27.11.09

|geisy arruda amateur mode ON|

O G1 me informa que o tumulto na Uniban envolvendo Geisy Arruda e seu vestido curto ganhou um axé. O gênio compositor da canção e da homenagem a Geisy diz que pretendia levar alegria à garota. Ele se chama Roberto Kuelho --sim, com KU em vez de CO.

Bom, sabendo disso, claro que fui ao YouTube com a seguinte busca: "Roberto Kuelho Uniban". Não deu outra, era o primeiro resultado, um vídeo visto quase 50.000 vezes.

Não sou de postar duas vezes no mesmo dia, mas desculpem, casos excepcionais.

|heaven can wait|

IRM, o disco novo da Charlotte Gainsbourg, foi produzido pelo Beck. Nessa faixa, "Heaven Can Wait", ele participa. E o clipe dirigido por Keith Schofield, lançado dia 19, é muito bonito. Trata-se de uma sequência de imagens absurdas e surrealistas enquanto os dois cantam de um modo meio anestesiado.

No site da Videotheque, o diretor explica: "I’m just always looking for new ideas.  I mainly do this by spending a ton of time online. I go to a lot of link filter sites (like reddit.com), read a lot of wikipedia, watch a lot of youtube videos, look at found photo sites (like ffffound.com).  By absorbing enough stuff, the ideas eventually come."

Deixo vocês com o clipe. Heaven can wait and Hell is too far ago. 









24.11.09

|yes, we have bananas, ahmadinejad|

(1) Lula recebe o presidente iraniano Ahmadinejad. Não vou comentar muito sobre isso, pois esse post terá muitos assuntos e não quero me empolgar em único, tirando o foco dos outros. Só acho o fim da picada um presidente brasileiro receber com um sorriso no rosto um terrorista como Ahmadinejad. Você já sabe, não precisa recorrer ao Wikipedia: terrorista, que nega o Holocausto e prega o fim do estado de Israel. Olha, negar o Holocausto, o problema é seu, seja burro sozinho com seu antissemitismo, isso não faz de você um terrorista. Agora pregar a destruição de Israel e, com isso, promover um novo Holocausto, desculpa, mas você é um antissemita terrorista. Terrorismo: botar medo, causar terror. E desculpa, mas apesar de Israel ter o exército mais poderoso do mundo inteiro, eu tenho medo. E as pessoas que lá vivem também têm medo. Os judeus merecem isso?

Sabe, tenho adotado, de uns tempos pra cá, uma política de "não gosta de mim, quero que você se dane". Minha mãe não me deu boa educação e formação pras pessoas, de repente, sem mais nem menos, não gostarem de mim. Portanto, Ahmadinejad e outras pessoas que não gostam de mim, you go straight to Hell.

O bom é que geralmente essas pessoas são geniais o bastante pra, no meio de manifestação, virem com essas pérolas. Quebra a nossa ironia e torna o meu discurso e raiva até desnecessários.




(2) Lançamento do ano da Publifolha: "Eleições na Estrada", de Eduardo Scolese e Hudson Corrêa.


(3) Você se lembra com nostalgia das aberturas de seus programas preferidos? Veja tudo aqui, dos anos 40 até hoje. Uma amostra bastante especial pra mim é essa do Smurf abaixo.




(4) Descobri recentemente essa ilustradora. Chama Katie Kirk. Pelo que acompanho em seu site, esteve (está?) em NYC e se inspirou na cidade pra fazer esses dois trabalhos. Achei muito bonitos, um sobre Coney Island e outro na Staten Island Ferry. Tão legal.





(5) Noah Baumbach, o diretor de um dos filmes preferidos da vida ("The Squid & The Whale"), está com esse novo chamado "Greenberg". Em março de 2010 nos EUA. Já no Brasil, em 2045.

