30.9.09

|biafra e o sonho de ícaro|

Biafra foi gravar um pequeno especial pro Fantástico e eis o que aconteceu.



A ironia (fina) da história é que o nome da música é "Sonho de Ícaro".

Meu irmão me mostrou isso ontem e achei fantastique.

28.9.09

[the polanski affair]

Agora com a prisão do Roman Polanski, as pessoas voltam a pensar no caso: em 1970, o diretor (que é um dos meus favoritos) foi acusado de estuprar uma menina menor de idade, enquanto tiravam fotos na mansão do Jack Nicholson. And you all know the story: muito tempo se passou, mas ainda considerado fugitivo pelo governo americano. Não pode pisar em solo americano que vai pro xadrez. Me lembro daquele momento no Oscar, quando "O Pianista" disputava. Ele não pôde comparecer.

Sempre que penso nesse caso do Polanski, me lembro de outro mais ou menos parecido: o de Woody Allen com a sua enteada Soon-Yi. Em 1992, foi revelada a sua paixão secreta pela filha adotiva de sua então companheira Mia Farrow. A consagrada atriz que descobriu tudo: fotos da garota nua em uma das gavetas de Woody. Saiu ileso do caso, casou-se com a garota e vivem juntos e felizes até hoje. Farrow, no entanto, jamais perdoou o diretor. Sente calafrios quando ouve o nome dele. Acha que ele foi um monstro.

Eu os defendo. Não porque sejam judeus e eu tenha a inclinação a defender qualquer um do "meu povo". Mas defendo como Zola defendeu Alfred Dreyfus em seu "J'accuse" no fim do século 19: contra tudo e todos. Zola quase chegou a ser preso por conta de seu texto e de sua defesa. Dreyfus não havia traído o governo francês, ficou provado. E a mesma coisa: por que Woody teria cometido algo tão desumano e animalesco se de fato casou com Soon-Yi? Por que Polanski merece passar por essa humilhação toda quando ele já admitiu seu "crime" ficou preso por um breve período de tempo e, depois da fiança, foi fugir/morar em Paris?

Olha, chamem do que quiserem, mas eu acho que um sujeito que já sobreviveu ao Holocausto, perdeu a Sharon Tate (então esposa e grande amor de sua vida) assassinada brutalmente, quando estava grávida, por um grupo de fanáticos e já filmou um "Bebê de Rosemary", olha... deixem ele em paz.

É Yom Kippur e com certeza, mesmo não sendo religiosos, ambos os diretores passaram todos esses anos pedindo desculpas pelo que fizeram. Eu, por transgressões bem menores, já me sinto tão mal comigo mesmo e com as pessoas à minha volta, família etc. Pessoas que foram deixadas pra trás, pessoas que convivem comigo até hoje, pessoas a quem eventualmente eu vou ofender ou fazer algo feio.

Como no poema de Celan: no último nó de ar, mesmo que gasto, sempre há uma faísca de vida.

É preciso perdoar.

ps: mais e muito melhor pode ser lido aqui e aqui.

25.9.09

[when we kiss]

O fim de semana chegou e vai a letra de uma música apaixonada.

Do of Montreal, chamada "Keep me Sending Black Fireworks".

Look in my eyes, what do you see?
I’m hanging upside down like a chimpanzee
When I’m with my friends riding somewhere on a crowded bus
There is nothing that I want to discuss
I just sit and smile thinking about us

What is this that sends black fireworks dancing around me?
When we kiss the explosiveness is life’s sweet mystery

I feel like a balloon floating higher I’m touching a distant moon
I don’t think I’ll come down anytime soon
Ah my kitten I am so glad you’re the way you are
You’re my favorite living human by far
Because you make this frightening world less bizarre

24.9.09

|you don't know what is like to listen to your fears|

Sempre me opus à ideia da medicina alternativa. Pra falar a verdade, sempre quis distância da medicina, seja ela tradicional, alternativa, espírita. Eu vou num dentista e passo mal. O mesmo vale para oculistas, clínicos gerais. Até mesmo quando vou visitar amigos ou parentes em um hospital ou pronto-socorro, eu desmaio, dou showzinho. No entanto, dentre todas as possibilidades de algum contato meu com a medicina, acupuntura é o que nunca esteve nos meus planos.

Me lembro de um filme em que há um certo diálogo, casual e completamente sem importância pro plot, assim:

- Então, mas eu fui a um médico chinês, estava com muita dor na nuca e nas costas, e sabe o que ele fez?
- Não. O quê?
- Colocou um pelo de gato dentro do meu olho!
- Nossa, e aí, as dores melhoraram?
- Consideravelmente.

O diálogo acima foi adaptado a partir do que lembro, mas sim envolvia pelo de gato, enfiar esse pelo no olho e, com isso, cura miraculosa e espetacular. Se não me engano, é do "Crimes e Pecados", do Woody Allen.

Ontem, enquanto subia a escadinha da acupunturista (é esse o nome?), eu pensava em tudo isso. Será que o meu limite é agulha? Suportarei essa humilhação milenar e oriental? Em algum momento, ela vai sugerir colocar um pelo de gato em meu olho? Ou vai colocar na força?

