Apesar de carregar o peso lusitano de um Wanda Ribeiro de Vasconcelos no nome (nasceu em Portugal), a naturalizada belga Lio pouco tem a ver com fados. Nos anos 80, foi um dos grandes nomes do pop francês; mesmo nos anos 90, ela ainda cantava, mas já rumo à decadência.
Lio chegou a fazer alguns filmes também, mas nada deu muito certo. Certo pra mim foi só um single, o de "Amoureux Solitaires", clássico synthpop de 1980. As dancinhas, o olhar tímido pra câmera, a voz. Tudo em Lio é adorável.
31.3.10
26.3.10
|I could have been a contender|
The pleasure is not in owning the person. The pleasure is this: having another contender in the room with you.
Do Philip Roth, no The Human Stain.
Do Philip Roth, no The Human Stain.
20.3.10
|um ano|
Há exatamente um ano eu conheci a Juliana, minha namorada, que me ensinou nesse tempo a ser mais feliz sem a intervenção da ficção.
You know you are in love when you cannot fall asleep because reality is finally better than your dreams. A frase é de alguém que sempre me acompanhou com sua ficção, Dr. Seuss.
O post de hoje vai então pra Juliana, com um desenho da dupla Dupuy et Berberian e uma música muito bonita, que diz: "When I see you, I really see you upside down - but my brain knows better, it picks you up and turns you around, turns you around" e fecha com os versos "This is fact, not fiction - for the first time in years".
12.3.10
11.3.10
|evo morales, disoriented|
Leio aqui sobre os novos terromotos no Chile (li faz meia hora).
Two earthquakes rocked Santiago as dignitaries arrived for the inauguration of Chilean President-elect Sebastian Pinera in Valparaiso. The quakes, with preliminary magnitudes of 5.1 and 7.2, were strongly felt in the capital, and Bolivian President Evo Morales seemed disoriented briefly.
Espetacular.
Two earthquakes rocked Santiago as dignitaries arrived for the inauguration of Chilean President-elect Sebastian Pinera in Valparaiso. The quakes, with preliminary magnitudes of 5.1 and 7.2, were strongly felt in the capital, and Bolivian President Evo Morales seemed disoriented briefly.
Espetacular.
9.3.10
|maturity is forever|
I am no kid anymore, but next month I will be playing outside. Maturity is forever.
(tem que clicar na imagem para o tamanho ficar decente --e mais notícias em breve)
(tem que clicar na imagem para o tamanho ficar decente --e mais notícias em breve)
8.3.10
|hello goodbye|
Hoje iniciei análise, ironia para brindar o meu (des)aniversário, como disse no post anterior. No caminho, que não é longe, apenas duas ruas acima da minha, algumas crianças saindo da Cultura Inglesa, todas berrando. Mas me marcou um diálogo entre um casalzinho, de 10 anos cada mais ou menos:
- Oi, Caio, né? [ela chamando a atenção dele, meio tímida]
- Isso, Caio.
- Não esqueço mais.
A menina disse que não mais esqueceria aquele nome: teria se apaixonado pelo Caio, logo assim no primeiro dia de aula (pois parecia uma situação de primeiro dia mesmo, pelo que notei)? Parece que sim, e ela foi bem direta. Nesse momento, o Caio entrava no carro dos pais e fazia um alô do tipo "até amanhã" --ou quarta, ou semana que vem, ou whatever.
Já na rua Maranhão um buffet infantil em formato de uma girafa enorme. A cabeça da girafa lá no alto, me observando, e eu tentando projetar a minha sombra minúscula diante (e sobre) da sombra maioral do bicho. Olhava pra cima, olhava pra baixo e, como ainda fazia sol, tentava me "encaixar". Não me encaixei --minha sombra parecia manchar a sombra perfeitinha da cabeça da girafa gigante no chão, pois tirava sua forma original. Outrora isso seria possível?
Pensamentos desconexos, mas só sei que hoje senti que o meu cumprimento não é mais de alô, mas de adeus. A sensação da angustiante passagem do tempo: o pouco de mim que ainda resta vai se despedaçando em farelo. Em farelo, essa é a sensação.
Kvetch kvetch.
- Oi, Caio, né? [ela chamando a atenção dele, meio tímida]
- Isso, Caio.
- Não esqueço mais.
A menina disse que não mais esqueceria aquele nome: teria se apaixonado pelo Caio, logo assim no primeiro dia de aula (pois parecia uma situação de primeiro dia mesmo, pelo que notei)? Parece que sim, e ela foi bem direta. Nesse momento, o Caio entrava no carro dos pais e fazia um alô do tipo "até amanhã" --ou quarta, ou semana que vem, ou whatever.
Já na rua Maranhão um buffet infantil em formato de uma girafa enorme. A cabeça da girafa lá no alto, me observando, e eu tentando projetar a minha sombra minúscula diante (e sobre) da sombra maioral do bicho. Olhava pra cima, olhava pra baixo e, como ainda fazia sol, tentava me "encaixar". Não me encaixei --minha sombra parecia manchar a sombra perfeitinha da cabeça da girafa gigante no chão, pois tirava sua forma original. Outrora isso seria possível?