"The Squid & The Whale" é um dos filmes da minha vida especialmente por me identificar com o personagem do filho mais velho, por ter vivido situações idênticas, por ter uma família como a dele, e também por ter um fascínio quase doentio por aquela sala gigantesca do Museu de História Natural em que a lula gigante está lutando com a baleia. Estive tantas vezes naquele museu, naquela sala, e passava muito, muito tempo mesmo, olhando, assustado, mas como se precisasse vencer esse medo. Acreditem, pra mim, é muito mais do que ler um Moby Dick.

Aqui uma réplica de como é a sala.




Já esse filme novo do Baumbach trata sobre crises de meia idade. Ben Stiller se muda de NYC para Los Angeles. Vai cuidar da casa de seu irmão. Termina se apaixonando por sua assistente.




Tchau tchau.

19.11.09

|tudo pode dar certo no amor|

(1) Woody Allen, Larry David, Thiago Blumenthal e o amor

Hoje fomos assistir ao novo filme do Woody Allen, chamado "Tudo Pode Dar Certo" ("Whatever Works"), na mostra já mencionada em post anterior. Eu estava muito ansioso por esse filme, não especialmente por causa do Larry David (como muitos aficionados por ele), mas porque era o retorno de Woody a Nova York. Depois de alguns filmes produzidos e rodados na Europa, o diretor volta à sua cidade.




O filme é inédito aqui no Brasil, mas muito já foi dito sobre ele. Seja por causa de Larry David ser o protagonista --e há uma espécie de fanatismo por Larry aqui no Brasil, coisa que não ocorre tanto assim em terras ianques (mistério)--, ou porque é um filme que Woody retorna ao humor (apesar de, pra mim, "Scoop" ser um filme de humor). Basta dar uma pesquisada em blogs e afins que tem muita coisa escrita sobre o filme, com e sem spoiler.

Não vou contar final nem vou estragar as boas piadas do filme, não se preocupem. O que eu percebi é que o personagem de Larry David é uma mistura dele mesmo com o Woody, ou seja, é descrente no mundo, acha que o mundo é um vazio imenso sem Deus e sem nada, mas é também cri-cri e chato, com humor negro e sarcasmo. Isso de ser cri-cri, me informam, é uma característica do personagem de Larry quando interpreta ele mesmo na série "Curb Your Enthusiasm".

Acho que o Woody usa uma ironia mais fina (não a inglesa, mas a judaica) sempre voltada pra si em seus filmes. Já Larry aponta sua arma pra todos que estão à sua volta, até mesmo para a nova namoradinha de 21 anos, quando a chama de débil mental, tosca e outros mimos. Mais ou menos como Portnoy faz com a Macaca, no livro de Philip Roth.

Não posso me declarar fã de Larry David porque onde posso dizer que o conheço mesmo é via "Seinfeld". E, apesar de achar o personagem de George Costanza espetacular (e é baseado no próprio Larry), gosto da trupe inteira. E, se fosse pra escolher o meu preferido no seriado, seria a Elaine ou o próprio Jerry, Sim, talvez seja uma escolha muito old school, mas fico com o humor explícito (e talvez mais óbvio) do Jerry e com as boas tiradas da Elaine. E ok, não venham me dizer que Larry foi o grande responsável pelo sucesso do seriado; vamos lembrar que tudo era criado em conjunto: Jerry Seinfeld + Larry David.

Para terminar, o título faz referência a uma ideia, uma espécie de estilo de vida do protagonista, que explicita ao espectador ao quebrar a quarta parede: não importa que o mundo ao seu redor seja terrível, sem sentido, sem Deus, com sofrimento e traições. Tudo já está prévia e inevitavelmente lascado mesmo. Mas o que quer que seja que te dê um alívio, uma sensação ainda que mínima de prazer ou contentamento, agarre-se a isso, pois "whatever works".

Vale para o amor e aqui que tudo gira. Não existem relacionamentos que duram para sempre e é bom estar ciente disto. Agarre-se ao amor, a uma menina bonita e legal que goste de você, pois isso te dará um respiro. Mas calma, isso vai dar certo só até o momento de tudo desmoronar, um dos dois trair, alguém deixar de gostar do outro, surgir uma nova paixão. É preciso ter isso em mente. O filme sugere, de um modo cômico, até a possibilidade da troca de opção sexual.

