não me atenderia. Mas então eu procuraria um médium, um espírita, e tentaria algum tipo de operação espiritual, sem uso de instrumentos cirúrgicos, claro. E viva Daniel Filho.
Meu ateísmo me envergonha de tão fraco e suscetível a quaisquer momentos de dor que eu possa vir a enfrentar. O que devo fazer? Frequentar a sinagoga toda sexta de noite ou sábado pela manhã? Comer só kosher? Ainda dá tempo? Um rabino ultraxiita me disse uma vez que o ateísmo era uma das maneiras mais dignas de afirmar a existência de Deus. Claro que com isso ele queria dizer que Deus era tão maioral, tão bonzão, que até o meu ateísmo era nada pra ele.
Nessa Páscoa (judaica e cristã), ainda sou satanista. Mas com um pezinho no judaísmo, ainda que o negando, over and over. E sorry, mas em Cristo, judeu hippie que nasceu há uns dois milênios e quis trazer gritaria evangélica para dentro dos templos em Jerusalém, bem, nisso é que não acredito mesmo. Prefiro o coelhinho da Páscoa, menos agitador cultural.
1.4.10
|this is happening|
Todo mundo já sabe, mas essa será a capa do novo álbum do LCD Soundsystem chamado "This is Happening". Tem o James Murphy dançando. Gostei --estou ansioso pra ouvir inteirinho!
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