Pensamentos desconexos, mas só sei que hoje senti que o meu cumprimento não é mais de alô, mas de adeus. A sensação da angustiante passagem do tempo: o pouco de mim que ainda resta vai se despedaçando em farelo. Em farelo, essa é a sensação.
Kvetch kvetch.
6.3.10
|29 anos|
Herr Doktor Freud, Guten Tag.
Segunda-feira, no dia em que celebro (celebro?) 29 anos de idade, inicio análise. Parece irônico ou simplesmente cômico, até atrapalhado, assim à primeira vista; afinal, que presente de aniversário é esse? Penso o contrário: nesse caso, entre a comédia e a tragédia, a situação pende mais para o trágico. Todo o gasto envolvido, e por muitos anos, talvez até minha velhice quando não falarei mais coisa com coisa, não mais vou saber concatenar as ideias, as lembranças e os sonhos --sequer vou ter força nas pernas para caminhar até o divã-- quanto dinheiro terei dedicado a essa ciência tão inexata que é a psicanálise?
Sou neurótico, mas não daqueles tipos convictos que se orgulham de seu mal. O psicólogo de Moses Herzog, no livro de Saul Bellow, diz, em tradução minha de última hora, que a neurose surge quando você não consegue mais tolerar situações ambíguas. E não à toa a minha identificação com o protagonista da história, que vê seu mundo desabar e começa e escrever cartas a seus conhecidos, mas que nunca serão enviadas. Como se estivesse falando consigo mesmo, à moda esquizofrênica. Kafka, na virada do século 19 pro 20, tratava o mesmo tema da mensagem que nunca pode ser enviada --e a troca de golpes e esquivas da psicanálise, em primeiro plano, é sempre com a linguagem. Pensamos, sofremos e, principalmente, lembramos pela linguagem --e isso recria e em alguns casos estraçalha tudo.
O ego nunca é o senhor em sua própria casa. Que confiança tenho eu então? Oy vey.
Segunda-feira, no dia em que celebro (celebro?) 29 anos de idade, inicio análise. Parece irônico ou simplesmente cômico, até atrapalhado, assim à primeira vista; afinal, que presente de aniversário é esse? Penso o contrário: nesse caso, entre a comédia e a tragédia, a situação pende mais para o trágico. Todo o gasto envolvido, e por muitos anos, talvez até minha velhice quando não falarei mais coisa com coisa, não mais vou saber concatenar as ideias, as lembranças e os sonhos --sequer vou ter força nas pernas para caminhar até o divã-- quanto dinheiro terei dedicado a essa ciência tão inexata que é a psicanálise?
Sou neurótico, mas não daqueles tipos convictos que se orgulham de seu mal. O psicólogo de Moses Herzog, no livro de Saul Bellow, diz, em tradução minha de última hora, que a neurose surge quando você não consegue mais tolerar situações ambíguas. E não à toa a minha identificação com o protagonista da história, que vê seu mundo desabar e começa e escrever cartas a seus conhecidos, mas que nunca serão enviadas. Como se estivesse falando consigo mesmo, à moda esquizofrênica. Kafka, na virada do século 19 pro 20, tratava o mesmo tema da mensagem que nunca pode ser enviada --e a troca de golpes e esquivas da psicanálise, em primeiro plano, é sempre com a linguagem. Pensamos, sofremos e, principalmente, lembramos pela linguagem --e isso recria e em alguns casos estraçalha tudo.
O ego nunca é o senhor em sua própria casa. Que confiança tenho eu então? Oy vey.
4.3.10
|very hairy|
Com a proximidade do meu aniversário (dia 8), é natural que eu fique mais inquieto e mais ansioso. São 29 anos, quase 30, e não consigo fugir do pensamento recorrente que vai de ponta em ponta: o que foi de mim e o que será? Me resta muito?
Parece haver um exagero, um temor quase desnecessário. Mas como evitar?
Deixo um poema do Yehuda Amichai (aqui em inglês), que pode falar muito melhor que eu.
I have become very hairy all over my body.
I am afraid they will start hunting me because of my fur.
My multicolored shirt has no meaning of love --
it looks like an air photo of a railway station.
At night my body is open and awake under the blanket,
like eyes under the blindfold of someone to be shot.
Restless I shall wander about;
hungry for life I will die.
Yet I wanted to be calm, like a mound with all its cities destroyed,
and tranquil, like a full cemetery.
Parece haver um exagero, um temor quase desnecessário. Mas como evitar?
Deixo um poema do Yehuda Amichai (aqui em inglês), que pode falar muito melhor que eu.
I have become very hairy all over my body.
I am afraid they will start hunting me because of my fur.
My multicolored shirt has no meaning of love --
it looks like an air photo of a railway station.
At night my body is open and awake under the blanket,
like eyes under the blindfold of someone to be shot.
Restless I shall wander about;
hungry for life I will die.
Yet I wanted to be calm, like a mound with all its cities destroyed,
and tranquil, like a full cemetery.
Assinar:
Postagens (Atom)