Muito é dito e pensado sobre o amor no filme, como no diálogo muito bom em que ele diz à antiga esposa (antes da mocinha de 21) que o problema daquele relacionamento é que ele via nela uma estátua idealizada: era bonita, inteligente, legal, gostava de artes e literatura. E tinham um milhão de assuntos em comum pra conversar. Segundo ele, era esse o problema. Já com a mocinha, tudo muda --ela não sabe o que é um knish e chama de kwish, por exemplo.

Falando sobre mim agora. Eu não sei se concordo com o Larry (e com o Woody ou com o personagem) nesse filme. Sempre tive namoradas que combinavam demais comigo e jamais aceitei a ideia de namorar alguém que achasse que Kafka é um nome de livro e não um autor. Algumas pessoas discordam de mim e acham que o gostar, o apaixonar-se, não tem regras. É cego e posso vir a gostar da menina que confunde Astérix com Tintin. Não creio.

Acho que eu sempre me apaixono por alguém que me motive o bastante a apreciar sua companhia --e sentir sua falta. Como eu poderia aproveitar feliz mais de 5 minutos com uma pedagoga que idolatra Paulo Freire? Ou com uma telefonista de telemarketing que dissesse "eu poderia estar contando um segredo a você?". Como eu poderia sentir falta ou saudade desses tipos? No, thanks.

No entanto, a prática, diferente de toda essa teoria acima, me comove com as surpresas mais absurdas do mundo. E assim retrata a ficção, sem a qual eu não sei se viveria.


(2) Saindo do cinema, passamos rapidamente na Livraria Francesa. Vi isso aqui embaixo. Estou pensando se compro ou não quando voltar lá perto, no sábado. 100 reais. Mas vale tanto --tem tudo pra entrar na lista dos livros mais bonitos de todos os tempos: antigo testamento + Chagall + edição espetacular. Ah, e só a capa não indica tanta coisa assim... só com o livro na mão mesmo pra ter ideia. E se apaixonar por ele.




(3) Saiu o clipe novo do Vampire Weekend, do "Contra", cd que será lançado em 2010. A música chama "Cousins". Olha que legal --parece que foi gravado em uma rua do SoHo ou Tribeca, alguém me confirma?



Tchau tchau.

18.11.09

|links links links|

Muitas coisas.

(1) Saiu na Folha de hoje uma matéria minha sobre o YouScrobble, novo site que une YouTube e Last.fm. Faz parte de um especialzinho bem grande, sobre o futuro da música digital. Ou na banca mais próxima da sua casa ou aqui, para quem é assinante.

(2) Vídeo sensacional desse gato pegando um morcego. No ar.


(3) Sempre achei que o Sampa Crew o melhor nome de banda de todos os tempos.




Eles misturavam muito romantismo, marca do "pagode" paulistano, com elementos do hip-hop e das manifestações das ruas. Ou seja, enquanto o "djow" cantava lá na frente, os outros ficavam fazendo street-dance lá atrás (às vezes davam mortais! espetacular!). E em alguns momentos, outro "djow" assumia os vocais e "mandava rimas nervosas", meio rap, sobre relacionamento, romance. Uma das pérolas deles: "Num castelo de estrelas, você é um diamante", da letra de "Eu Nasci Pra Te Amar".

Eles existem ainda? No site oficial deles, tudo muito desatualizado --algo referente a uma homenagem que receberam do Raul Gil no Natal do ano passado. What the hell é pouco. Segue vídeo. Repare nos 30s de canção --aparece um "djow" em performance de street dance.



(4) Falando em Sampa Crew, vejo que há muita gente fã deles.



É, o passado deprime muita gente. Tudo bem que isso foi postado nos idos de 2006, quando nossa amiguinha ainda dava seus primeiros passos nessa máquina de fazer miguxos chamada Twitter. Mais informações sobre o caso em breve.