Na salinha, um quadro de um índio sendo alvejado por flechas. E um vaso da dinastia Ming. Chinatown, I'm back again.

Resultado: aproximadamente 20 agulhas foram sendo aplicadas na minha cabeça, testa, nuca, costas, pernas e pé! Oy vey iz mir. Uma a uma, enquanto ela falava: essa aqui é pro pâncreas, essa é pro coração, essa é pra depressão, essa é pro estômago. E o meu estômago começou a sentir. O meu mal estar recorrente em situações médicas. Situações de risco. Só não desmaiei porque estava deitado, mas senti que quase parto pra outro planeta.

Duas agulhas não foram aplicadas porque não aguentei de dor. Segundo ela, são os pontos em que sofro mais, a saber: músculos da coluna e cabeça. Aos poucos e em novas sessões, tudo vai melhorar e eu vou suportar essas duas agulhas, pra mim, letais. Derradeiras.

Ao fim, cinco sementinhas (???) foram adesivadas dentro do meu ouvido. Para depressão, equilíbrio entre coração e mente, e mais três coisas que não me lembro agora. Ficarão coladas em mim até eu começar a sentir todas elas queimando. Medo dessas coisas. Ainda bem que estou com cabelo grande, assim cobre as tais sementinhas espalhadas no ouvido. Me sinto um androide. Um androide em um templo Shaolin.

Daqui quinze dias, mais uma sessão. E mais tensão.

23.9.09

|the kids don't stand a chance|



Uma das minhas bandas prediletas atualmente é o Vampire Weekend e, quando soube que eles vão lançar seu segundo disco --intitulado Contra-- em janeiro, fiquei muito feliz. Porque o Vampire me faz querer ouvir um disco inteiro, de cabo a rabo, sem aquela ordem randômica a que nos acostumamos ouvir música na era da internet: fazemos uma seleção de umas cem músicas no iTunes e então "random mode on".

Não tenho nada contra esse random mode. Pelo contrário, sou adepto; o meu iPod vai de Bob Dylan a Cut Copy. Engraçado que tem todas as faixas do primeiro álbum do Vampire Weekend também, espalhadas ali no meio. Só que eu me lembro que, quando eles lançaram o primeiro cd, em janeiro de 2008, eu fui comprar o cd e fiquei ouvindo sem parar no repeat. Por um bom tempo. Fui ao show de lançamento e tudo. Foi uma celebração.

Quatro caras legais saídos da Columbia University e que tinham conseguido ser capa da NME sem disco lançado ainda. Um feito: nunca a revista tinha dado uma capa assim antes. E com um disco tão legal, com letras tão boas. Exemplo: in the afternoon you are out on the stone and grass / and I am sleeping on the balcony after class (da música Campus).

Não vou aqui falar sobre a banda porque (1) existe o wikipedia; (2) existe youtube com vídeos de todas as músicas do primeiro disco. Minha proposta aqui é falar de como eu me empolgo quando uma banda consegue me fazer apreciar um cd novo inteirinho, e sem parar. E eu tenho certeza que passarei um tempão ouvindo o "Contra", que tem uma capa (já foi divulgada) tão, tão boa.

18.9.09

|dead sea, would you please make me choke?|

Em novembro, minhas férias. A ideia inicial era passar quinze dias em Nova York, mas como comprei o Playstation 3, já citado em post anterior, não sei se vai ser uma boa ideia. Sem contar o frio que começa a fazer por essa época. Vou deixar pra ir quando for primavera.

Ontem, no entanto, cogitei novas possibilidades, até por causa de Rosh Hashaná: Israel. Não sou religioso, sou mais satanista do que judeu. Minha família não comemora nada, não acredita em nada, ou, se acredita, não sabe em quê. Minha formação é de um ateísmo impregnado de dúvidas, à la Alex Portnoy ("mãe, a gente acredita em neve?") e é muito estranho quando eu me pego defendendo Israel ou com vontade de frequentar, semanalmente, a Bnei Akiva, ortodoxia hardcore. Memórias de uma infância confusa: uma arma guardada dentro do sidur e depois sorvete de ameixa no Grupo Sérgio da Angélica. Depois, o contato retomado com o pessoal da Hadar Hatorah, em Crown Heights, NYC, onde fiquei um tempinho.

Rosh Hashaná, ou o ano novo judaico, significa pouca coisa pra mim. Mas ao mesmo tempo, não deixa de ser um dia especial. É estranho. E em novembro quero ir pra Israel, quero sentir a experiência do "sabra", do judeu errante encontrando sua terra, pisando em seu solo.

Quero pegar em armas, quero ir pra Gaza. Será? Talvez eu acabe ficando só naqueles adoráveis cafés de Tel-Aviv, à espera de um atentado.

Um ano bom e doce pra todos.

15.9.09

[voltas e voltas e voltas]

Gosto de dar voltas pelo bairro à noite, embora não seja sempre que eu possa ou faça isso. Hoje, agorinha, fui com Juliana Cunha até a porta da Panamericana, no curso dela, e aproveitei para, antes de ir ao Benjamin comer e devolver uns filmes na locadora, sentir o ar fresco e um pouco frio da rua.