(5) Ontem passei em frente ao Biroska, onde está sendo construída a Calçada da Fama. Como diz a matéria linkada da Folha Online, há toda uma polêmica que eu não vou comentar nem me posicionar. Só sei que ontem o bar estava aberto e pude ouvir uma cantora, aparentemente bêbada (Vanusa?), cantando "Não deixe o samba morreeeeer, não deixe o samba acabaaaaar". Achei uma provocação aos moradores ali da região, que querem tanto metralhar, fuzilar, aniquilar, fazer um novo Holocausto com o samba.

(6) Já se passaram alguns dias, me atrasei no post, mas fica a lembrança tardia. No dia 15 de novembro de 1959, Herb e Bonnie Clutter e seus dois filhos (eles tinham quatro) foram assassinados na cidade de Holcomb, em Kansas. Intrigado com o caso, Truman Capote chamou sua amiga Harper Lee e foi cobrir o caso. O resultado vocês sabem. Há 50 anos.




(7) Para terminar --porque eu me cansei de escrever e vocês de lerem-- como equilibrar 117 brinquedinhos diversos apenas com uma pecinha de Lego.



Tchau tchau.

17.11.09

|a little more faith in people|

Woody Allen é o meu diretor preferido de cinema.

Sempre acho que há um certo tipo de pretensão nisso de "escolher um diretor preferido" ao invés de filmes preferidos. Referenciar-se a um nome, a um cineasta, no lugar de um filme eu acho que é coisa para intelectualoide que ou pouco conhece de cinema ou é ginasial o bastante para reduzir-se a um nome. Por isso me defendo: entre todos os diretores, o meu preferido é o Woody, mas os meus filmes preferidos da vida não se resumem a ele. E vale a menção nerd: Star Wars está entre os meus all time favorites. Nerds, delirem com uma foto rara das gravações do "Retorno de Jedi", em que Carrie Fischer (Princesa Leia) e sua dublê descansam em Tatooine entre uma cena e outra.




Mas volto ao assunto Woody. A partir de amanhã, no CCBB em São Paulo, começa a mostra "A Elegância de Woody Allen". Todas as 40 produções do diretor, inclusive o inédito "Tudo Pode Dar Certo", serão exibidas em película, para preservar a integridade de suas obras. Não só isso: filmes em que Woody foi apenas roteirista ou só atuou, sem contar produções que o influenciaram.

Deixo aqui um curta de 3m (que também, claro, vai passar nessa mostra) intitulado "Sounds From a Town I Love", feito em 2001, logo após o ataque às torres gêmeas.



Não entendo quando as pessoas veem nele um intelectual. Algumas pessoas que gostam dele acham que gostam de filmes intelectuais. Outras pessoas que não gostam justamente desprezam o Woody por acharem intelectual. É ridículo: não precisa nem ler qualquer biografia dele para saber que ele é o oposto disso --basta ver seus filmes, dar risada das situações e se emocionar com a beleza de algumas histórias e de cenas memoráveis, como a dele correndo atrás da namoradinha Mariel Hemingway no fim de "Manhattan". Quando finalmente, suado e cansado, ele a encontra na porta do hotel (ela o está deixando), ela diz: "Not everybody gets corrupted. You have to have a little more faith in people". Dito isto, com o close em seu rosto juvenil, ainda sem as impurezas e a amargura que a idade e a vida nos trazem, para alguém tão desconfiado e neurótico, dá vontade de chorar. 



É preciso distinguir sujeitos inteligentes de sujeitos intelectuais. Dicionário, antes da arte, serve pra isso.

16.11.09

|money money money|

Olha, é bem provável que você nunca tenha parado pra pensar como você conta o dinheiro. Não me refiro a guardá-lo ou quanto calcula proporcionalmente ao que recebe por mês: falo em contar mesmo, com as notas na mão.

Esse vídeo revela as semelhanças e diferenças de como contar as notas de um lugar para o outro. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra (no Brasil também?), costuma-se segurar um bolo de notas na palma da mão esquerda e então levá-las, uma a uma, para a direita. Mas e no Japão e em outros países orientais? E no Oriente Médio? Só dar um play no youtube abaixo.