Tenho esse hábito desde sempre, o de andar. E sorte por ter uma namorada que também gosta de andar bastante, me fazer companhia em passeios a pé. Não dirijo, tenho um bloqueio com carros --eu, Paulo Francis, Nelson Rodrigues, Woody Allen. Não cito Jean-Paul Sartre pra não passar vergonha assim em público. Outra sorte minha é de morar muito perto do meu trabalho e muito perto dos locais que mais gosto, os meus restaurantes preferidos por exemplo. O La Tartine eu subo a Angélica (ou Consolação ou Bela Cintra) e estou nele --vinte minutos?

E voltando agora pra casa, desvendo um mistério: a cantoria de toda terça. Já faz um tempo que ouço toda terça algumas modinhas caipiras que vêm de algum lugar muito perto da varanda, mas nunca soube precisar se era da rua ou de outro lugar. Hoje, descobri! Em um bar que tem bem na rua mesmo, três velhinhos com seus violões tocando e cantando. Achei singelo e pensei: "eles devem se encontrar toda terça para essa cantoria toda". Não que eu goste de modinhas caipiras, mas o som é sempre muito agradável e transmite certa paz a noites que nem sempre inspiram tranquilidade (o meu velho problema com a insônia e paranoias e acúmulo de estresses e estafa).

Na mesa dos velhinhos, garrafas pequenas e copinhos de vidro de Coca-Cola. Pra mim foi uma cena bastante bonita. Será que serei um velhinho assim, de ficar em um bar tomando Coca-Cola? Onde estarei?

Pensamentos que vêm quando dou essas voltas pelo bairro.

Mudando totalmente de assunto e explicando a nova "proposta" do blog. Decidi que falarei mais sobre mim e sobre o meu dia a dia. Não que isso interesse muito à meia dúzia de leitores desse blog, mas fazer uma resenha sobre um filme que eu já vi e quero recomendar, soa ainda mais ridículo --dentro dessa realidade de pouquíssimos, fieis e inteligentes leitores, que com certeza já viram o filme e têm uma opinião mais inteligente que a minha. Claro que eventualmente falarei sobre filmes, bandas e outras coisas. Porque gosto. No entanto, não será dirigido a um "público".

A ideia de "diário" em um blog me incomoda um pouco, mas vou tentar ao máximo e dentro dos limites da discrição e do bom senso seguir essa linha. Vamos ver se dá certo e se (1) eu consigo e (2) as pessoas gostam.

Amanhã vou ao Rio de Janeiro a trabalho. Acompanhar a Bienal do Livro. O carro da Folha passa aqui às 4 da manhã e eu volto a SP somente por volta da meia-noite. Será um dia feliz. Estarei sem dormir por mais de 24h porque não vou nem tentar hoje --como durmo tarde, seriam 2 horas de sono apenas.

Vou aproveitar e ficar jogando o Batman no meu novo Playstation 3 com a Juliana. Presente que me dei adiantado de dia das crianças. Dedicarei um post a esse jogo e ao videogame em breve. As pessoas às vezes acham que eu sou um intelectual metido que vive lendo milhares de livros, mas não sou: sempre tive videogames, de todas as gerações. Aliás, faz um tempão que não consigo terminar um livro sequer. Seria o amor, os primeiros meses do casamento ou uma fase? Não sei. Estou feliz assim, ainda que eu sinta falta de leituras.

No meu trabalho, hoje fechamos o livro novo do Fernando Canzian, chamado "Desastre Global". Sobre a crise econômica que abalou os EUA e o mundo no ano passado. Aliás, hoje faz um ano de crise, se contarmos a data-símbolo como a quebra do Lehman Brothers.

Lançamento de outubro, o livro reúne artigos de Canzian escritos no calor dos acontecimentos.

Pra concluir, hoje foi um post absurdamente pessoal e, de certo modo, sem graça. Dei voltas e voltas e voltas. Quinta eu prometo falar sobre algo mais legal que não o meu cotidiano. E trarei links e informações legais. I promise.

Terça e quinta serão os dias que posto aqui.

10.9.09

|kapores|

Essa é a primeira postagem do meu novo blog que, eu sei, não será lido nem seguido por quase ninguém.

Duas razões pra eu abandonar o |dreck|: (1) minha conta do gmail era outra, que não essa do blumenthal.thiago; (2) precisava de um novo layout, uma nova proposta. E essa ideia de "kapores" me entusiasmou por ser uma espécie de depósito de pecados, como bem definiu a Juliana Cunha. Não que eu seja muito pecador --até porque não sou cristão e no judaísmo, mais do que pecado, há mais uma ideia de "transgressão"--, mas escrever, e de uma forma mais pessoal, direta (que é o que vou me disciplinar de agora em diante), não deixa de ser uma maneira de expiar tudo o que há de treif (não kasher, i.e. impuro) em mim ou em qualquer um.

Já dizia algum gênio que escrever é a mais inteligente maneira de se confessar. Oscar Wilde? Não, creio que Xuxa Meneghel em seu twitter recentemente.

Espero relatar novos e melhores dias nesse blog.