Algumas "técnicas" requerem certo tipo de habilidade manual. Por que e como tais costumes são tão diferentes um do outro eu não sei. Fica outra questão pra mim, que o vídeo infelizmente não responde: judeus e árabes contam de modos diferentes?

12.11.09

|jane austen meets b-movies|

Can the Dashwood sisters triumph over meddlesome matriarchs and unscrupulous rogues to find true love? Or will they fall prey to the tentacles that are forever snapping at their heels?

Eu estava em uma livraria de São Paulo faz umas três semanas mais ou menos quando me deparei com uma capa atípica.




Além da imagem estranha, o nome "Sense and Sensibility", claro, me era familiar. A tipologia usada pro título me lembrou aquelas edições da Penguin. E o nome de Jane Austen em coautoria com um autor que eu não conhecia até então (Ben H. Winters). Mais: o título encerrava com "and Sea Monsters". Tudo isso me fez pegar o livro pra folhear, o que me fez constatar que era ricamente ilustrado, com cenas tipicamente românticas misturadas com ataques de lagostas gigantes, polvos sanguinários, monstros marinhos de duas, três cabeças e por aí vai.

"Sense and Sensibility and Sea Monsters", lançado faz pouco mais de um mês, é exatamente isso: toma o plot de um dos romances mais celebrados da literatura inglesa romântica, em que duas irmãs buscam o equilíbrio entre a razão e a emoção (o contraste entre as duas), e insere novas e bizarras situações envolvendo todas essas monstruosidades marinhas. Há certamente uma figuração aí, talvez uma metáfora. Ou, em último caso, um espetacular efeito de simples e pura comicidade. A paródia levada às últimas consequências. Genius.




Não sei o que os detentores dos direitos da obra de Jane Austen têm a dizer sobre isso. Acreditem, não é a primeira vez que isso acontece: a mesma editora (Quirk Books) já havia lançado o "Pride and Prejudice and Zombies" em abril desse ano também.

A New York Magazine, em sua resenha sobre o livro, diz que "os melhores momentos da história atingem uma espécie de bizarra simbiose" em que os monstros, desenvolvidos paralelamente em um enredo submerso (trocadilho infame, sorry), surgem e parecem significar algo além de seu aspecto grotesco.

Fica aqui o trailer do livro. Sim, trailer --refletindo uma tendência das editoras em anunciar seus lançamentos agora em vídeo.



ps: gostei tanto do site da editora deles. Vou mandar currículo! :)
ps2: post dedicado à minha amiga Nina, fã hardcore de Jane Austen.

10.11.09

|links|

O post de hoje vai ser só com indicações legais que estou pra fazer faz tempo. Vamos lá.

(1) esse vídeo dos irmãos Coen. Em 2007, eles participaram de um projeto "Chacun Son Cinéma" para celebrar os 60 anos do Festival de Cannes. Outros diretores participaram, entre eles: Lars von Trier, David Lynch etc. O deles se chama "World Cinema" e é assim:



(2) Mathieu Young é um fotógrafo que viajou até o condado de Mendocino, na Califórnia, para acompanhar o cultivo de maconha que é ali feito. Mais do que se posicionar a respeito desse assunto polêmico, ele nos apresenta belas imagens nessa série que intitulou de Harvest.




(3) um novo oceano no planeta. Sim, um rifte (uma fratura geológica) de mais de 35 milhas de extensão na Etiópia. Detalhes aqui.


9.11.09

|pequeno príncipe|




O que torna belo um deserto é que ele esconde um poço em algum lugar.
 
Sexta passada fui com a Juliana à exposição do Pequeno Príncipe, na Oca. Achei tudo tão cuidadoso e bonito, desde a preocupação em transmitir às crianças o espírito da história, com "instalações" que exibem vídeos bem curtinhos com trechos marcantes do livro e frases "pra fazer pensar", até os andares inferior e superior, esses mais voltados a um público adulto, com uma cronologia da vida de Antoine de Saint-Exupéry, uma rota de suas aventuras pelo mundo e edições do livro em inúmeras línguas!

Descobri, por exemplo, que quando passou por Florianópolis, os catarinenses o chamaram de "Zé Perry" devido à dificuldade em pronunciar o nome francês. Essa parece uma curiosidade banal, mas diverte um público que já conhece o autor e já leu o livro, mas não sabia esses desses pequenos detalhes.

O teatrinho para as crianças (que os adultos são convidados também, então nós fomos!) é adorável. A dupla que apresenta não é desses tipos maloides sem alça de teatro infantil e não fica pedindo interação o tempo inteiro. Contam a história do livro com a ajuda de slides 3D (que eu nunca tinha visto antes) de uma maneira rápida e tocante. Não passa de 15 minutos.

Bom, fica a dica: na Oca até 20 de dezembro. Ah, e às terças a entrada é gratuita! :)

Dedico esse post ao meu amigo Fabricio Gerardi, que está fazendo seu doutorado na Europa, fã de Pequeno Príncipe --com saudade!

E seguem algumas fotos que tiramos no dia.



 




5.11.09

|the loneliness of a middle distance runner|

Sempre achei qualquer tipo de exercício ou atividade física coisa para chubbies ou yuppies moderninhos. Malhar, tomar bomba e suor, nunca soube o que queriam dizer --nem nunca tinha ido procurar no dicionário. Academia pra mim só o mestrado da USP e os espetaculares jardins, bibliotecas e torres do meu fracassado doutorado em Yale. E esporte legal na educação física era futebol, quando aí sim eu jogava com vontade e até fazia um gol ou outro.

No entanto...

e sempre há um "no entanto", sempre gostei de correr. Na faculdade mesmo, como o campus do Mackenzie era (e ainda é) bonito e cheio de obstáculos, eu gostava de correr lá dentro pra chegar no horário das aulas ou só pra chegar na frente das pessoas na hora de comer alguma coisa. Os obstáculos eram sim um atrativo: declives, escadarias, patricinhas, boyzões e aqueles fiscais ou bedéis mackenzistas, que não deixavam ninguém andar de mãos dadas lá dentro, ninguém dar beijo em ninguém. Era a Inquisição Espanhola (apud Monty Python) em Higienópolis. Certamente a "loira da Uniban" não entraria com aquele vestidinho pink no sagrado território presbiteriano. Hoje não sei como está --parece diferente, com muitas "loiras da Uniban".

Mas divago aqui pelo passado.

Então, incentivado talvez pelo lançamento do livro do Rodolfo Lucena, "+ Corrida", e também pelas minhas férias, decidi que vou correr, quando não todo dia, dia sim e dia não. O autor do livro é editor do caderno de informática da Folha, que sai toda quarta. E tem um blog na Folha Online, que deu título ao livro, lançamento da Publifolha.

Hoje foi meu primeiro dia: desci a Angélica praticamente inteira e depois subi cortando pelo meio da Sta. Cecília até chegar em casa, que fica pertinho do Mackenzie. E o círculo se fecha. Não me senti com vergonha --geralmente são pessoas legais que correm na rua ou nos parques. Correm com seus cachorros, respeitam quem está apenas andando etc (diferente dos ciclistas, que não costumam respeitar muito não). Talvez mais chatos sejam aqueles que prefiram a esteira da academia, mas falo sem certeza também.

No meu fone de ouvido está sempre a ordem randômica das músicas. Até me preocupei com isso, porque se rolasse um Bob Dylan não iria combinar muito. Felizmente tocou só música que combinava. Agora quando tocou "Far Away" do Cut Copy, eu me senti um Usain Bolt, o velocista gênio. Trata-se, é claro, de uma outra classificação: ele é velocista e eu me enquadro mais naquela música do Belle & Sebastian, que se chama "The Loneliness of a Middle Distance Runner".

Bom, pra encerrar o texto, fica o vídeo de "Far Away". Vejam se não tenho razão em me empolgar nessa parte.





ps: esse vídeo eles pegaram do final daquele filme espetacular da Sessão da Tarde, chamado "RAD - A Fera do BMX" (respeito esse tradutor que colocou "Fera" no título).